Diário da rua

Jornalista aposentado que já morou nos EUA hoje doa parte do que ganha e vive nas calçadas de São Paulo

Luciana Quierati Do UOL, em São Paulo
Lucas Lima/UOL

Carlos de Magalhães Barbalho tem 74 anos e mora na rua. Todas as noites, por volta das 21h, estende seu papelão numa calçada da avenida São João, no centro de São Paulo, se enrola dos pés à cabeça numa coberta surrada e dorme um "sono de pedra".

Acorda quando o vaivém das pessoas se avoluma. Passa o dia fazendo bico, lendo ou escrevendo, até que a noite chega e a rotina se repete.

Mas basta um dedo de prosa, e algum interesse, para se descobrir o que as aparências não entregam: está ali na calçada um homem culto, de fala correta e jeito polido, que foi jornalista por duas décadas no Rio de Janeiro e até morou fora do país.

Dos seus recém-completados 20 anos em São Paulo, já são 15 vivendo em situação de rua, como muitos outros na cidade.

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Repórter nos anos 60 e 70

Em meados de 1974, Barbalho escreveu para o "Diário de Notícias" do Rio sobre um abrigo que atendia "gente que, por qualquer circunstância da vida, um dia ficou à margem da grande cidade", pessoas que até "exerceram profissão, e por causa do álcool ou alguma desilusão se transformaram em mendigos". Nem podia imaginar estar descrevendo uma realidade que viria a ser a sua.

Sempre de terno e gravata e bigode bem-aparado, Carlos era um sujeito calado, e seu ar enigmático aos poucos o tornou "temido", segundo ele. "Conseguia me infiltrar e, quando viam, eu já estava lá dentro", diz. "O pessoal tinha medo do que eu podia descobrir."

Para o jornalista Luarlindo Ernesto da Silva, contemporâneo de Barbalho no "Diário" e, posteriormente, na "Última Hora", todos o respeitavam porque, acima de tudo, ele "era um lorde e tinha um caráter excepcional". 

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Entrevistei morador de rua, mas pessoal de jornal não tem noção nenhuma do que vive uma pessoa nessa situação. Eu vim descobrir quando me tornei um.

Carlos Barbalho, em seu diário sobre os moradores de rua de SP

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Nas redações, Barbalho era chamado de "padre", já que quase se rendeu à batina. O jeito dócil e a presteza como coroinha na igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, em Virginópolis (MG), logo cedo chamaram a atenção do pároco, que, assim como a mãe, viu nele um futuro no sacerdócio. Dos 13 aos 18 anos, frequentou o Seminário São José em Itaúna, cidade mineira a 350 km distante de casa e dos 11 irmãos. Apesar de a memória estar começando a falhar, até hoje é capaz de recitar trechos em latim das "Catilinárias" de Cícero e da "Eneida" de Virgílio, aprendidos nas aulas de literatura. 

Mas não tinha vocação. O pai, dono de cartório, desejou que ele estudasse para ser advogado, mas o garoto não simpatizava com a ideia. Leitor voraz de jornais e amante da escrita, considerou que se encaixava mais no perfil de jornalista e bateu na porta da sucursal do jornal "Última Hora" em Belo Horizonte. Estagiou por três meses, segundo ele, sem remuneração. Foi tentar carreira numa cidade maior.

Em 1967, aos 23 anos, desembarcou no Rio. Não conhecia ninguém. Foi redator em uma agência de notícias sediada no aeroporto internacional do Galeão, hoje Antônio Carlos Jobim, e ali conheceu Roberto Carlos e Elis Regina - esta uma figura "muito simpática", segundo ele. Depois escreveu para os jornais "Luta Democrática" e "Correio da Manhã", onde assinou a primeira reportagem, sobre os monumentos abandonados do Rio, em junho de 1969.

