Cientistas criam método que permite detectar zika em transfusão de sangue

Da Agência Fapesp

  • Filipe Redondo/Folhapress

Um método para detectar a presença do zika vírus no sangue usado em transfusões foi desenvolvido pela Fundação Pró-Sangue em parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Inicialmente haverá apenas a triagem de bolsas de sangue destinadas a grávidas ou para transfusões intrauterinas (nas quais o sangue é transfundido diretamente no feto).

Desde o início da epidemia de zika no Brasil, em 2015, pelo menos dois casos de transmissão por meio de transfusão de sangue foram confirmados no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo.

Em relação à dengue, já é conhecida a possibilidade de ocorrer transmissão do vírus durante a transfusão. Segundo Levi, estima-se que até 1% dos doadores de sangue – nos períodos de pico epidêmico – sejam positivos para o vírus da dengue no momento da doação, mas não é feita nenhum tipo de triagem laboratorial.

De acordo com o pesquisador José Eduardo Levi, chefe do Departamento de Biologia Molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo, inicialmente, a iniciativa é medida de precaução, já que não existe confirmação de que a transmissão transfusional do vírus represente risco ao feto.

"No caso do zika, a grande preocupação é com grávidas e fetos. Achamos que não seria boa ideia, nesses casos, usar sangue com risco de ter o vírus. Nossa proposta foi fazer um teste para ser usado em um pequeno número de bolsas de sangue – 0,16% do estoque do banco de sangue – destinado a esse público-alvo. Pretendemos começar a aplicar o teste no Hemocentro de São Paulo logo após o Carnaval", afirmou.

A metodologia alia um método de biologia molecular conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real a protocolos desenvolvidos no Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para detecção do zika.

"Depois validamos também no plasma do receptor contaminado por transfusão – gentilmente cedido pelo dr. Marcelo Addas, do Hemocentro da Unicamp. Como obtivemos sucesso, já distribuímos o método para a Rede Zika, para quem quiser usar", contou Levi.

Diante da falta de evidências sobre a importância de triar todo o sangue doado para a presença do vírus zika, avaliou Levi, não haveria possibilidade e/ou necessidade de incluir o teste na rotina de todos os bancos de sangue do país.

"Isso nunca foi considerado um problema, pois, na maioria das vezes, o receptor do sangue nem sequer chega a desenvolver a doença. No Brasil, nunca foi detectado um caso grave de dengue transfusional. Esse primeiro receptor contaminado com zika em Campinas também não apresentou sintomas da doença, embora tenha sido confirmada a presença do vírus em seu sangue [o segundo paciente morreu em decorrência dos ferimentos por arma de fogo que levaram à necessidade de transfusão]."

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