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Câncer de fígado de ex-BBB pode ter sido causado por uso de anabolizantes

O uso dos esteroides pode afetar o funcionamento do fígado de diferentes maneiras, sendo uma delas os tumores. Na imagem, Maria Melilo se recupera depois da cirurgia para retirada das lesões hepáticas - Reprodução/Facebook
O uso dos esteroides pode afetar o funcionamento do fígado de diferentes maneiras, sendo uma delas os tumores. Na imagem, Maria Melilo se recupera depois da cirurgia para retirada das lesões hepáticas Imagem: Reprodução/Facebook

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

06/11/2013 07h00

Quando participou do BBB11, Maria Melilo, 29, declarou que fazia uso de anabolizantes para ter um corpo definido. Na última segunda-feira (4), a ex-BBB foi submetida a uma cirurgia no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para retirar parte do fígado devido a um câncer detectado no órgão. O boletim médico do hospital divulgado na terça-feira (5) afirmou que Maria já estava "em acompanhamento médico há dois anos".

De acordo com Ruth Clapauch, vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ainda que o câncer de fígado não seja um efeito muito comum entre os usuários de esteroides, a doença pode surgir em quem têm predisposição. "Tudo depende da genética, da substância que foi usada e se existe alguma tendência da pessoa em desenvolver esse tipo de doença", explica.

O tempo de uso da substância, bem como altas doses, também contribuem no comprometimento das funções hepáticas. "Os anabolizantes são drogas que não são proibidas, podem ser encontradas em farmácias, passaram por testes e tem dose recomendada, mas normalmente as pessoas usam por um longo período de tempo e em doses altas para hipertrofiar a musculatura", destaca Clapauch.

O uso dos esteroides pode afetar o funcionamento do fígado de diferentes maneiras, sendo uma delas os tumores, que podem ser malignos ou benignos. "Essas substâncias também promovem alteração na função do fígado e podem causar hepatite, cirrose, esteatose hepática, entre outros problemas", aponta.

"Os anabolizantes também causam problemas metabólicos, pois eles aumentam o colesterol LDL (ruim), diminuem o colesterol HDL (bom) e aumentam a pressão arterial, além de elevar a tendência a desenvolver diabetes", lista Clapauch.

A especialista afirma que muitas mulheres têm procurado os anabolizantes para aumentar a massa muscular, mas que elas sofrem alguns efeitos colaterais devido ao uso dessa substância, como acne, pelos no corpo e no rosto, queda de cabelos, atrofia das mamas e retenção de líquidos.

Na ocasião, a atriz declarou que fazia uso de testosterona para manter o corpo, o que fez com que ela não menstruasse por muito tempo, além de ter percebido aumento no tamanho do clitóris. O empresário de Maria, Fábio Nogueira, não quis comentar se o câncer da atriz teria relação ou não com o uso de esteroides.

O boletim médico do hospital Sírio Libanês afirmou que a cirurgia por videolaparoscopia foi realizada para retirar as lesões hepáticas. "O procedimento foi bem sucedido e o quadro é estável, com previsão de alta para os próximos dias".

Uso médico

Clapauch afirma que os anabolizantes só são prescritos em situações muito raras, como por exemplo, em casos de desnutrição. "A pessoa está desnutrida, muito fraca e precisa ganhar massa muscular. Nesse caso os médicos podem fazer uso dessa substância, mas num curto período de tempo", justifica.

A especialista pondera que antes de recomendar o tratamento e a dosagem, no entanto, é necessário pedir uma série de exames ao paciente. "É sempre usada uma dose pequena, pois o objetivo nesse caso é apenas restaurar a musculatura e não hipertrofiar, como as pessoas que querem fazer uso de esteroides por estética. O médico também faz um histórico do paciente e analisa os exames laboratoriais para saber se ele pode usar a substância ou não", complementa Clapauch.

A vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia alerta, no entanto, que mesmo quando o tratamento é feito por médicos, o paciente corre o risco de ter a função hepática comprometida. "Mesmo com todo esse cuidado antes de começar o tratamento é necessário um acompanhamento profundo para diminuir os riscos de danos no fígado, que é um risco do medicamento", finaliza Clapauch.

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