Governo diz que anúncio da OMS pode afetar o turismo

Tânia Monteiro, Isadora Perón e Carla Araújo

Em Brasília

  • Alan Marques/Folhapress

    "Quero todos envolvidos, todos os dias", disse Dilma na reunião com os ministros

    "Quero todos envolvidos, todos os dias", disse Dilma na reunião com os ministros

Pouco tempo depois do anúncio oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), a presidente Dilma Rousseff reuniu ministros em Brasília para discutir a situação. O governo admite que o anúncio de emergência internacional pode afetar o turismo, ainda que a curto prazo. Dilma deve vir a público, em cadeia de rádio e TV, para defender o governo e pedir mobilização nacional.

Após a reunião, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, negou que haja risco de a Olimpíada do Rio, marcada para agosto, ser cancelada. Mas reconheceu que poderá haver uma retração de público a curto prazo, além de recomendações para que as grávidas não se arrisquem. "Em um primeiro momento, todo mundo se assombra, se recolhe. Mas, até lá, esclarecimentos de órgãos como a OMS e as mobilizações terão surtido efeito", acrescentou. Ele ressaltou que as ações estão sendo feitas não por causa dos Jogos Olímpicos. "Mas por uma questão grave de saúde."

Pronunciamento

"Quero todos envolvidos, todos os dias", avisou Dilma na reunião. Para reforçar essa ideia, ela decidiu gravar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV para pedir a mobilização de toda a sociedade contra o mosquito - o que tem evitado desde os "panelaços" de 2015. Em sua fala, deve também apresentar diversas ações, para mostrar que o governo "não está parado".

Dilma não decidiu se o seu pronunciamento vai ao ar nesta terça-feira, 2, ou na quarta, 3. No Planalto, as avaliações são de que a fala, gravada no Palácio do Alvorada, teria de ir ao ar de imediato. A presidente tem dito aos seus auxiliares diretos que está "agoniada" porque várias das ações que têm determinado demoram a sair do papel.

Na sexta, a presidente esteve na sala de acompanhamento de ações da microcefalia, onde conversou com governadores, pedindo ajuda para o combate ao mosquito Aedes aegypti. A maior dificuldade do governo, segundo queixas no Planalto, é de que muitas das ações dependem dos Estados e municípios que, em muitos casos, têm demorado a responder ao surto.

Na mesma linha, Jaques Wagner, negou que tenha havido negligência do governo nos últimos anos no combate ao inseto. "Não acho que dê para falar em negligência, mas em dificuldades. É uma guerra difícil, uma briga contra um inimigo quase invisível", afirmou.

O ministro negou também que o pronunciamento de Dilma Rousseff tenha sido idealizado pela proximidade com o carnaval, mas disse que ela pode até citar o feriado ao pedir mais atenção de brasileiros e turistas. Wagner aproveitou para fazer um apelo aos artistas. "Espero que deem uma mensagem de alerta contra o mosquito no carnaval", disse, ressaltando que estava pensando na "voz" que os músicos têm nos trios elétricos.

Para ele, "a única forma de lutar contra o mosquito é contaminar a consciência de todos". Ao defender as ações desenvolvidas pelo governo, para combate ao mosquito, o ministro lembrou que a primeira notificação da doença foi em 22 de outubro e, em 11 de novembro, já havia sido decretado estado de emergência no País por causa da doença. Na opinião dele, houve movimentação de todas as partes. "Desconheço algum governador ou prefeito que não tenha feito campanha, que tenha negligenciado", declarou.

Ministro da Saúde

Jaques Wagner ainda negou que a ausência do ministro da Saúde, Marcelo Castro, naquela entrevista, seja porque ele está desprestigiado pelo governo por causa das suas polêmicas falas. "Não há nenhum balanço nem corda bamba para o ministro da Saúde", disse Wagner, ao afirmar que ele saiu porque tinha a gravação de um programa em São Paulo. A mesa onde Wagner deu entrevista, porém, tinha o nome de Castro. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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