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Hospital discute punição de residente que malhou na academia com uniforme cirúrgico

Do UOL

Em Campinas

13/08/2013 17h14

A diretoria do Hospital Municipal Doutor Mário Gatti, em Campinas (a 93 km de São Paulo), abriu uma sindicância interna para apurar a conduta de um residente em urologia - que não teve o nome divulgado - flagrado na última quinta-feira (8) usando roupas do centro cirúrgico durante um treino de musculação em uma academia da cidade.

Depois de ouvir a versão do médico, o hospital vai, junto com a Comissão de Residência Médica (Coreme), formar uma nova comissão para discutir a punição a ser aplicada. Por enquanto, o residente não foi afastado de suas funções e o caso está sendo considerado como infração administrativa.

Segundo a assessoria de imprensa da unidade médica, a comissão, que deve se reunir na próxima semana, será formada por um representante da residência em urologia, pelo coordenador da área, um representante da direção do hospital e o presidente da Coreme. A punição para o aluno pode variar de advertência verbal até expulsão. Entretanto, o hospital informou que o médico não tinha cirurgia prevista para aquele dia e que esta apurando o motivo do uso do uniforme.

Ainda segundo o hospital, a conduta do médico nunca havia sido posta em xeque e não há nenhum tipo de advertência em seu prontuário. Segundo a assessoria, o erro não foi médico, foi administrativo. O profissional teria desrespeitado uma norma do hospital de não usar a roupa fora do ambiente de trabalho.

Além disso, a assessoria informou que, antes de discutir uma punição, deve chamar algumas testemunhas que estavam na academia para esclarecer a situação. Segundo a assessoria do hospital, não existe um prazo para que o caso seja apurado.

Indignação

O residente foi flagrado com uniforme cirúrgico durante um treino de musculação em uma academia de um bairro nobre de Campinas. As imagens foram registradas pelo empresário de moda Luddy Ferreira que, indignado com a situação, abordou o médico e ouviu que ele não teve tempo para trocar a roupa e que ainda realizaria uma cirurgia.

"Juro que quando eu vi aquele homem com aquele uniforme cirúrgico eu pensei que fosse pegadinha, mas depois vi que não era, que era apenas falta de respeito tanto com os alunos da academia quanto com os pacientes”, disse. Depois do episódio, Ferreira deixou a academia alegando falta de atitude dos funcionários. Procurada, a assessora de imprensa da academia informou que o aluno foi advertido pela conduta contrária às normais gerais disponíveis em todas as unidades. "Vale observar que todos os alunos se comprometem a observar essas normas no momento da matrícula, ao assinar o termo de adesão, justamente para impedir que certas condutas possam causar transtornos aos demais frequentadores e/ou funcionários, prejudicando a harmonia e o objetivo do ambiente. Em caso de reincidência da conduta inadequada, o autor poderá ter o seu plano cancelado", afirmou em comunicado.

Apesar da atitude ter incomodado os frequentadores do local, segundo Eduardo Finger, coordenador de pesquisa e desenvolvimento do SalomãoZoppi Diagnósticos, o residente não colocou em risco a saúde de quem estava na academia. "As roupas utilizadas nos centros cirúrgicos são lavadas em excesso e mais limpas até mesmo que as de casa, pois na sala é preciso ter uma limpeza absoluta. E mesmo que ele tenha operado alguém, essa roupa não teve contato com o paciente, pois antes de entrar na sala é preciso colocar um avental e luvas", explica.

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