Brasileiros não precisam usar máscara, garante representante da Opas

Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo

A confirmação de quatro casos de influenza A (H1N1) no país não significa que os brasileiros tenham que alterar sua rotina e passar a andar na rua com máscaras cirúrgicas. É o que garante o médico pernambucano Jarbas Barbosa, gerente da Área de Vigilância em Saúde e Gestão de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington (EUA).

O médico explica que, ainda que o Brasil venha a registrar casos contraídos em território nacional, isso não será, necessariamente, sinônimo de que o vírus circula no país. "Consideramos que existe transmissão sustentada da doença quando há pessoas infectadas na comunidade e já não é possível mais identificar a origem do contágio", explicou Barbosa, em entrevista ao UOL. Nessa situação, até agora, apenas estão o México e os EUA.

Apenas se houver transmissão sustentada em algum país além do continente americano é que a OMS (Organização Mundial da Saúde) passará a denominar a doença como pandemia. "Mas é preciso lembrar que o termo 'pandemia' refere-se apenas à expansão geográfica de uma enfermidade, e não ao perigo que ela representa à saúde", reforça.

Barbosa informa que ainda é cedo para calcular a real letalidade do vírus A (H1N1), mas tudo indica que a doença não seja mais grave que a gripe comum. Ele também acredita que os números de mexicanos e norte-americanos infectados estão subestimados. "Certamente há muito mais gente contaminada, que nem chega a ir ao médico porque os sintomas não são graves", diz. Ou seja: deve haver muito mais casos da doença, que, divididos pelo total de mortes confirmadas até agora (44), resultariam em uma taxa de letalidade mais baixa que a estimada atualmente (cerca de 2%).

Embora ressalte que não há motivo para pânico, o médico afirma que os sistemas de vigilância epidemiológica precisam ser atuantes para identificar com rapidez uma eventual mudança de comportamento do vírus. E ele reforça a necessidade de imunização contra a gripe comum, já que a chegada do inverno pode levar à sobrecarga no sistema de saúde. Veja, abaixo, outras observações do representante da Opas sobre a atual epidemia.

UOL: Agora que há casos confirmados da doença no Brasil, é preciso adotar alguma medida de prevenção especial, como o uso de máscaras?
Jarbas Barbosa: As medidas mais eficientes para evitar a transmissão da doença são lavar as mãos continuamente e proteger a tosse e o espirro, se possível com lenço de papel descartável, e lembrando-se de lavar as mãos em seguida. Como em qualquer caso de gripe, é recomendável que pessoas doentes evitem aglomerações. E é importante que as pessoas não se automediquem, pois isso pode gerar resistência às drogas.

UOL: Com os dados atuais, é possível saber qual a letalidade da doença?
Barbosa: Ainda é cedo para dizer. Sabemos que a maior parte dos casos é leve, mas precisamos de estudos mais profundos. Existe a hipótese de que as pessoas que morreram no México tenham procurado assitência tardiamente. As duas mortes registradas nos EUA são de pessoas (uma mulher e uma criança) que tinham doenças pré-existentes graves. Além disso, tudo indica que os casos registrados nesses dois países estejam subestimados. Certamente há muito mais gente contaminada, que nem chega a ir ao médico porque os sintomas não são graves. Então a letalidade pode ser menor do que aparenta.

UOL: Ainda há risco de uma pandemia?
Barbosa: Consideramos que existe transmissão sustentada da doença quando há pessoas infectadas na comunidade e já não é possível mais identificar a origem do contágio. Até agora, isso só está acontecendo no México e nos EUA. Para entrar na fase 6, teria que haver transmissão sustentada em algum país de outro continente. Mas é preciso lembrar que o termo 'pandemia' refere-se apenas à expansão geográfica de uma enfermidade, e não ao perigo que ela representa à saúde.

UOL: Pacientes com a doença devem ser mantidos no hospital?
Barbosa: A internação só é necessária quando o quadro clínico justificar. Nos EUA, aproximadamente 3% a 5% dos casos, apenas, exigem hospitalização.

UOL: Teremos uma vacina contra esta gripe suína
Barbosa: O CDC (Centro de Diagnóstico e Controle de Doenças), aqui nos EUA, já começou a desenvolver o que chamamos de 'lotes-sementes', que devem estar prontos no fim de maio. Mas uma vacina demora de quatro a seis meses para ficar pronta. De qualquer forma, a OMS fará uma reunião técnica no próximo dia 14 para definir sobre a questão, pois, para produzir essa vacina, pode ser necessário suspender a da influenza sazonal. E isso é complicado: só nos EUA houve 36 mil mortes em decorrência da doença no ano passado. Aliás, isso é algo a ser ressaltado: as pessoas não podem se descuidar da imunização contra a gripe comum. Com a gripe suína e o inverno chegando na América do Sul, existe o risco de uma sobrecarga nos sistemas de saúde.

UOL: Existe o risco de mutação do novo vírus?
Barbosa: Isso é imprevisível. O vírus pode continuar como está, pode se tornar mais agressivo ou mesmo mais leve. Por isso as vigilâncias epidemiológicas devem ser atuantes para identificar com rapidez uma possível modificação de comportamento do vírus.

UOL: Certos países adotaram medidas mais rigorosas de controle, como a China, que manteve passageiros em quarentena. Essa postura é adequada?
Barbosa: Todos os países conhecem os padrões da OMS para casos de epidemia, especialmente desde 2004. Medidas como quarentenas forçadas, como foi o caso dos passageiros em Hong Kong, são contraindicadas. Assim como não se deve lançar mão do fechamento de fronteiras. Se você parar o mundo, o prejuízo vai ser muito maior para as pessoas.

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