Não se esquece do dia em que aguardava para receber um de seus primeiros pagamentos como estagiário do "Correio" quando Carlos Drummond de Andrade, então com 67 anos (já em seu último ano como cronista do periódico), entrou na fila logo atrás dele. "Olá, seu Carlos!", cumprimentou o homônimo principiante. "O senhor gostaria de passar à frente?" Ao que o conterrâneo agradeceu, declinando da gentileza.

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Foi no tempo do "Diário de Notícias", para onde foi depois de deixar o "Correio da Manhã", que conheceu Nair, o grande amor de sua vida. Dona da pensão onde ele morava, ela era viúva, 20 anos mais velha que ele e mãe de um rapaz já crescido. Todo mundo do convívio de Barbalho já o ouviu ao menos uma vez falar nela, ainda apaixonado. "Ela era meu 'sentido de casa', para onde eu sempre queria voltar depois de um dia cheio de trabalho."

Quando o "Diário" definhou (chegaram a ficar oito meses sem salário, lembra o colega Luarlindo), Barbalho entrou na "Última Hora", à época não mais sob os cuidados do fundador, Samuel Wainer. Foi registrado em carteira (por conta da legislação, constava como repórter fotográfico, porque não tinha curso de jornalista) e em pouco tempo chegou a repórter especial e chefe de reportagem.

Arquivo Pessoal

Durante uns anos, Barbalho ficou encarregado de acompanhar o fechamento das edições da "Última Hora". Conta que, quando Chacrinha morreu, perto da meia-noite de 30 de junho de 1988, desceu até a oficina e pediu para que interrompessem a impressão da capa. Precisava incluir uma nota de pé de página. 

Foi mais ou menos nessa época que inventou de ser dono de jornal, conciliando os dois trabalhos. Criou o "Correio Sul", com 12 páginas, escrito com a ajuda de um funcionário e alguns colaboradores. O periódico mensal era impresso na gráfica da "Última Hora" (ele pagava por isso) e circulou durante um ano. Não lhe rendia muito, mas ajudou no financiamento de um apartamento no bairro do Catete, no Rio.

Dispensado da "Última Hora"no final da década de 1980 e depois de um tempo na TV Rio, também como chefe de reportagem, decidiu que era hora de realizar um sonho antigo, o de "conhecer o desconhecido" e ganhar dinheiro na "América". Em 30 de novembro de 1991, embarcava com destino aos Estados Unidos. 

Passagem de trem usada por Carlos Barbalho no EUA - Reprodução Passagem de trem usada por Carlos Barbalho no EUA - Reprodução

Sonho americano

Barbalho desembarcou nos EUA com 47 anos, falando nada de inglês e torcendo para não desconfiarem da sua intenção de ficar no país bem mais do que os três meses do visto. Passou as primeiras semanas em um quarto alugado no condomínio onde morava a irmã caçula em Framingham, Massachusetts, e ali viu a neve pela primeira vez.

Tirou o bigode depois de muitos anos - uma conterrânea com quem dividia o quarto lhe disse que os fios o deixavam mais velho, e que isso atrapalhava na hora de arrumar um emprego. Mas o visual novo não ajudou muito e, sem conseguir trabalho, logo se meteu a percorrer o país atrás de uma oportunidade.

Numa noite de janeiro de 1992, pegou um ônibus na rodoviária da pacata cidade e rumou para Nova York. Queria movimento, andar de metrô, trombar com gente na rua. Ficou deslumbrado com as vias amplas e bem cuidadas, e se encheu de esperança. Ali se daria bem, pensou.

Mas nem em Nova York, nem em qualquer outro lugar por que passou. Recolheu latinhas em Manhattan, vendeu balas em Chicago e perfumes e flores em Los Angeles. Engraxou sapatos. Fez bico de pintor e de ajudante de pedreiro. Trabalhou na demolição de um prédio em Illinois. Nada que lhe deixasse em uma situação tranquila.

Acabou dormindo em abrigos, igrejas e de favor na casa de americanos e estrangeiros. E quando achou um emprego fixo de lavar pratos em um restaurante de São Francisco, teve que passar algumas noites na rua, porque deixava o serviço depois do horário permitido para entrada no centro de refugiados onde vinha dormindo.

