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China está perto de epidemia de doenças cardiovasculares, diz estudo

Funcionária da loja KFC (Kentucky Fried Chicken) dá as boas-vindas a consumidor em unidade drive-thru de Pequim, na China. O consumo ampliado de fast food é apontado como uma das causas no aumento de doenças cardiovasculares no país - Wilson Chu/Reuters
Funcionária da loja KFC (Kentucky Fried Chicken) dá as boas-vindas a consumidor em unidade drive-thru de Pequim, na China. O consumo ampliado de fast food é apontado como uma das causas no aumento de doenças cardiovasculares no país Imagem: Wilson Chu/Reuters

Em Miami

09/03/2015 19h26

Má alimentação, tabagismo e obesidade: estes fatores podem estar na origem de uma possível epidemia de doenças coronarianas na China, onde três em cada quatro pessoas sofrem de condições cardiovasculares precárias - é o que diz um estudo publicado nesta segunda-feira (9).

As descobertas, publicadas no Journal of the American College of Cardiology, se baseiam em dados de 96.000 homens e mulheres da população média da China.

As condições de saúde foram classificadas em 'ideal', 'intermediária' ou 'precária' de acordo com sete comportamentos e fatores de estilo de vida estabelecidos pela Associação Norte-americana do Coração (American Heart Association, em inglês): tabagismo, índice de massa corporal, atividade física, dieta, colesterol, pressão arterial e glicose.

Apenas 0,2% dos homens e mulheres do país mais populoso do mundo apresentou condições cardiovasculares de saúde "ideais", segundo o estudo.

Apenas 5% dos homens e 22% das mulheres alcançaram condições "ideais" em quatro fatores de saúde: índice de massa corporal, prática de atividade física, dieta saudável e não fumar.

Doenças cardiovasculares são as principais causas de morte na China, e a incidência de diabetes no país mais que dobrou na última década.

"Sem uma intervenção efetiva, as doenças cardiovasculares vão se tornar epidêmicas num futuro próximo na China", mostrou o estudo liderado por Yufang Bi e o co-autor Guang Ning, da escola de medicina da Universidade Jiao-Tong, em Xangai, China.

"Dos sete indicadores observados, aderir a uma dieta saudável era o menos comum entre todas as estatísticas médicas cardiovasculares, chegando a 1,6% entre homens e mulheres", disse o estudo.

Os médicos pediram ao governo da China que adote um plano nacional de combate às doenças cardiovasculares para ajudar a melhorar a saúde de seus cidadãos.

"Embora a China seja muito avançada no campo tecnológico, o país enfrenta um fardo terrível com as doenças cardiovasculares, como fica demonstrado neste e em outros estudos", disse Valentin Fuster, editor-chefe do Journal of the American College of Cardiology.

"O país se beneficiaria de uma abordagem estratégica em nível nacional, focada em atenuar cada um dos fatores de risco, ao lado de esforços educacionais regionais e individuais", acrescentou.