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Mesmo sendo menos propensos ao desenvolvimento de câncer de pele, negros e pessoas de pele morena não devem dispensar o uso de protetor solar diariamente - ThinkStock/Getty Images
Mesmo sendo menos propensos ao desenvolvimento de câncer de pele, negros e pessoas de pele morena não devem dispensar o uso de protetor solar diariamente Imagem: ThinkStock/Getty Images

Ana Sachs

Do UOL, em São Paulo

24/01/2014 07h00

Antes de sair de casa, já virou rotina para algumas pessoas checar a previsão do tempo. Mas e olhar o Índice Ultravioleta (IUV)? Parece estranho e pouco comum, mas é extremamente necessário para a saúde da pele e deveria começar a ser incorporado à rotina diária dos brasileiros para evitar manchas, envelhecimento e, principalmente, câncer de pele.

O assunto foi um dos destaques do Consenso Brasileiro de Fotoproteção, documento inédito elaborado por médicos da Sociedade Brasileira de Dermatologia e lançado no ano passado, com o intuito de servir como um “guia” de proteção solar no Brasil.
 
“Nosso país tem dimensões continentais, o que torna cada região peculiar. Algumas características como altitude, latitude, estação do ano, quantidade de nuvens, chuvas, camada de ozônio, entre outros, alteram o índice ultravioleta do local”, explica Flávia Ravelli, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e integrante dos setores de Fotobiologia e Cosmiatria da mesma entidade, que participou como revisora do Consenso.

 

Por isso, ainda que aqui a regra já conhecida de não se expor ao sol entre 10 e 16 horas seja válida, em alguns lugares do país esse horário pode se estender para além dessa faixa de segurança. “Nessa faixa de horário geralmente ocorrem os picos de índice ultravioleta. No entanto, eles podem, muitas vezes, ser altos antes mesmo das 9 horas, como é o caso da região Nordeste. Portanto, é importante consultar o índice ultravioleta da sua cidade para sempre se prevenir”, conta a médica.

Um tubo desses comuns de protetor solar seria o suficiente para apenas uma pessoa usar em um final de semana na praia

Valeria Campos, dermatologista

Consultar o IUV, inclusive, é uma das orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde). “A entidade orienta a nos guiarmos pelo IUV de cada cidade para tomada de decisão em relação à fotoproteção. Então, quanto mais alto o IUV, mais cuidado e proteção devemos ter: protetor solar, óculos escuros, chapéu, camisetas e sombra”, fala Ravelli.

O IUV é uma escala, que vai de 0 a 15, e que aponta os riscos de se expor ao sol. Valores superiores a 11 são considerados de dano extremo à saúde e, acredite, em um país tropical como o nosso esse patamar é facilmente ultrapassado. Segundo o Consenso, com até dois, não há necessidade de proteção, mas é preciso procurar uma sombra nas horas próximas ao meio-dia. A partir do três, é necessário se proteger do sol com filtro solar, camiseta e chapéu. Acima de seis, a proteção deve ser intensa: evitar se expor ao sol nas horas próximas ao meio-dia, usar camiseta, filtro solar, óculos escuros e chapéu.

O site do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é o melhor lugar para se buscar a informação. Basta procurar o ícone “radiação UV” no menu à esquerda e depois clicar no gráfico “IUV máximo”.

Raios nocivos

Além de consultar o IUV, a rotina de proteção solar deve incluir, como muito já foi dito, o protetor solar. O produto ideal deve ser de amplo espectro, ou seja, proteger contra os raios UVA e UVB - que compõem a radiação ultravioleta (UV). Essa informação deve constar no rótulo do produto. Esse tipo de proteção é importante, pois os dois tipos de raios podem causar danos à pele.

O ultravioleta B (UVB) é o mais conhecido da população: ele queima a pele e a deixa vermelha quando uma pessoa se expõe excessivamente ao sol. Pode causar rugas e manchas, além de câncer de pele (este último, em menor grau). Já a ação do ultravioleta A (UVA) é menos visível, mas não menos perigosa.

