Horas na fila e falta de remédio complicam atendimento de cariocas com zika

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

  • Gustava Maia/UOL

    Pela segunda vez na UPA, Raiane Freitas dos Santos esperou mais de cinco horas por atendimento

    Pela segunda vez na UPA, Raiane Freitas dos Santos esperou mais de cinco horas por atendimento

Os primeiros sintomas começaram a aparecer na última sexta-feira (11). Moradora da zona norte do Rio de Janeiro, a auxiliar administrativa Raiane Freitas dos Santos, 19, sentiu dores no corpo, teve febre e vomitou. Quando a pele foi tomada por pequenas manchas vermelhas, no dia seguinte, decidiu ir ao médico para saber se estava com zika.

Antes de confirmar a suspeita, no entanto, ela enfrentou quatro horas de espera na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Penha, que estava lotada. Quando chegou a sua vez, ficou desapontada com o atendimento. "Não me examinaram nem nada. O médico olhou na minha cara e disse que era zika mesmo. Não senti segurança nenhuma", contou Raiane. "Ele falou que só faria exames se fosse dengue".

Gustavo Maia/UOL
Manchas vermelhas estão em todo o corpo da jovem de 19 anos
Para completar a experiência negativa, conta a jovem, os medicamentos para tratar a doença --dipirona e antilalérgico-- estavam em falta. "Tive que comprar na farmácia depois", relatou.

Com febre e manchas na pele, Raiane voltou à UPA na segunda-feira. Chegou ao meio-dia e às 17h20 ainda não havia sido atendida.

"Quando entrei eles já falaram que ia demorar muito, como se fosse para me fazer ir embora", disse. Por conta da onda de calor que atinge a capital fluminense, passou a maior parte do período de espera do lado de fora da edificação onde funciona a Unidade de Pronto Atendimento.

Só em janeiro, 1.499 casos de zika foram notificados na rede municipal do Rio de Janeiro. O Estado passa por uma epidemia do vírus de zika e dengue. Desde o início do ano, já foram notificados 10.311 casos de dengue, o número é maior que o dobro das notificações no mesmo período do ano passado: 4.182. 

'Muita gente com essa coceira'

"Ele ficou igualzinho a você", comentou a dona de casa Viviane Couto, 25, olhando para Felipe Gabriel, o filho de três anos, que dormia no seu colo. Agora na 37ª semana de gestação, ele ficou apreensiva quando o garoto contraiu o vírus da zika, em novembro do ano passado. "Estou usando repelente todos os dias", contou Viviane, que mora em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e foi à UPA acompanhar a mãe, de 74 anos, com pressão alta.

Com manchas espalhadas pelo corpo, a estudante Júlia Mota, 16, também teve que enfrentar a longa fila na unidade. Após três horas esperando, deixou o local sem ser atendida por volta das 17h, para comprar comida.

Tive febre e minha pele começou a arder bastante. Tem muita gente com essa coceira na minha vizinhança

Júlia Mota, 16

A promotora de vendas Cláudia Araújo, 50, chegou à unidade na Penha às 13h desta segunda, depois de encontrar portas fechadas em outra UPA, na avenida Itaoca, próxima ao Complexo do Alemão, também na zona norte do Rio. "Estava passando muito mal", descreveu. Ainda assim, foi para a fila de espera.

Quando deixava o local, por volta das 17h30, reclamou da lentidão no atendimento. "Só me chamaram porque meu filho chegou e pressionou. Eu estava quase desmaiando", contou. Cláudia foi medicada com uma injeção –"aliviou na hora"—e fez exames de sangue e urina, que confirmaram o diagnóstico: dengue. Os médicos, no entanto, não distribuíram os remédios necessários para o tratamento da doença. "Pediram para voltar quarta-feira".

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a coordenação da UPA da Penha negou a falta de medicamentos. 

 

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