Queria ir para a América para ganhar dinheiro e, não posso deixar de reconhecer, para satisfazer a um meu 'instinto', o de ver e conhecer o desconhecido. Ou seja, satisfazer um pouco da parte aventureira que existe em mim.

Carlos Barbalho, de seus escritos sobre os anos em que morou nos EUA

Reprodução Reprodução

Nair, que havia ficado no Brasil, não podia saber de tantas dificuldades. Por isso, quando ligava para ela, disfarçava falando das missas que ele participava todos os domingos, do quanto Pelé, Xuxa e Nelson Ned eram conhecidos da comunidade hispânica dos EUA e sobre o impeachment do então presidente Fernando Collor, sobre o qual tomou conhecimento em um jornal deixado num banco de rodoviária.

Nos aniversários de 48 e 49 anos, ninguém lhe deu parabéns. A não ser Nair, por telefone, sempre um dia antes, quando ele ligava para cumprimentá-la - ele nasceu em 19 de maio e ela, no dia 18. Se sentia sozinho. "Uma ocasião pensei que se morresse ali, passaria despercebido, pois ninguém sabia um endereço meu, nem do meu pessoal no Brasil nem mesmo de minha irmã em Framingham", conta.

Este foi meu primeiro pensamento ao ver aquelas pessoas na Santa Cecília: 'Meu Deus, fazei com que eu não precise frequentar aquela fila'. Sim, para mim, aquela era a fila da pobreza. E hoje eu sou um dos que formam a fila dos que esperam a comida das comunidades.

Carlos Barbalho, em seu diário sobre os moradores de rua de SP

Um baque no Brasil

Perto de completar dois anos na América e ainda sem fazer o pé de meia que queria, recebeu a notícia de que Nair estava se tratando de um câncer de mama. Ficou arrasado. E em pouco tempo deu um jeito de retornar ao Brasil. Cuidou dela até 26 de outubro de 1996, dia em que ela faleceu.

"Foi o maior golpe para ele", diz o irmão Celso de Magalhães Barbalho, que conheceu Nair no período em que morou com Carlos, na pensão dela, no Rio. Época em que o casal acanhado ainda só trocava olhares.

Em um dos encontros com a reportagem do UOL no ano passado, em uma caminhada pela avenida São João, Carlos parou do nada e confidenciou arrependimento por não ter sido um companheiro melhor para ela. "Um dia a Nair me disse: 'Eu não sou fiel'. Acho que ela quis me espezinhar, porque eu é que não era fiel a ela." Abaixou a cabeça e silenciou.

No começo de 1998, após algumas tentativas de retomar a carreira de jornalista, Carlos voltou a pensar nos EUA. Quem sabe desta vez não teria melhor sorte? Planejou entrar ilegalmente pelo México e começou a jornada pela Colômbia até chegar à Costa Rica, onde acabou o dinheiro. Com a ajuda de uma irmã, comprou o bilhete de um voo partindo do Aeroporto Internacional Juan Santamaria rumo a São Paulo, com escala no Rio.

Ao desembarcar no Galeão, perguntou-se o que o prendia ali. Não tinha mais a Nair, não tinha emprego, não tinha recursos. Pensou rápido e correu para o portão de embarque a tempo de pegar o avião para São Paulo. Dali a 45 minutos, começaria uma nova vida.

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Tem horas, tem dia em que me lembro que sou jornalista. Mais de 25 anos trabalhando em jornais, revista, agência de notícias e televisão. [...] Imprensa, jornalismo, reportagem. Bem, isso já é passado. Agora estou aqui, neste feriadão, sentado na escada de uma casa abandonada, no Brás.

Carlos Barbalho, em seu diário sobre os moradores de rua de SP

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Avenidas paulistas

Em São Paulo, para onde rumou sem avisar a família, Carlos também não conhecia ninguém, e a timidez o impediu de procurar emprego como jornalista. Viveu por um tempo com a renda da venda do apartamento do Rio e começou a comercializar meias e cuecas de porta em porta, por sugestão de uma mulher que conheceu por acaso. "Pelo menos dá para pagar uma pensão", disse ela. Por quase cinco anos, assim ele se manteve. Até que os negócios despencaram de vez, e ele foi parar na rua.

