O choro do apresentador de TV americano Jimmy Kimmel pela doença do filho recém-nascido

  • Arquivo pessoal

"Nenhum pai deveria ter que decidir se consegue bancar o custo de salvar a vida de sua criança."

Com voz embargada e lágrimas nos olhos, o apresentador de TV americano Jimmy Kimmel deixou de lado o tom cômico habitual ao contar, em programa na noite de segunda-feira, como seu filho recém-nascido se salvou da morte após ser diagnosticado com um defeito cardíaco.

Ao final do relato, Kimmel esquentou o debate político nos EUA ao fazer uma defesa do Obamacare, o sistema de ampliação do acesso à saúde criado na gestão Barack Obama (2009-2016).

Uma das principais promessas de campanha do presidente Donald Trump foi a revogação e substituição do Obamacare. Trump questiona os custos da iniciativa, que classifica como "desastre", e promete novo sistema com ênfase na liberdade individual e regras de mercado.

O programa da administração democrata elevou em 20 milhões o número de segurados, por meio de medidas como obrigar que todos os cidadãos acima da linha de pobreza contratassem um plano básico de saúde. Também direcionou verbas federais aos Estados para ampliação do Medicaid, sistema público destinado aos mais pobres.

Em março, a gestão Trump sofreu sua maior derrota política até o momento ao retirar da Câmara, por falta de votos, o projeto para substituir o Obamacare. Os republicanos, contudo, dizem que continuarão a tentar alterar o sistema.

Kimmel, que também foi anfitrião da cerimônia do Oscar deste ano, disse ao público presente em seu programa que seu filho começou a ficar roxo três horas após um parto normal.

Uma enfermeira verificou que havia algo errado e levou a criança para fazer exames. Logo detectou-se uma doença cardíaca. A situação parecia séria. "Tivemos até ateus rezando por nós", brincou Kimmel enquanto seguia o relato.

De acordo com o apresentador, o bebê sofre de tetralogia de Fallot, um defeito cardíaco congênito que acarreta mistura de sangue arterial oxigenado com sangue venoso. Teve que ser operado aos três dias de vida.

"Foram as três horas mais longas da minha vida", afirmou Kimmel, em referência à duração da cirurgia. A criança deverá passar por outras duas operações, uma nos próximos seis meses e outra na pré-adolescência.

Condição

"Em 2014, se alguém nascia com cardiopatias congênitas como ocorreu com meu filho, havia uma boa chance de não conseguir plano de saúde porque ela já tinha uma doença pré-existente", afirmou Kimmel.

"Se seus pais não tinham plano de saúde, é possível que nem sequer (a criança) vivesse o suficiente para ser rejeitada (no tratamento pelo plano de saúde."

E continuou: "Se seu bebê vai morrer e não tem que ser assim, não deve importar quanto dinheiro você ganha".

"Acho que isso é algo em que estamos todos de acordo, sejamos republicanos, democratas ou outra coisa, certo?", questionou.

"Isso não é futebol, não há times, somos todos um time, e nenhum pai deveria ter que decidir se consegue bancar o custo de salvar a vida de sua criança, isso não deveria ocorrer, não aqui."

O vídeo com a reprodução da mensagem, publicado no canal do programa de Kimmel no YouTube, já havia superado dois milhões de visualizações na terça-feira.

Obamacare

O Obamacare, embora tenha proporcionado cobertura de saúde a milhões de americanos que não contavam com esse recurso, foi abalado pelo aumento no valor dos prêmios cobrados pelas seguradoras.

Os prêmios são os valores que os segurados têm que desembolsar para garantir pagamentos de indenizações previstas em contrato.

A regra que obriga a contratação de plano também sofre oposição de americanos que preferem pagar a multa prevista em lei do que adquirir os seguros.

Quem defende o sistema costuma citar a regra que proíbe as seguradoras de negar cobertura a pessoas com problemas anteriores, e a permissão a jovens de até 26 anos de continuar como dependentes dos pais. O Obamacare também não fez explodir gastos governamentais como previam republicanos.

Pelo Twitter, o ex-presidente Obama repercutiu a mensagem emocionada de Kimmel e disse que "foi exatamente por isso" que sua gestão insistiu na reforma.

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