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Morre mulher mais idosa do Brasil com síndrome de Down

Na foto, Dona Olga Gums posa ao lado das sobrinhas-netas Pollyana Hoffmamm Gums (de rosa) e Ana Paula Hoffmamm - Arquivo Pessoal
Na foto, Dona Olga Gums posa ao lado das sobrinhas-netas Pollyana Hoffmamm Gums (de rosa) e Ana Paula Hoffmamm Imagem: Arquivo Pessoal

Flávia Bernardes

Do UOL, em Vitória (ES)

27/03/2014 11h25

Morreu nesta terça-feira (25) a recordista de idade entre pessoas com síndrome de Down no país. Olga Gums, moradora de Santa Teresa, no Espírito Santo. Caçula entre 11 irmãos, ela completaria 78 anos em maio deste ano. Segundo a sobrinha-neta Pollyana Hoffmamm Gums, Olga sofreu uma queda ao tentar se apoiar em uma mesa e acabou fraturando o fêmur.

 A morte, entretanto, ocorreu após duas paradas cardíacas sofridas depois da cirurgia feita na Clínica dos Acidentados de Vitória, na Capital do Espírito Santo. Olga Gums chegou a aguardar seis dias por um atendimento especializado no Hospital Madre Regina Protmann, em Santa Teresa, no Espírito Santo, onde foi diagnosticada com a fratura.

“Demos entrada no dia 16 e ela foi internada. Lá disseram que iriam cadastrá-la para uma transferência, porém, após dias de espera e agonia, descobrimos que o cadastro foi preenchido com erros e chegamos a perder uma vaga em um hospital de Vitória. Só no dia 21 conseguimos a transferência para a Clínica dos Acidentados de Vitória, na Capital do Estado. Lá ela foi operada e chegou a retornar para o quarto falante e sorridente, mas infelizmente não resistiu”, lamentou Pollyana Hoffmamm Gums.

Segundo o relato, após retornar ao quarto, Olga teve uma queda de pressão e foi internada na UTI, onde sofreu duas paradas cardíacas. “Ela chegou a ser reanimada, mas no outro dia veio a segunda parada cardíaca e ela não resistiu. Estamos muito abalados e sem acreditar no que está acontecendo. O troféu do RankBrasil chegou no mesmo dia de sua morte, ela nem chegou a ver”, contou Pollyana.

De acordo com a família, a espera pela cirurgia submeteu Olga a dores muito fortes que a deixaram agitada. “Ela chegou a ser amarrada e, com isso, ficou muito tempo na mesma posição criando feridas pelo corpo. Foi muito difícil esperar tanto tempo pela cirurgia e agora sofrer com essa perda. Estamos muito tristes”, lamentou Pollyana.

Após a morte, ressalta a sobrinha-neta, a luta é pela última homenagem à recordista. De acordo com a família, o corpo está no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, cujos funcionários se encontram em estado de greve desde o dia 23 de março. Desta forma, a família não sabe quando o velório será realizado.

“Era uma pessoa tão forte, nunca precisou de remédios, de exames ou médicos. E por algum motivo veio a morrer sem ao menos dar a oportunidade de nos despedirmos. Ainda não acredito que levaram a minha Olga. Acho que a ficha só vai cair quando vê-la no caixão. Muito triste tudo isso”, finalizou a sobrinha-neta.

Olga Gums, de 77 anos, teve seu recorde divulgado no último dia 26 de fevereiro pela RankBrasil, que registra recordes brasileiros há mais de 14 anos. Ela superou Maria de Nazaré, reconhecida em 2010, aos 67 anos. Nascida no dia 27 de maio de 1936, em Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Espírito Santo, Olga Gums morava em um sítio no distrito de Aparecidinha, no município de Santa Tereza.

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