Conheça 9 maneiras de se proteger contra o zika vírus

  • Ernesto Benavides/AFP

A epidemia de zika já atingiu pelo menos 20 Estados brasileiros e tem se espalhado pela América Latina de maneira rápida e alarmante. O vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, está sendo relacionado aos cerca de 3,4 mil casos suspeitos de microcefalia sendo investigados no Brasil (no momento, 270 casos foram confirmados) e, por isso, o governo federal anunciou até uma força tarefa para combater o mosquito envolvendo uma megaoperação do Exército.

"É uma pandemia em andamento", disse Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

Não há vacinas ainda para prevenir o zika, mas é possível fazer algumas coisas para "fugir" do vírus.

As duas principais formas de prevenção ao zika - e às outras doenças causadas pelo Aedes aegypti, como dengue e chikungunya - são acabar com os focos do mosquito (locais de água parada) e usar repelente para evitar a picada.

A seguir, dicas de como se prevenir da doença:

1) Elimine todos os focos de água parada

As autoridades brasileiras têm afirmado que a principal forma de combater o zika é acabar com o mosquito que transmite o vírus. Para fazer isso, é necessário eliminar todos os possíveis focos de reprodução do Aedes aegypti.

O mosquito precisa da água parada para colocar seus ovos, então qualquer lugar que possa acumular o mínimo de água pode virar um foco da doença.

Isso inclui vasos de plantas, que às vezes ficam com água acumulada no prato, potes de água de animais domésticos, garrafas - elas devem sempre ser mantidas para baixo, assim como baldes -, e até poças de água da chuva no quintal ou na calçada. Privadas sem tampa também podem ajudar a proliferar o mosquito - é sempre preferível deixá-las com a tampa abaixada.

Os ovos do Aedes aegypti podem ficar até um ano em local seco apenas à espera de um pouco de água para que as larvas possam sair e virar mosquitos. Por isso, é preciso cuidado para não deixar a água acumular em nenhum lugar da casa.

É recomendável também limpar calhas várias vezes por semana e cobrir os reservatórios de água e piscinas, a não ser que eles sejam devidamente clorados (o cloro impede a reprodução dos mosquitos).

2) Use repelente

Para evitar ser picado pelo mosquito, a melhor estratégia é passar repelente em todas as partes expostas do corpo.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda a utilização de repelentes à base de n,n-Dietil-meta-toluamida (DEET) ou icaridina.

A orientação é que se aplique o repelente regularmente, seguindo as instruções na própria embalagem. Caso se utilize também o filtro solar, é importante passar o repelente depois porque o protetor pode "mascarar" seus efeitos.

Mulheres grávidas também podem utilizar o repelente - mas é sempre bom conversar com o médico para ver qual seria o mais adequado. Por conta do risco de microcefalia, é importante que as grávidas em especial façam muito uso do repelente para evitar a picada do mosquito.

3) Use roupas compridas

A orientação dos especialistas - principalmente para mulheres grávidas - é que utilizem roupas que deixem poucas partes do corpo expostas ao mosquito. Calças, blusas de manga comprida e roupas grossas para evitar que ao picada por cima delas - o que pode ser um desafio em meio ao verão de altas temperaturas no Brasil.

Há também algumas roupas especiais que contêm permetrina, um inseticida sintético incorporado ao tecido, mas isso só está disponível para comprar em alguns países.

4) Casa "à prova de mosquito"

Sempre que possível, especialistas recomendam dormir atrás de "barreiras físicas", como portas fechadas, janelas vedadas e telas de mosquito.

Durante a noite, um mosquiteiro pode oferecer uma proteção extra. Mas é bom lembrar que o Aedes aegypti costuma agir mais durante o dia, então o cuidado deve ser permanente.

Há também os sistemas de repelentes ligados na tomada e de nebulização de mosquito, com bicos que borrifam inseticida - que são amplamente utilizados apesar de serem polêmicos, já que podem afetar abelhas, borboletas e outros insetos.

5) Lixo

O lixo doméstico também pode se tornar um terreno fértil para os mosquitos - porque é fácil acumular água nele.

Especialistas alertam para que pessoas em áreas de risco tomem precauções extras ao manusear o lixo. É importante mantê-lo em sacos plásticos sempre fechados.

Pneus velhos e materiais de construção devem ser removidos de quintais - eles são um foco muito comum das larvas do mosquito.

6) Fumacê

A técnica do "fumacê" tem sido bastante utilizada em algumas das regiões mais afetadas do país. Ela consiste em levar caminhonetes com "mangueirões" que soltam jatos de inseticidas em casas ou edifícios para matar os mosquitos adultos.

Essa é uma das medidas de emergência que estão sendo consideradas para acabar com o mosquito nos locais de competições olímpicas no Rio de Janeiro.

7) Estratégias de controle do mosquito

Uma das estratégias adotadas para controlar a proliferação do Aedes aegypti foi desenvolver um mosquito macho geneticamente modificado com a proteína TTA.

A transmissão da dengue, da zika e da chikungunya é feita pela fêmea. E os mosquitos que nascerem dos cruzamentos com esses transgênicos irão morrer antes de chegar à vida adulta.

Jacobina, no interior na Bahia, chegou a utilizar essa estratégia e conseguiu reduzir as ocorrências de dengue em 90%. Piracicaba (SP) adotou a mesma medida no ano passado.

Outros tentaram soluções mais inesperadas, como fez a cidade de Itapetim, em Pernambuco. Eles criaram um "exército natural" de peixes de pequeno porte de água doce e colocá-lo em caixas d'água e cisternas que abrigam larvas do mosquito. O peixe come os ovos e os impede de se desenvolver.

8) Evitar viagens

Para os que vivem fora das áreas mais afetadas, é aconselhável evitar ir para regiões com maior incidência do mosquito e da doença - Pernambuco, Paraíba e Bahia são os Estados brasileiros mais afetados por enquanto, com mais casos de microcefalia reportados.

Alguns governos chegaram até a recomendar que a população não viaje para os países que estão sofrendo mais com o problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, a CDC pediu às mulheres grávidas que evitem viajar para a América Latina e para o Caribe por enquanto.

"Até que se saiba mais a respeito da doença, mulheres grávidas devem considerar adiar viagens para quaisquer áreas onde a transmissão do zika vírus está endêmica", afirmou um dos representantes do CDC.

A Organização Mundial da Saúde, porém, não adotou a mesma recomendação. "Baseado em evidências concretas, a OMS não está recomendando nenhuma restrição de viagem ou de negócios relacionada ao zika vírus. Como medida de precaução, alguns governos podem fazer recomendações de saúde pública para a população local baseados em suas avaliações próprias."

9) Impedir a propagação

Se uma pessoa está infectada, precauções extras deveriam ser tomadas para evitar a propagação ainda maior da doença para outras pessoas. Isso porque o vírus fica no sangue e pode ser passado para os outros por meio de picadas.

Sendo assim, mesmo que a pessoa já tenha tido a confirmação de que está com zika, ela deve seguir passando repelente principalmente na primeira semana e tomar os devidos cuidados para evitar outras picadas - que poderão contaminar outras pessoas por intermédio do mosquito picador.

Além disso, apesar de não haver nenhuma confirmação oficial de que há risco de transmissão sexual do zika (e de isso estar sendo estudado), alguns especialistas recomendam o uso de camisinha pelo menos por duas semanas durante a recuperação da doença.

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