PUBLICIDADE
Topo

Otimistas tendem a ser mais saudáveis; já o pessimismo pode até gerar doenças

Enquanto o pessimista tende a ver e vivenciar o negativo, o otimista pode vislumbrar tudo cor-de-rosa e não perceber alguns riscos; o importante é encontrar o equilíbrio - Getty Images
Enquanto o pessimista tende a ver e vivenciar o negativo, o otimista pode vislumbrar tudo cor-de-rosa e não perceber alguns riscos; o importante é encontrar o equilíbrio Imagem: Getty Images

Rosana Faria de Freitas

Do UOL, em São Paulo

08/10/2012 18h01

É fato, no senso comum, que há pessoas otimistas e pessimistas, avaliadas assim a partir do comportamento que apresentam. As primeiras são mais positivas e esperançosas, enquanto as segundas são negativas e pautadas pelo desânimo.

“No âmbito da psicologia, tais características têm relação com a capacidade de lidar com os instintos de vida e de morte presentes na psique humana”, explica Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP).

Segundo a teoria psicanalítica, o homem carrega, dentro de sua estrutura emocional, estas duas forças – pulsões ou instintos –, havendo uma ambivalência nas dobradinhas alegria e tristeza, amor e ódio, afeto e agressividade.


"Então, na perspectiva clínica, o otimista teria maior predominância de instintos de vida e o pessimista de instintos de morte. Ambos ficam fora do campo da consciência em um primeiro momento, e são estimulados de acordo com questões culturais, sociais e familiares.”

Além dos pulsões de vida e de morte, há que se considerar outros fatores, como os fisiológicos: os níveis de hormônios que regulam o humor, por exemplo. A cultura também conta: nas sociedades muito rígidas, como a japonesa, a vida é encarada com seriedade e rigor, o que leva a um alto índice de suicídios – e nos mostra a pressão psíquica que gera comportamentos autodestrutivos.

“A questão ambiental igualmente tem sua parcela de responsabilidade, como as relações no meio familiar, principalmente as primeiras, com pai e mãe”, salienta Cristiane Pertusi.

Não há como negar: os otimistas veem o horizonte com mais leveza e, na maioria das vezes, têm mais coragem para enfrentar as dificuldades, criando e percebendo possibilidades para melhorar sua vida. “Eles acreditam mais, aprendem com os problemas e experiências ruins, tendem a levar uma vida mais saudável e, logo, ficam menos doentes”, acredita Regiane Machado, psicóloga clínica formada pela Universidade Católica de Santos.

Boas mensagens

Mas será que o otimismo, e o seu oposto, perduram pela vida afora? De uma maneira geral, sim. Indivíduos com comportamentos "para cima" acumulam experiências positivas desde a infância, assim como maior autoestima. “Muito provavelmente tiveram, no contato com pais e cuidadores, estímulos para uma postura feliz. Internamente, sua psique e seu processo cerebral estão mais habituados a produzir mensagens positivas”, observa Cristiane Pertusi.

E não é só isso: o otimista saudável apresenta mais condições de perceber o mundo e suas relações de maneira inteira e realista, sem distorcer o horizonte, assim como dispõe de um suporte maior para lidar com as vicissitudes sem se sentir derrotado.

O pessimismo, por outro lado, dependendo da dimensão, pode trazer prejuízos até físicos, causando depressão e doenças psicossomáticas ou autoimunes.

“É possível que provoque alterações bioquímicas nas células corporais. Além da baixa autoestima, a pessoa não se respeita, tem uma autoimagem distorcida, dificuldades de relacionamento e, consequentemente, uma vida social limitada e que não a satisfaz”, analisa Regiane Machado, enfatizando a necessidade de cautela em ambos os perfis se os mesmos forem extremados.

“Enquanto o pessimista tende a ver e vivenciar o negativo, o otimista pode vislumbrar tudo cor-de-rosa e não perceber alguns riscos no dia-a-dia.” Veja, a seguir, conselhos para ser um otimista equilibrado.

 

Procure pensar nas coisas que você faz bem. Valorize-as, dê a elas a importância que têm
Busque ter uma vida social – e não se feche em si mesmo
Descubra quais são seus sonhos. “E monte estratégias e metas para alcançá-los. Acredite que são passíveis de realização e parta para a ação”, incentiva a psicóloga Regiane Machado
Invista em atividades que gosta e tem habilidade para desenvolver. “Faça isso no trabalho e na vida íntima – cultivando hobbies, por exemplo”, recomenda a psicóloga Cristiane Pertusi
Converse e procure estar próximo de pessoas que incentivam você a crescer pessoal e profissionalmente. “Envolva-se com quem é otimista e, por esforço próprio, colheu bons resultados em experiências. Histórias reais servem de incentivo”, diz Machado
Não se deixe abater por algum desafio ou problema. “Se precisar, vá atrás de opiniões e ideias de amigos e familiares que podem ajudá-lo a solucionar e superar essa situação”, diz Pertusi
Caso se sinta muito impotente e descontente com sua vida, incapaz de lidar com os revezes que se apresentam, vá atrás de apoio psicológico – será ótimo fazer uma terapia. “Vale investir no autoconhecimento, que possibilita uma existência melhor e mais feliz”, diz Pertusi
Não se acomode em ver a vida em preto-e-branco. “Lute para compreender que há momentos, sim, com essas duas cores. Mas, mesmo nestes cenários, outras nuances do arco-íris estão presentes”
Pense que uma pessoa saudável compreende o entorno de maneira integral, com seus aspectos positivos e negativos, sabendo lidar com ambos sem que um se sobreponha exageradamente sobre o outro. “Nesse caminho, cultivam hábitos que trazem satisfação e prazer, fazem questão de ter uma dinâmica social ativa e estabelecem relações com maior igualdade e menos conflitos”, pondera Pertusi
Um último toque: otimismo em excesso, com euforia constante, pode estar relacionado a uma visão idealizada e até maníaca da vida. “Com isso, perde-se a noção de perigo e o indivíduo fica sem limites e muito ansioso. Com certeza, também precisa de ajuda. O ideal é ter equilíbrio, sabendo lidar com sentimentos ambivalentes e contraditórios sem que estes o façam divagar em análises distorcidas e irreais”, conclui Pertusi