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Pesquisa comprova benefício da bengala para artrose de joelho

O correto é usar a bengala sempre do lado oposto ao do joelho afetado - Caio Esteves - 23.fev.2001/Folhapress
O correto é usar a bengala sempre do lado oposto ao do joelho afetado Imagem: Caio Esteves - 23.fev.2001/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

06/06/2012 09h55

Pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que o uso de bengala por pacientes com artrose de joelho ajuda a reduzir a dor e o consumo de anti-inflamatórios, além de melhorar a capacidade de locomoção.

A recomendação faz parte das diretrizes das principais sociedades médicas do mundo mas, embora existam relatos sobre o uso de bengala desde a antiguidade, nenhum estudo havia investigado, até então, se a prática é realmente benéfica.

Os resultados do estudo realizado com 64 pacientes foram publicados na revista Annals of the Rheumatic Diseases, uma das mais importantes da área de reumatologia.

A artrose é uma doença causada pela degeneração das cartilagens que revestem as articulações. A dor e o impacto funcional variam de acordo com a região afetada e o grau de comprometimento da cartilagem.

Segundo Jamil Natour, coordenador da pesquisa, quando atinge o joelho, a artrose pode ser muito incapacitante, pois o paciente sente muita dor e perde autonomia.

Os casos mais leves são tratados com medicamentos analgésicos e exercícios para fortalecer a musculatura do membro. Os mais graves podem exigir cirurgia para colocação de prótese.

A bengala é indicada para diminuir a sobrecarga na articulação, visto que parte do esforço vai para o membro superior. O correto é usá-la sempre do lado oposto ao do joelho afetado.

Os médicos, no entanto, preocupavam-se com o aumento no gasto de energia ao caminhar quando se usa a bengala. Natour  aponta que no caso de idosos com problemas cardíacos ou respiratórios, por exemplo, isso deve ser considerado.

Mas a pesquisa mostrou que, após um período de adaptação, o gasto de energia ao andar com e sem a bengala se equipara.

Teste de caminhada

Na pesquisa os voluntários foram divididos em dois grupos e passaram por avaliações para medir o nível de dor e a capacidade funcional. Para verificar o gasto energético, foi feito um teste de caminhada de 6 minutos com e sem auxílio de bengala. Durante o trajeto determinado, os pacientes usavam uma máscara que analisa a troca dos gases respiratórios.

Metade dos pacientes receberam uma bengala de madeira para levar para casa e foram orientados a usá-la por dois meses. A outra metade, o grupo controle, manteve o mesmo tratamento, mas não recebeu a bengala. Todos foram reavaliados após 30 e 60 dias.

Ao final, o nível de dor havia diminuído de 20% a 30% no grupo que recebeu a bengala e o consumo de medicamento para dor havia sido menor quando comparado ao do grupo controle. Também houve uma melhora de 20% na capacidade funcional no grupo que recebeu a intervenção.

Para o pesquisador, os resultados podem servir de base para a inclusão da bengala no rol de tratamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Podem ainda ajudar os médicos a convencer os pacientes a adotar o acessório. Na opinião dele, muitos resistem a usar bengala, pois sua imagem está associada à velhice e à incapacidade.

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