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Você sabe reconhecer e prevenir um derrame?

Mais de cinco milhões de pessoas morrem, anualmente, em decorrência do AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como derrame. No Brasil, este índice é de aproximadamente 100 mil, com sequelas graves em cerca de 50% dos sobreviventes. Por isso, vale aprender mais sobre o assunto. Faça o teste e descubra qual o seu nível de conhecimento da doença. O teste foi criado com a ajuda de: André Felício, neurologista e pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Antonio Silvio Oliveira Prudêncio, angiologista e cirurgião vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e Flávio Sekeff Sallem, neurologista do Instituto Paulistano de Neurocirurgia e Cirurgia da Coluna Vertebral e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP)

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    Você sabe as principais diferenças entre um AVC isquêmico e um hemorrágico?

    1. O AVC isquêmico ocorre quando o tecido cerebral é desprovido de circulação sanguínea, enquanto o hemorrágico acontece por extravasamento de sangue para dentro do tecido cerebral.

      Isquêmico ou hemorrágico

      Há dois tipos de AVC, o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro, mais comum, abarca cerca de 80% dos casos e é provocado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, decorrente da obstrução de uma artéria. O hemorrágico, por sua vez, atinge 20% das ocorrências, e é originado pelo rompimento de um vaso intracraniano que, como o próprio nome indica, promove uma hemorragia cerebral. Um exame detalhado do cérebro, feito por tomografia ou ressonância magnética, identifica qual dos dois acometeu o indivíduo.

    2. O AVC hemorrágico, diferentemente do isquêmico, evolui ao longo de dias.
    3. O AVC isquêmico ataca pessoas idosas, enquanto o hemorrágico é típico de adultos jovens.
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    Uma pessoa ao seu lado está tendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. Quais os sintomas mais prováveis que ela pode apresentar?

    1. Uma vontade irresistível de dormir, associada à salivação.
    2. Uma crise convulsiva.
    3. Perda de força de um lado do corpo e dificuldade para falar.

      Sintomas

      O Acidente Vascular Cerebral, ou derrame, ocorre quando uma artéria é tapada ou obstruída ou quando se rompe um vaso sanguíneo. Neste momento, a parte do cérebro afetada não recebe o oxigênio necessário e neurônios começam a morrer, assim como as conexões entre eles. Os principais sinais são: enfraquecimento, adormecimento ou paralisação de braço ou perna de um lado do corpo; perda de força na face, o que pode causar desvio da boca para um lado (ela fica torta); alteração da visão, com turvação ou problemas especialmente em um olho, episódio de visão dupla ou sensação de "sombra" sobre a linha do que se enxerga; dificuldade de falar ou entender o que os outros estão dizendo; dor de cabeça súbita, forte e persistente; debilidade na capacidade de engolir; e tontura, desequilíbrio, falta de coordenação ao andar ou mesmo queda

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    As taxas de AVC estão aumentando na população jovem porque:

    1. Os fatores genéticos vêm se tornando cada vez mais frequentes.
    2. As pessoas estão vivendo mais.
    3. Os jovens se exercitam menos e consumem mais calorias, por isso, muitos sofrem com tendência à obesidade. Além disso, fumam, bebem álcool e levam vida estressante.

      Taxas aumentando

      O derrame é mais comum no público acima dos 65 anos, mas cerca de 10% dos casos incluem indivíduos abaixo dos 55 anos e 4% abaixo dos 45 anos. É fato que os jovens estão cada vez mais propensos ao distúrbio por alguns fatores que vão desde malformações congênitas nos vasos sanguíneos cerebrais, problemas de coagulação e doenças do coração até maus hábitos, como consumo de álcool, drogas e fumo, propensão a estresse, má alimentação e falta de atividade física.

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    Qual destes são fatores de risco para o AVC?

    1. Idade avançada, quimioterapia prévia e história de AVC na família.
    2. Consumo de grandes quantidades de doces, insônia e depressão.
    3. Hipertensão arterial, diabetes e tabagismo.

      Fatores de risco

      No AVC isquêmico, os detonadores mais relevantes são idade avançada, história familiar, diabetes, tabagismo, hipertensão arterial, colesterol alto, sedentarismo, obesidade e males cardíacos. Já no hemorrágico, hipertensão mal controlada, aneurismas cerebrais, dificuldades de coagulação e também idade avançada. Como fatores de menor risco para o hemorrágico, estão tendência genética à trombose, uso de anticoncepcional associado ao tabagismo ou à enxaqueca com aura (em que há outros sintomas como distúrbios visuais), endocardite (infecção no coração) e uso de drogas. Sabendo que tais variantes funcionam como um gatilho para a enfermidade, vale cuidar da saúde, o que significa não apenas controlar hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto e doenças do coração como fazer atividade física regular, não fumar e não beber exageradamente.

