Cirurgiões se emocionaram ao ver menina ucraniana mastigar bolo pela 1ª vez

São Paulo - Os cirurgiões bucomaxilofaciais Sérgio Monteiro Lima e Fernanda Boos Lima, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ficam emocionados ao falar da implantação de mandíbula numa menina de 7 anos de idade em Kiev, na Ucrânia. Eles não são rotarianos, mas aceitaram o desafio, quando o coordenador Saulo Borges os convidou, em Belo Horizonte, para se juntar à equipe do projeto Smile Ukraine, sem nenhuma remuneração.

Casados há três anos, Sérgio e Fernanda acharam que estava na hora de retribuir a pessoas necessitadas, mesmo que não fossem brasileiras, o que receberam para sua formação - colégio, faculdade e bolsas de estudo na Alemanha e na Suíça, no caso de Sérgio. Depois de ter feito a cirurgia na menina ucraniana, o casal vem acompanhando o pós-operatório por meio de relatórios enviados por colegas de Kiev.

"Os ucranianos se mostram muito interessados em absorver e aplicar nossa tecnologia, porque dispõem de poucos recursos e ainda precisam evoluir bastante na área", disse Fernanda. A menina Lilya, operada pela dupla brasileira, recebeu anteriormente uma mandíbula de acrílico em Moscou, mas o tratamento não deu certo. O dentista Paulo Hemerson de Moraes (que desenhou a mandíbula pelo computador) e o implantodontista Theo Peres Colferal (que fabricou a peça banhada de titânio) acompanharam a cirurgia.

Dois dias após a operação, Fernanda filmou Lilya comendo com colher um bolo napoleão, aparentemente sem esforço. Ela chorou na hora e mal segura as lágrimas toda vez que projeta a cena para amigos e colegas de profissão. "Lilya nunca havia mastigado nada antes, foi uma maravilha", disse Fernanda. A mãe da menina, que só fala ucraniano e russo, improvisou um "thank you" para agradecer o que lhe parecia um milagre. Até aí, ninguém lhe havia dado a menor esperança.

No Brasil

A incidência de fissura labiopalatal é mais ou menos a mesma no Brasil e na Ucrânia - 1/600 de nascidos vivos. Sexta-feira, Sérgio e Fernanda relataram sua experiência para uma plateia de especialistas em cirurgia, em um seminário em São Paulo.

E o trabalho da equipe brasileira já despertou interesse na Europa. Uma equipe de cirurgiões-dentistas rotarianos franceses foi a Kiev para conhecer o projeto e ver se ele pode ser aplicado em outros países.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

José Maria Mayrink

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