“O UVA é um matador silencioso e é constante o ano todo, mesmo em dias nublados. Ele penetra mais fundo na pele, mexe nas estruturas celulares, provocando danos no DNA das células e podendo causar câncer”, diz Valeria Campos, dermatologista pós-graduada em Laser e Fotomedicina pela Universidade de Harvard, nos EUA, e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Os raios UVA são de efeito cumulativo, ou seja, quanto mais uma pessoa se queimar no sol ao longo da vida, mais chance terá de um dia desenvolver câncer de pele. Com o tempo, eles levam, ainda, ao envelhecimento precoce e ao aparecimento de manchas. “Um protetor de má qualidade, que não tenha proteção contra os dois raios, pode evitar as queimaduras, o que leva a pessoa a ficar mais tempo no sol e se expor mais ainda aos perigos da radiação”, alerta Campos.

A proteção solar é importante para evitar, principalmente, o câncer de pele. Segundo o Consenso, esse tipo corresponde a 25% de todos os tipos de câncer do corpo humano, percentual bastante elevado. “Os cânceres que sofrem maior influência da radiação UV são o basocelular (mais comum entre pessoas caucasianas) e o espinocelular (segundo tipo mais comum e que manifesta como uma ferida que não cicatriza)”, conta Ravelli.

“No entanto, hoje já se sabe que uma parcela dos melanomas (tipo de câncer hereditário que é mais agressivo e pode ser fatal) também pode ter relação com a radiação UV”, continua ela.

Além disso, a exposição à radiação solar pode desencadear ou agravar algumas doenças de pele como lúpus, herpes, fitofotodermatite (manchas causadas pelo contato com limão ou tangerina), melasma e efélides (sardinhas), e pode produzir sequelas definitivas nos olhos, como a catarata e a degeneração macular da retina. Portanto, quando se expor ao sol, use óculos com proteção contra os raios UVA e UVB, bem como proteção adicional na faixa da luz violeta/azul (que é um componente da luz solar e de várias fontes de luz visível, como iluminação fluorescente e de computadores).

Correta aplicação

O fator de proteção solar (FPS) é outro item que deve ser levado em conta na hora de comprar um protetor solar. “Ele é a principal medida de eficácia de um produto, quantificando o quanto é capaz de ampliar a proteção contra a queimadura solar. Dessa forma, um hipotético protetor de FPS 30 permite que o usuário se exponha ao sol sem ser atingido por queimadura 30 vezes mais eficazmente do que sem o uso do produto”, explica o Consenso.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda a toda a população do país o uso de produtos com FPS de, no mínimo, 30. “Esse fator atende a maioria da população. Mas, provavelmente, uma pessoa com cabelos e olhos claros pode se beneficiar de um FPS maior, assim como negros e morenos podem utilizar no dia a dia um FPS menor. Mas essa avaliação dos tipos de pele não é tão simples de se fazer em uma sociedade heterogênea e miscigenada como a nossa, sendo necessária a orientação de um dermatologista para tal”, diz Ravelli.

Menos propensos ao desenvolvimento do câncer de pele, negros e pessoas de pele morena não devem dispensar o uso do produto. “Apesar de possuírem uma maior resistência aos efeitos do sol por possuírem mais melanina, também podem desenvolver câncer de pele. Além disso, a pele morena e negra tem grande predisposição a desenvolver manchas”, alerta a dermatologista.

Outro ponto que mereceu destaque no documento foi a correta aplicação do protetor solar. “Um tubo desses comuns de protetor solar seria o suficiente para apenas uma pessoa usar em um final de semana na praia. A dose deve ser generosa, mas as pessoas, em geral, passam muito pouco”, alerta Campos. Se a quantidade é inadequada, a proteção fica comprometida.

Medidas

Segundo o documento da SBD, o ideal a ser aplicado no rosto (incluindo pescoço) é uma colher de chá. “Já no corpo, a quantidade aproximada por aplicação é o equivalente a uma xícara de café ou do tamanho de uma bola de golfe”, diz Flávia Ravelli.

Se ficar confuso sobre a quantidade ideal em cada parte específica do corpo, fique com a regra: uma colher de chá para cada braço, duas colheres de chá para cada perna e duas colheres de chá para a frente e trás do torso (barriga e costas).

