Rio 2016 monitora alerta global da OMS, mas minimiza riscos de zika durante Olimpíada

Jefferson Puff - @_jeffersonpuff

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

O Comitê Rio 2016 monitora e acompanha o alerta da OMS (Organização Mundial da Saúde) - que classificou de emergência mundial a microcefalia ligada ao zika vírus - e promete colaborar com os esforços das autoridades locais para conter o problema. Mas o órgão minimiza riscos para atletas e turistas e diz que a Olimpíada não deve ser afetada.

O principal argumento é o fato de os Jogos ocorrerem nos meses de agosto e setembro, mais frios, quando a incidência do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya, tende a ser menor.

As informações foram divulgadas durante coletiva de imprensa nesta terça-feira no Rio de Janeiro, a pouco mais de seis meses para o início dos Jogos.

Questionado se em algum momento os organizadores podem vir a alertar os turistas para que não venham aos Jogos, o médico-chefe do Comitê Rio 2016, João Granjeiro, limitou-se a dizer que a entidade acompanha a OMS.

"O Comitê segue absolutamente as orientações da OMS. Eles fizeram um comunicado ontem (segunda-feira), bem claro, dizendo que, apesar da emergência, não desaconselham os turistas a virem para o Brasil", afirma o médico-chefe.

Granjeiro também descartou alertar os atletas e disse que "muito provavelmente" eles não estarão em risco.

Tanto nas apresentações quanto nas respostas à imprensa, o chefe da equipe médica e o diretor de comunicações do Comitê, Mario Andrada, ressaltaram medidas já em curso e descartaram riscos aos Jogos com base na temperatura.

Andrada disse que não foram recebidos pedidos de devolução de ingressos e que os organizadores contam com o apoio das autoridades locais para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, chikungunya e zika.

Questionado sobre o potencial risco de que a grande aglomeração de turistas brasileiros e estrangeiros possa contribuir para um espalhamento da epidemia ainda maior, Granjeiro voltou a citar o inverno.

"A série histórica de 20 anos da Secretaria Estadual de Saúde mostra que os vetores caem muito, e com isso também a transmissão, então a gente não vê isso como um risco importante. A gente não pode afirmar que não vai haver, mas vemos isso como um risco minimizado", diz.

Recomendações, Barra e orçamento

Sobre conselhos para atletas mulheres, ele diz que historicamente as atletas não costumam vir aos Jogos grávidas, mas se isso acontecer os organizadores buscarão descobrir quem elas são, para monitorá-las de perto.

"Quanto aos atletas em geral, estamos orientando que eles venham aos Jogos e que muito provavelmente eles não estarão em risco durante a Olimpíada", acrescentou o médico.

Ele ressaltou medidas de combate ao mosquito que já estão em curso, como inspeções nas instalações olímpicas, executadas pelos governos do Estado e do município do Rio de Janeiro, e disse que no futuro será avaliada a necessidade de fazer recomendações aos atletas, como roupas compridas e uso de repelentes.

Diante dos questionamentos da imprensa sobre a possibilidade de alterações no padrão de temperatura esperado para os meses de agosto e setembro, Granjeiro disse que "as informações que estamos utilizando como base nos foram passadas pelas autoridades de saúde, mas não vamos apostar somente na queda drástica dos vetores. Embora saibamos que mesmo com veranicos a quantidade do mosquito cai, teremos o uso de repelentes e o monitoramento constante dos criadouros, notificação de casos e o estado permanente de vigilância epidemiológica".

Sobre as áreas da Barra da Tijuca onde o Parque Olímpico e a Vila dos Atletas estão localizados, próximas a regiões alagadas e com muitos mosquitos, as autoridades estaduais presentes disseram se tratar de outra espécie de mosquito.

Para o secretário estadual de Saúde, Daniel Soranz, não há riscos, porque o mosquito na Barra é da espécie Culex, nome científico do pernilongo.

"Em relação à Barra, é uma área que tem uma predominância de outro tipo de mosquito, o Culex, e não o Aedes aegypti, e junto com o Comitê Rio 2016 estamos fazendo uma série de medidas de monitoramento e inspeção", diz.

Questionado sobre recursos financeiros para colaborar com o combate ao mosquito e as inspeções em todas as instalações olímpicas, Mario Andrada, diretor de comunicação do Rio 2016, descartou problemas, apesar dos seguidos cortes de gastos da organização, que reduziu o número de voluntários de 70 mil para 50 mil e tem diminuído os padrões de gastos em uma série de frentes diferentes, como transporte, alimentação e logística.

"Nós trabalhamos em parceria com três níveis de governo, além do Comitê Olímpico Internacional e da Organização Mundial da Saúde. Nós continuamos com um orçamento equilibrado, e o fato de termos que equilibrá-lo não impacta em nada esse trabalho", disse.

A seis meses dos Jogos, dos 5 milhões de ingressos disponíveis para o público brasileiro, o Comitê Rio 2016 diz ter vendido 2,75 milhões. Já com relação aos 2 milhões de ingressos colocados à venda para o público internacional, não há estimativa exata de quantos já foram comprados.

Quanto aos ingressos dos Jogos Paralímpicos, dos 3 milhões disponíveis, apenas 330 mil já foram vendidos. Segundo a organização, quatro frentes formam o orçamento de R$ 7,4 bilhões, sem dinheiro público (venda de ingressos, patrocínio, direitos de transmissão e vendas de produtos licenciados).

O Comitê também aguarda mais inscrições de voluntários para as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

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