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Apesar de abrigar um suspeito de ebola, Fiocruz mantém rotina normal

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

10/10/2014 20h18

Ao sair de casa para acompanhar a filha em um exame Clizanda de Lima, 75, desconversou quando o marido perguntou se as duas iriam ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, ligado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Centro de referência no tratamento de doenças infecciosas, o local ganhou o noticiário nacional nesta sexta (10) ao receber o primeiro paciente suspeito de ebola no país.

"Tive que mentir que íamos para outro lugar dentro da fundação. Se eu falasse que vinha para cá, ele não me deixava sair de casa com medo de que acontecesse alguma coisa", conta Clizanda, sentada à sombra de uma árvore em frente ao hospital onde o guineano Souleymane Bah, 47, está internado desde o começo do dia.

Ela e a filha, Regina Chaves, 50, frequentam o ambulatório do Evandro Chagas periodicamente há 11 anos, desde que Regina descobriu que tinha um vírus raro. “Cheguei a achar que a Fiocruz não iria abrir, mas se abriu é porque deve estar tudo bem”, diz a paciente.

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Apesar do pânico que o vírus tem causado em alguns países, assim como elas, o restante dos funcionários e visitantes da fundação, localizada em um terreno amplo ao lado da favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, pareciam não se preocupar com a presença do guineano. Algumas pessoas tomavam sol, outras conversavam, planejando o que fazer na noite desta sexta-feira.

Bah está em isolamento e ocupa um dos dois leitos reservados para pacientes com ebola pela Fiocruz desde agosto. Os outros 30 leitos do Evandro Chagas seguem, segundo a assessoria, em funcionamento.

À época, a fundação fez uma simulação do protocolo de atendimento para pacientes com ebola. Desde então faz reuniões semanais para se preparar para uma possível epidemia. “O Evandro Chagas tem capacidade para manter em isolamento com alto nível de biosegurança até 32 pacientes”, explica Elisa Andries, coordenadora da assessoria de imprensa da Fiocruz.

A suspeita de contaminação do vírus foi identificada ontem em Cascavel (PR). O paciente de 47 anos informou ter tido febre alta entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9). Ele está em bom estado e continua em isolamento total para observação.  É o primeiro caso suspeito no país desde que o surto da doença se espalhou pela África. Guiné é um dos principais países com casos de contaminação pelo vírus.