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Sexo precoce e à força faz uma adolescente com HIV a cada 3 minutos

Em Taipei, capital de Taiwan, mulheres usam brincos com o símbolo do Dia Mundial de Combate a Aids - Mandy Cheng/AFP
Em Taipei, capital de Taiwan, mulheres usam brincos com o símbolo do Dia Mundial de Combate a Aids Imagem: Mandy Cheng/AFP

25/07/2018 11h28

Uma adolescente de 15 a 19 anos é infectada a cada três minutos com o HIV, informou a Unicef nesta quarta-feira (25), alertando para uma crise de saúde pública esquecida. As meninas são vítimas de dois terços das infecções em todo o mundo nesta faixa etária, de acordo com dados apresentados na 22ª Conferência Internacional da Aids em Amsterdã.

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"Na maioria dos países, mulheres e meninas não têm acesso às informações e serviços necessários, nem têm a oportunidade de recusar sexo desprotegido", declarou em um comunicado a diretora-geral da Unicef, Henrietta Fore.

"O HIV está se espalhando rapidamente entre os mais vulneráveis e marginalizados, colocando as meninas adolescentes no centro da crise", acrescentou. Em 2017, 130 mil mortes de pessoas com menos de 20 anos estavam ligadas à aids e 430 mil novas infecções por HIV ocorreram nessa faixa etária.

Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o número de mortes está estagnado, enquanto em outras faixas etárias vem caindo desde 2010.

A Unicef denuncia em um relatório "relações sexuais precoces, inclusive com homens mais velhos, relações forçadas, a relação de força que não permite dizer não, a pobreza e falta de acesso aos serviços de aconselhamento e exames".

"Sabemos que isso está ligado ao status de inferioridade conferido às mulheres e meninas em todo o mundo", declarou a atriz sul-africana Charlize Theron aos delegados da conferência.

"Enquanto não alcançarmos os jovens e impedirmos a epidemia em casa (...), não atingiremos nossos objetivos", afirmou o diretor de operações da Unitaid (organização internacional de ajuda em medicamentos), Robert Matiru, entrevistado pela AFP.

De acordo com a Sociedade Internacional sobre a Aids (IAS), quatro em cada dez adolescentes africanas já sofreram violência física ou sexual de um homem. Esta ONG denuncia a ausência de uma política de prevenção contra essas violências ou de proteção para a juventude em muitos países.

Ela também trabalha para educar adolescentes. "Os jovens cresceram, são incrivelmente móveis, se movimentam, esqueceram que o HIV é um risco e não podemos deixar de passar esta mensagem", declarou à AFP sua presidente Linda-Gail Bekker.