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    Para que serve a tomografia de crânio no AVC?

    1. A tomografia não é mais usada no AVC.
    2. Diagnosticar a forma de derrame (isquêmico versus hemorrágico), determinar sua localização e seu tamanho.

      Tomografia

      Antes de mais nada, é bom saber que o derrame é uma emergência médica, o que significa que o paciente deve ser socorrido e conduzido a um hospital referência o mais rápido possível. Após a avaliação inicial, ele deve se submeter a uma tomografia para identificar o tipo de AVC e iniciar o tratamento adequado.

    3. Ajudar no diagnóstico das causas do distúrbio.
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    Fatores hormonais, especialmente em mulheres, aumentam o perigo.

    1. Verdade, principalmente se o público feminino usa pílula anticoncepcional e fuma.

      Fatores hormonais

      Há estudos mostrando mais ocorrência de derrame em mulheres que usam pílula anticoncepcional e apresentam doenças genéticas que alteram a coagulação, como trombofilias, ao lado de maus hábitos como tabagismo. Conclusão: tanto o anticoncepcional quanto a reposição hormonal se tornam um problema se associados a outros fatores de risco (fumo). E tem mais, a predisposição genética potencializa o perigo, o que significa que, se um parente tem derrame, aumenta a chance de outros membros da família também sofrerem com a doença.

    2. Apenas em casos excepcionais.
    3. Não tem nada a ver.
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    O uso de aspirina no AVC pode ser:

    1. Sob recomendação médica, nos casos de AVC isquêmico, para diminuir o risco de novos eventos.

      Aspirina

      A aspirina faz parte de um grupo de medicação denominado antiagregante plaquetário que, como se diz popularmente, afina o sangue e diminui a tendência para formação de coágulos. Pacientes inclusos em grupos de risco, ou que já tiveram derrame isquêmico, podem se beneficiar com o emprego do remédio (mas jamais os que apresentaram o tipo hemorrágico, pois potencializa o perigo de outro episódio da doença). Porém, é necessário contar com um rígido controle e acompanhamento médico, uma vez que há variantes, como alterações do sangue capazes de baixar a coagulação, que não devem ser deixadas de lado na decisão pelo tratamento e durante seu uso.

    2. Sob recomendação médica, nos casos de pacientes idosos com AVC de cerebelo.
    3. Sob recomendação médica, nos casos de AVC hemorrágico, para "afinar o sangue".
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    A fisioterapia é indicada após a ocorrência do derrame?

    1. Sim, pois ajuda o paciente a diminuir a área de sofrimento (isquemia) cerebral.
    2. Não, porque leva à dor e à fraqueza muscular.
    3. Sim, já que auxilia na recuperação funcional do paciente.

      Fisioterapia

      As áreas cerebrais saudáveis, capazes de compensar papéis de outra que sofreu um derrame, podem ser estimuladas, reabilitando o paciente, minimizando as sequelas e acelerando a melhora do quadro como um todo. Tais ações são possíveis com qualquer estímulo bem planejado por uma equipe multidisciplinar que inclua fisiatras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos especializados, por exemplo. Apesar de não diminuir a área prejudicada pelo AVC, a fisioterapia atuará no resgate de funções na região de "penumbra", isto é, que engloba lesão transitória ao redor do local onde ocorreu o derrame. Além disso, o trabalho ajudará a devolver a capacidade motora e dará maior independência ao paciente para que realize suas atividades cotidianas sozinho. Mas é importante considerar que, muitas vezes, é preciso tempo e paciência, o que dependerá muito da força de vontade do indivíduo. Na maioria dos casos, o ideal é começar as sessões logo após a alta hospitalar e de preferência todos os dias, já que, quanto mais rápido ele for estimulado, maior será sua recuperação.

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    O paciente que teve um AVC deve:

    1. Diminuir o consumo de frutas vermelhas e vinho branco.
    2. Consultar regularmente o neurologista, controlar a pressão arterial e o açúcar no sangue (glicemia).

      Depois do AVC

      Todo paciente que sofreu um episódio de AVC apresenta propensão maior para outro evento igual. Portanto, seguir e controlar rigorosamente os fatores de risco associados torna-se obrigatório.

    3. Ficar de repouso absoluto e evitar discussões acaloradas.
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    Quem está mais propenso a ter um derrrame?

    1. Caucasianos.
    2. Mulheres com hipotensão ortostática (queda brusca de pressão quando um indivíduo assume a posição ereta).
    3. Quem já teve um infarto agudo do miocárdio.

