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Fumo passivo pode causar aumento de peso, diz pesquisa

A exposição à fumaça de cigarro pode causar resistência à insulina e aumento de peso - Reuters/Ilya Naymushin
A exposição à fumaça de cigarro pode causar resistência à insulina e aumento de peso Imagem: Reuters/Ilya Naymushin

Do UOL, em São Paulo

10/11/2014 06h00

Cientistas da Brigham Young University, nos EUA, descobriram que a exposição à fumaça do cigarro pode causar aumento de peso, principalmente se o fumo for passivo. A mudança atingiria mais as crianças, segundo estudo publicado no periódico "American Journal of Physiology: Endocrinology and Metabolism".

"Para quem divide uma casa com um fumante, em especial as crianças, o risco de aumento de problemas metabólicos e cardiovasculares é enorme", diz Benjamin Bikman, professor de fisiologia e biologia do desenvolvimento na Universidade Brigham Young e autor do estudo.

Bikman e seu colega Paul Reynolds descobriram que a fumaça do cigarro está vinculada à função metabólica. Para realizar o estudo, eles usaram camundongos de laboratório expostos a fumaça de cigarro e mediram progressivamente as mudanças no metabolismo dos animais.

O resultado mostrou que os camundongos mais expostos à fumaça engordaram mais do que os demais. Ao analisarem as células desses roedores, os cientistas encontraram mais amostras de um tipo de gordura (ceramida) que causa alteração no funcionamento natural das células e inibe a capacidade delas responderem à insulina (hormônio responsável pela redução da taxa de açúcar no sangue).

"Os pulmões fornecem uma vasta interface com o nosso meio ambiente e esta pesquisa mostra uma resposta ao tabagismo involuntário, que inclui a alteração a sensibilidade sistêmica à insulina", disse Reynolds. "Uma vez que alguém se torna resistente à insulina, seu corpo precisa de mais insulina. E se cada vez mais a insulina aumentar, você terá mais gordura no corpo", afirma.

A chave para reverter os efeitos da fumaça do cigarro é inibir a produção de ceramida. Para isso, os pesquisadores administraram myriocin, conhecido bloqueador de ceramidas, nos roedores e, com isso, evitaram o ganho de peso e a mudança no metabolismo da insulina.

Agora, a equipe de Bikman quer encontrar um inibidor de ceramida seguro para seres humanos, a fim de evitar o ganho de peso e a resistência à insulina para quem convive com fumantes.

"A ideia de criar uma terapia que ajudaria a proteger o ser humano das consequências de ser criado em um lar com um fumante é muito gratificante", diz o pesquisador.

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