Ele diz que não ficou abatido. Já tinha passado por essa experiência nos EUA. Não seria a primeira vez. Além do mais, poderia se reerguer e voltar a pagar um quarto. 

Aos poucos, foi se inteirando dos macetes das ruas paulistanas. Forrar o chão com jornal antes de estender o papelão ameniza o frio no inverno. Amarrar a sacola com documentos no cinto da calça evita furtos durante o sono, bem como dormir sobre uma metade da coberta e se cobrir com a outra metade.

Aprendeu também quais os lugares onde as comunidades religiosas servem refeições - as chamadas "bocas de rango". Que para tomar banho em albergue tem que chegar bem cedo e pegar ficha - não há vaga para todo mundo. E que não se deve demonstrar medo ao ser afrontado por outro morador de rua, "porque aí eles fazem mais covardia e ficam mais folgados ainda".

Tudo dica dos amigos veteranos que foi fazendo nas calçadas do centro e da zona leste. Tinha o Ronaldo, o Antônio e o Xará. O Fernando Ferraz, o Barba, o Zagalo e o Palitó. Sem falar nas suas musas: a Miss Osasco, a Brigitte Bardot da rua Augusta, a Pitchula e a Loirinha, entre outras.

Todos eles são personagens do diário que começou a escrever em 6 de junho de 2003, dois meses depois de ir para a rua. Queria contar como vivem as pessoas na situação em que agora ele se encontrava. Entre furtos e perdas, seis cadernos com suas anotações estão a salvo, guardados na casa de amigos, e contam uma parte da história da cidade que muita gente desconhece. 

As primeiras noites dormidas na rua foram um carimbo. Uma marca no meu coração e na minha mente.

Carlos Barbalho, em seu diário sobre os moradores de rua de SP

Em setembro de 2012, dois primos de Minas decidiram vasculhar o centro de São Paulo à procura de Barbalho. A essa altura, a família sabia que ele estava morando na rua, só não sabia onde. Walter e Luiz Cláudio Passos percorreram a República e se arriscaram na cracolândia, na Luz. Chegaram a oferecer pagamento por qualquer informação sobre seu paradeiro. Até que uma antiga amiga do primo, a cabeleireira Maria de Fátima Reis, os levou até ele, no Paissandu. Ele estava vivendo em um estacionamento.

Os primos festejaram. Ao menos ele tinha um teto. Também não havia se perdido em algum vício. "Ele podia estar bebendo, envolvido com drogas, mas a única coisa que achamos com ele foi um terço", diz Claudinho, que fez uma foto e abriu um perfil no Facebook para o primo jornalista.

Barbalho não desfez dos parentes de Virginópolis. Pelo contrário. Tratou-os com a gentileza que lhe é peculiar. Mas não gostou nada de aparecer na internet, bem como reprovou a iniciativa de Fátima. No fundo, não queria ser encontrado, nem que tentassem convencê-lo a voltar para Minas. Agradeceu a preocupação, mas recusou a oferta dos primos. Também não procurou mais a amiga.

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No sábado, eu passei mal. Só tinha R$ 5. Sentei no calçadão e encostei a cabeça, pra tontura passar. Um taxista viu e veio me perguntar se eu tinha comido. Logo chegaram outras pessoas, e ouvi alguém dizer: 'ele não parece maloqueiro'. Fiquei feliz de saber que não pareço maloqueiro.

Carlos Barbalho, novembro de 2018

Envelhecendo na cidade

No final de 2016, por conta da catarata que avançou rapidamente, Barbalho chegou perto de perder a visão. Não reconhecia mais as pessoas, vivia caindo nas ruas e trombando com postes. Um grupo de benfeitores encabeçados pelas empresárias Cristina Vieira e Neide Henrique, que conhecem Carlos há pelo menos dez anos, se ofereceu para fazer uma vaquinha e pagar a cirurgia, já que não dava mais tempo de esperar por uma vaga no sistema público de saúde. Ele recusou.