      Propensão

      Portadores de qualquer disfunção arterial crônica, como infarto agudo do miocárdio ou mesmo um acidente vascular cerebral prévio, têm maior inclinação a desenvolver um AVC. A doença aterosclerótica não ocorre em um único tipo de artéria ou local do corpo. Quem apresenta aterosclerose pode estar estreitando e entupindo diversos trechos de artérias em todo o organismo - por exemplo, nas artérias carótidas/cerebrais, nas coronárias e nas situadas nas pernas. Assim, quando se diagnostica enfermidade em uma área, esta serve de alerta preventivo para possíveis ocorrências de obstruções em outra parte.

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    O estresse representa um fator de risco para a disfunção?

    1. Com certeza, sim.

      Estresse

      Estudos apontaram que pessoas estressadas apresentam maior risco de derrame em comparação com as que não se encontram nesta condição. Isso aconteceria em casos específicos, como do estresse crônico, capaz de elevar o cortisol no sangue, agravar hipertensão e diabetes e complicar o controle do colesterol.

    2. O estresse pode atrapalhar o tratamento que vem após o episódio.
    3. Não há comprovação científica para esta relação.
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    O derrame pode deixar sequelas?

    1. Apenas em pacientes com histórico de diabetes.
    2. Não deixa nenhuma consequência.
    3. Pode causar sequelas graves que atingem aproximadamente 50% dos sobreviventes.

      Sequelas

      As sequelas do AVC dependem de uma série de fatores que vão desde tamanho e localização da lesão até idade do paciente. Um indivíduo que sofreu um derrame no lado esquerdo, em cima da área que movimenta a mão, por exemplo, pode perder o movimento da mão direita, já que a função motora é cruzada. É importante considerar, no entanto, que, antes de seis meses, é possível ocorrer recuperação total ou parcial da disfunção, com outras regiões do organismo compensando o problema gerado. De qualquer forma, o Acidente Vascular Cerebral está associado a algumas consequências mais comuns, como dificuldade de movimentar um ou mais membros (geralmente de um lado do corpo), entraves de comunicação (expressão ou compreensão), engasgos, alterações na coordenação motora, sensibilidade reduzida em determinado local, visão dupla e complicação para enxergar.

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    Indivíduos de etnia negra têm mais risco de ter AVC?

    1. Sim, pois pessoas desta etnia têm a pressão arterial mais elevada.

      Etnias

      Os indivíduos de etnia negra são mais propensos a desenvolver um derrame porque apresentam pressão arterial mais elevada. A predominância se dá entre os que têm 35 a 44 anos. É claro que variantes externos contribuem ou não para acentuar este fator de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol e triglicérides elevados, sedentarismo, alcoolismo e doenças cardíacas e vasculares.

    2. Depende de outros fatores de risco.
    3. Não há nenhuma relação.
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    Esforço físico exagerado, seja na ginástica ou em uma relação sexual, pode provocar o AVC.

    1. Não há comprovação científica para esta relação.
    2. Depende da condição geral do paciente.
    3. Em relação à ginástica é possível, mas na relação sexual não.

      Esforço físico

      A atividade física extenuante pode levar a arritmias em pacientes predispostos, subindo a pressão e favorecendo o AVC. Nesse sentido, a prática de modalidades intensas deve ser sempre supervisionada por profissionais da área e, se possível, individualizada. Claro que praticar esportes e ginástica de forma moderada e acompanhada é superpositivo, pois estabiliza os níveis de pressão, beneficiando o sistema cardiovascular e reduzindo os riscos de derrame. Agora, em relação à transa sexual, não há evidências para sustentar tal teoria em indivíduos saudáveis.

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    Identificando que alguém tem um AVC perto de você, o que faria para ajudar?

    1. Ofereceria uma aspirina infantil e água.
    2. Levaria o sujeito ao pronto-socorro mais próximo ou chamaria uma ambulância.

      Identificando

      Perceber que o derrame está acontecendo é importantíssimo porque cada minuto sem tratamento, como já foi dito, significa a morte de neurônios e das conexões entre eles, o que origina sequelas. Então, tem que conduzir o paciente a um bom hospital para que a equipe tente desobstruir a artéria antes que a lesão se torne irreversível - quando uma área do cérebro fica privada de sangue, ela para de funcionar mas demora um tempo até que os neurônios morram. Então, mesmo considerando que o quadro evoluirá progressivamente ao longo das primeiras horas, vale ter em mente que, se o atendimento for acelerado, diversas medidas podem ser tomadas para frear o avanço. No AVC isquêmico, a rapidez previne a lesão permanente da área cerebral afetada e diminui as chances de sequelas e morte; no hemorrágico, também afasta a ameaça de lesões permanentes e diminui a mortalidade e a ocorrência de novas hemorragias.

    3. Deitaria o paciente de lado, para que não aspirasse conteúdo do estômago para o pulmão.