Instituto recomenda que combate ao mosquito tigre asiático seja intensificado

Lígia Formenti

Em Brasília

  • Alan Martínez/Xinhua

    Ilustração do mosquito fêmea Aedes albopictus, que está presente em cerca de 1.400 municípios brasileiros, sobretudo em áreas rurais

    Ilustração do mosquito fêmea Aedes albopictus, que está presente em cerca de 1.400 municípios brasileiros, sobretudo em áreas rurais

O diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, classificou nesta sexta-feira (16) como "preocupante" a identificação do vírus da febre amarela no Aedes albopictus, mosquito conhecido como 'tigre asiático' que vive em área rurais e silvestres.

Embora estudos sejam necessários para verificar se a espécie é também transmissora da doença, Vasconcelos defendeu ações de controle para reduzir as populações do mosquito, numa estratégia preventiva. "A descoberta é preocupante, mas não desesperadora. O que se precisa é fazer um controle vetorial mais rígido nas áreas urbanas e periféricas dos Estados onde eles estão presentes", disse Vasconcelos.

A estimativa é de que o mosquito esteja presente em 1.400 cidades, em todas as regiões do País. O vírus da febre amarela foi encontrado em exemplares de tigres asiáticos coletados no primeiro semestre do ano passado, nas cidades mineiras de Itueta e Alvarenga. Os estudos que identificaram a presença do vírus foram concluídos no mês passado.

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Vasconcelos alertou, no entanto, que o achado, sozinho, não permite afirmar que o mosquito transmite a febre amarela para humanos por meio da picada. "Vários mosquitos são encontrados na floresta infectados pelo vírus da febre amarela, mas somente alguns, como o Sabethes ou Haemagogus são transmissores da forma silvestre" disse.

Hoje há no Brasil duas possíveis formas de transmissão da febre amarela. A silvestre (provocada pelos mosquitos Sabethes e Haemagogus), e a urbana, causada pela picada do Aedes aegypti. No Brasil, no entanto, a forma urbana da doença não é identificada desde 1942.

Se for comprovada a hipótese de que o Aedes albopictus também é vetor de febre amarela, há um risco de o País passar a ter um novo ciclo de transmissão da febre amarela, o rural, hoje existente apenas na África. "Para impedir que ele venha participar desse ciclo de transmissão, é importante fazer o combate ao vetor", disse. O combate é semelhante ao que é realizado para o Aedes aegypti, completou.

A suspeita de que o Aedes albopictus poderia transmitir febre amarela não é nova. Vasconcelos informou que estudos laboratoriais realizados no Evandro Chagas e no Centro de Controle de Doenças, em Atlanta, já constataram a capacidade de o mosquito fazer a transmissão. Mas isso não basta. Para confirmar a hipótese, é preciso agora realizar novos estudos, com animais.

Equipes de pesquisadores viajam nos próximos dias para São Paulo, Rio, Minas e Bahia para coletar exemplares de mosquitos. Dois estudos serão realizados. Em um deles, será pesquisada a presença de vírus de febre amarela nos Aedes albopictus capturados na região onde hoje é grande a circulação de febre amarela. "Queremos ver se não foi um achado fortuito", justificou. Em outra frente, os exemplares coletados terão o vírus de febre amarela inoculado, em várias concentrações. Concluída essa etapa, será a vez de verificar se a picada do mosquito infectado pode transmitir a febre amarela para macacos. A expectativa é de que a pesquisa seja concluída em dois meses.

O presidente do Instituto Evandro Chagas afirma não haver no momento elementos que indiquem uma eventual relação entre o tigre asiático e a epidemia de febre amarela ocorrida no ano passado em Minas e no Espírito Santo. Para ele, no entanto, essa é uma hipótese pouco provável.

Vasconcelos afirma que não havia um número muito significativo de tigres asiáticos contaminados, na época da coleta para pesquisa. "Por isso é que precisamos fazer outros estudos de competência vetorial para saber qual a dose mínima ou máxima que o mosquito tem de receber para torná-lo capaz de transmitir a doença", disse.

Tigre asiático

O diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, afirma que o Aedes albopictus está presente em cerca de 1.400 municípios brasileiros, sobretudo em áreas rurais. Além de regiões da periferia das cidades onde matas estão presentes, o mosquito, também conhecido como tigre asiático, também e encontrado nas áreas silvestres. Aí está uma das principais diferenças com seu "primo", o Aedes aegypti que vive predominantemente na área urbana.

Se pesquisas comprovarem a capacidade vetorial do tigre asiático, o risco de ciclos de febre amarela aumentam. Vasconcelos dá alguns exemplos. O mosquito se contamina na floresta, onde a circulação do vírus é endêmica, voa para áreas próximas da periferia de cidades e ali inicia um novo ciclo de transmissão. "Daí o nome ciclo intermediário."

Além de picar homens, o Aedes albopictus também pode picar animais. "Ele é mais eclético em seu hábito de sugar sangue. O Aedes aegypti se alimenta sobretudo de sangue humano", disse. 

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