Os amigos, então, acionaram a família: "Venham, que o homem está cego". E o primo Walter de novo entrou em cena, levando Barbalho a Minas Gerais quase que na marra. 

Por três meses esteve com a família. Primeiro em Belo Horizonte, enquanto se recuperava da cirurgia, e depois em Virginópolis, na casa que fora de seus pais. Um casarão antigo, com sete quartos e janelas grandes na frente. Ajeitaram o quarto com cama de casal, colocaram um guarda-roupa. Tinha comida na mesa e a antiga máquina de escrever na prateleira. Mas estava infeliz.

"Ele me chamou de lado e disse: 'Dinha, não estou me acostumando. Minha vida é outra'", conta a irmã Maria de Lourdes de Magalhães Barbalho. "Disse que estava com saudades de São Paulo, tinha 'umas coisinhas' precisando dele lá e que à meia-noite pegaria um ônibus de volta."

À meia-noite, então, Carlos saiu de casa, escondido de Celso, o irmão mais apegado a ele e que todo mês liga para Fátima, Cristina ou Neide para ter notícias suas. Quando se deu conta, ele já estava na estrada.

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No Rio, não era vida. Tinha tudo na mão. Vida é essa aqui em São Paulo, passando fome na rua, sendo confundido com bandido pela polícia. Eu era bobo, orgulhoso, pensava que era o tal. Aqui vim aprender a respeitar as pessoas.

Carlos Barbalho, janeiro de 2019

Voltou para São Paulo e para as ruas. Quando o edifício Wilton Paes de Almeida desabou em 1º de maio do ano passado, muita gente ficou preocupada. Fátima foi uma delas. Sabia que o amigo continuava por aquelas bandas e já havia morado em ocupações. Podia estar no prédio. Mal soube do ocorrido pelo noticiário, rumou para o Paissandu. Não o encontrou e só veio a ter notícias suas dois dias depois.

Ele dormia na av. São João quando a estrutura veio a baixo. Nem sequer se abalou, tamanho o sono pesado que tem. Mas as suspeitas de Fátima não eram infundadas. Dois meses antes da tragédia, haviam oferecido a Barbalho um 'apartamento' no edifício por R$ 150 mensais. Daria para pagar com o que sobra da aposentadoria. E ele ficou de pensar. Pensou, pensou, até que tudo aconteceu. Sua indecisão o salvou.

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Com a aposentadoria de um salário mínimo - descontado o valor do empréstimo que precisou fazer para custear a cirurgia -, reconhece que poderia voltar a pagar por um quarto de pensão. Mas não o faz. Diz que prefere usar o dinheiro se alimentando bem. "Mas ele por acaso come? Não vê como está magro? É desculpa dele", comenta a amiga Cristina.

Barbalho tenta esconder que todo mês dá uma parte do que ganha para amigos moradores de rua.

O advogado mineiro Gabriel Geraldo Soares de Souza diz que ele não dava a mínima para dinheiro na época do seminário que frequentaram juntos. O irmão Celso recorda que, no Rio, bastava ver alguém na rua para Carlos abrir a carteira e oferecer o que tinha. "Ele é do tipo de gente que não existe mais", diz.

De vez em quando, Barbalho abre o jogo e confessa não querer passar seus últimos dias ao relento. Mas também não nega que se acostumou à rotina das ruas e que não quer abrir mão da liberdade que hoje desfruta, por pior que ela possa parecer aos olhos de quem vê de fora. 

Para o primo Cláudio, não adianta mais insistir: "Carlos é um passarinho". Fátima, que reencontrou o amigo por intermédio da reportagem, tem uma definição mais ácida, porém envolta em preocupação: "Seu Carlos é o homem mais culto, mais inteligente, mas também o mais burro que eu conheço".

Lucas Lima/UOL

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