Outra dúvida comum é sobre a reaplicação do produto. Muitas pessoas passam o protetor solar antes de sair de casa pela manhã e acreditam estar protegidas por todo o resto do dia. A SBD recomenda a reaplicação a cada duas horas. Se suar ou entrar no mar e na piscina, esse intervalo deve ser menor.

“O vento, o movimento da água do mar, o atrito da pele e o simples ato de esfregar as mãos na face para remover o excesso de água após um mergulho acabam por remover progressivamente o protetor solar da pele. Portanto, mesmo os protetores à prova de água deverão ser reaplicados”, fala Ravelli.

Para quem fica boa parte do dia em um ambiente fechado, a proteção deve ser a mesma: todos os dias, antes de sair de casa, mas com intervalos de reaplicação menores ao longo do dia. Isso porque quem está em um ambiente fechado não está livre dos danos que podem ser causados à pele. Lâmpadas, telas de computadores e televisores emitem luz visível, que pode ocasionar manchas na pele e rugas.

“O ideal é que a reaplicação seja feita a cada 4 horas”, diz Campos. E segundo Ravelli, quando for se expor ao sol novamente, por exemplo, no horário de almoço, o protetor deve ser reaplicado 20 minutos antes de sair, para garantir também a proteção contra o câncer de pele.

Quem senta perto de janelas deve ter mais atenção. Segundo o Consenso, o vidro comum é capaz de transmitir até 90% da luz visível. “Sabemos que a quantidade de UVA que ultrapassa os vidros é muito pequena para causar danos, mas a luz visível pode, sim, desencadear manchas, rugas e envelhecimento da pele”, explica Ravelli.

Sabemos que a quantidade de UVA que ultrapassa os vidros é muito pequena para causar danos, mas a luz visível pode, sim, desencadear manchas, rugas e envelhecimento da pele

Flávia Ravelli, dermatologista

É importante lembrar que não é só o rosto que merece ser protegido. “É preciso aplicar o protetor solar todos os dias, em todas as regiões do corpo que ficam expostas a radiação solar. Isso inclui, principalmente, o pescoço, colo, ombros, braços e mãos, áreas comumente negligenciadas”, fala Ravelli.

Vale ressaltar, ainda, que não existe diferença entre fotoprotetor tópico, protetor solar e filtro solar. Tratam-se todos do mesmo tipo de produto: aquele que pode ser passado na pele e que vem em formatos como sprays, loções, cremes, bastões e géis. “O único diferente é o bloqueador solar, aqueles usados por surfistas. Apesar de terem os filtros mais altos, mesmo assim não barram 100% a ação do sol e seu uso é inviável no dia a dia, por ser um creme opaco e grosso”, fala Campos.

Cuidados com as crianças

Crianças demandam uma atenção especial quando o assunto é proteção solar. Hoje já se sabe que o histórico de queimaduras solares na infância tem relação com o aumento do risco ao desenvolvimento de melanoma na idade adulta. “Evidências demonstram que o uso de protetor solar na infância e adolescência reduz a incidência de câncer de pele, além do fotoenvelhecimento”, escreve o Consenso. “Por isso, deixar uma criança queimar no sol é quase criminoso”, destaca Campos.

As com menos de seis meses não podem usar o produto, por falta de pesquisas que atestem a segurança da aplicação nesta idade. O ideal é nunca deixá-las expostas diretamente ao sol, em especial entre as 10 e 16 horas, e sempre vesti-las com chapéu e, se possível, roupas com protetor solar quando saírem na rua. “Deve-se evitar os horários de pico e levá-las para passear somente no começo da manhã e fim da tarde”, destaca Campos.

A partir de seis meses, a criança já pode passar protetor solar. Até dois anos, o recomendando são os em creme ou bastões. Após os dois anos, os produtos devem ser resistentes à água e de fácil aplicação, como os em spray ou creme. O produto deve ser hipoalergênico e destinado especificamente ao público infantil, com testes que comprovem sua eficácia.

Aplique o protetor de forma generosa, ainda em casa, com a criança sem roupas, de 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol. Vale lembrar que a criança, assim como os adultos, deve usar protetor solar todos os dias, e não apenas no verão ou na praia.