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Água, água de coco e isotônicos ajudam a combater a ressaca, mas café só engana

O consumo exagerado de álcool prejudica o sistema neurológico, retardando instintos e reflexos e alterando os pensamentos e a memória, além de reduzir a sensibilidade das mãos, pernas e pés - Thinkstock
O consumo exagerado de álcool prejudica o sistema neurológico, retardando instintos e reflexos e alterando os pensamentos e a memória, além de reduzir a sensibilidade das mãos, pernas e pés Imagem: Thinkstock

Nancy Campos

Do UOL, em São Paulo

26/12/2012 07h00

Está aberta a temporada de confraternizações e comemorações de fim de ano, regada às vezes por exageradas doses etílicas. Nestas ocasiões, muita gente tem uma receita caseira “infalível”, ainda que bizarra, para prevenir ou curar a ressaca.

Acima de tudo, é preciso alertar que o consumo exagerado de álcool – seja diário ou esporadicamente em grandes quantidades – traz diversos prejuízos à saúde. “Afeta o funcionamento do fígado, reduz a sensibilidade das mãos, pernas e pés, causa irritação no estômago, provocando gastrite, vômitos e até perfurações no órgão” afirma Paula Volpe, gastrocirurgiã do Hospital 9 de Julho.

“Além disso, prejudica o sistema neurológico, retardando instintos e reflexos e alterando os pensamentos e a memória”, acrescenta. Portanto, vale lembrar sempre: beba com moderação e, se beber, não dirija.

O excesso de álcool provoca euforia na fase inicial, ao estimular o sistema nervoso central, mas depois progride para sedação e depressão deste sistema, explica Ellen Paiva, endocrinologista e nutróloga do Citen - Centro Integrado de Terapia Nutricional.  

Dependendo da intensidade da ingestão, leva ao coma alcoólico, caracterizado por intensa sonolência ou desmaios, e pode até matar por insuficiência respiratória.

A ressaca abrange efeitos gástricos, hepáticos, neurológicos e sistêmicos originados pelo excesso de álcool no organismo. O famoso “gosto de cabo de guarda-chuva” na boca geralmente se dá pelos estragos no estômago e no fígado. “Eles são agravados pela desidratação, que não é apenas a perda de água, mas também de minerais importantes como sódio e potássio”, observa Paiva.

Embriaguez

Já a queda de açúcar no sangue causada pela embriaguez priva os neurônios – já muito agredidos pelo etanol - da sua fonte de energia mais importante, a glicose. “A hipoglicemia associada à desidratação são realmente as principais causas da ressaca”, explica a médica.

Hidratar-se antes, durante e depois de beber contribui para prevenir e combater o problema, afirmam os especialistas. “Além de água pura, água de coco e isotônicos ajudam a repor a perda de minerais”, orienta Maristela Bassi, nutricionista da ADJ Diabetes Brasil. Já a glicose de frutas e doces contribui para repor o açúcar.

Alimentar-se bem antes de beber também é importante. "Com o estômago cheio, o álcool permanece no órgão por mais tempo e é processado mais lentamente, o que reduz os seus efeitos. O alimento também protege mucosa do estômago, diminuindo a acidez”, afirma o médico Paulo Giorelli, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia - Rio de Janeiro.

No entanto, quando os efeitos no dia seguinte são intensos, principalmente com vômitos, é preciso recorrer ao pronto-socorro para receber a medicação adequada e evitar que a desidratação se agrave. Os especialistas lembram que o nível de tolerância ao álcool é absolutamente individual, portanto, a medida mais efetiva contra a ressaca é beber pouco ou nada.

 

 

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