Projeto reconstrói faces e vidas na Ucrânia

São Paulo - Uma equipe de cirurgiões-dentistas e médicos brasileiros executa em Kiev, na Ucrânia, sob patrocínio do Rotary International, um projeto pioneiro de alta tecnologia para tratamento de fissura labiopalatal e deformidades craniofaciais.

Iniciado em agosto de 2013 na Crimeia, antes da invasão russa, em janeiro de 2014, o projeto já fez mais de 200 cirurgias, entre elas a implantação em uma criança de 7 anos de uma mandíbula de titânio fabricada em Itapira (SP), a primeira do mundo totalmente customizada (adaptada ao paciente).

Coordenado pelo ortodontista Saulo Borges, do Rotary Club de Arcos (MG), o projeto Smile Ukraine treina profissionais ucranianos, que têm participado das cirurgias em Kiev sob orientação dos brasileiros. Em julho, sete professores da Universidade Médica Nacional Bogomolets, de Kiev, virão ao Brasil para cursos e treinamento em Belo Horizonte, Lavras, Bauru, São Paulo e Curitiba.

A proximidade de Kiev, cerca de 120 quilômetros, de Chernobyl levanta a hipótese de que a radiação causada pela explosão da usina nuclear nessa cidade, em 26 de abril de 1986, tenha contribuído para aumentar a incidência de fissuras na região. "Eu não havia pensado nessa possibilidade, mas faz sentido e é preciso pesquisar", disse o médico Eudes Soares de Sá Nóbrega, cirurgião plástico chefe do Setor de Cirurgia Plástica do Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais de Bauru (Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP).

O coordenador do projeto, Saulo Borges, disse que a fissura tem causas genéticas e ambientais - entre elas a exposição a raio X, o que reforça a necessidade de estudos de Chernobyl.

O cirurgião Eudes Nóbrega ressalta também a contribuição da desnutrição para a ocorrência de fissuras e deformidades craniofaciais. "A região de Kiev sofreu muita fome na época do comunismo."

Além de Eudes Nóbrega, participam do projeto Sérgio Monteiro Lima Jr. e Fernanda Boos Lima, de Belo Horizonte; Paulo Hemerson de Moraes, residente no Porto, em Portugal; Terumi Okada Ozawa e Gisele da Silva Darben, de Bauru, e Théo Peres Colferal, de São Paulo. Pós-graduando no Departamento de Patologia Oral da Faculdade de Odontologia da USP, onde pesquisa superfície de implante, Théo Colferal é proprietário da Bioconect, fábrica de próteses médicas e dentárias em Itapira, na região de Campinas.

"O doutor Paulo desenha a prótese e o doutor Théo fabrica", informa o coordenador do projeto. A dupla já confeccionou a mandíbula implantada na menina de Kiev e se prepara para atender outras três encomendas, que ainda dependem de financiamento. Uma indústria parceira alemã faz a impressão 3D de camadas de titânio na peça desenhada no Brasil. Depois de finalizada em Itapira, é levada para a Ucrânia.

Os pacientes nada pagam pelo tratamento e cirurgias. O médico Eudes Nóbrega fez, de graça, uma cirurgia de nariz em Kiev. Todos os profissionais são voluntários. Para as despesas de transporte e hospedagem, o projeto recebe apoio de cinco distritos do Rotary e de associações em Minas, Rio, São Paulo e Ucrânia.

Beneficiados

A escolha do Hospital Infantil da Crimeia e, posteriormente, do Hospital Infantil em Kiev, foi feita após levantamento liderado por Saulo Borges. O projeto, que na Crimeia beneficiava cerca de 30 crianças por ano, passou a atender aproximadamente 500, que são operadas em Kiev.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

José Maria Mayrink

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