Brasil registra média de cinco internações por Guillain-Barré por dia

Do UOL, em São Paulo

  • Marvin Recinos/AFP

    Brasil, Colômbia, Polinésia Francesa, El Salvador, Suriname e Venezuela registraram aumento da síndrome nos últimos meses

    Brasil, Colômbia, Polinésia Francesa, El Salvador, Suriname e Venezuela registraram aumento da síndrome nos últimos meses

O Brasil registrou 1.868 casos de internação por síndrome de Guillain-Barré, uma média de mais de cinco internações por dia, segundo dados do Ministério da Saúde. Na comparação com 2014, o aumento foi de 29,8%.

Até novembro de 2015, a incidência tinha mais que dobrado em quatro Estados no Nordeste: Alagoas, com aumento de 516,7%, Bahia, com 196,1%, Rio Grande do Norte, com 108,7% e Piauí, com 108,3%. Os casos cresceram também no Espírito Santo (78,6%) e no Rio (60,9%). Os números são da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O número, no entanto, não equivale ao de pacientes, segundo o Ministério da Saúde. Já que a mesma pessoa pode ter mais de um registro de internação, por mudar de hospital, por exemplo. 

A síndrome de Guillain-Barré é um ataque do sistema imunológico a parte do sistema nervoso, mais precisamente aos nervos periféricos, que conectam o cérebro à medula espinhal e são responsáveis por enviar comandos de movimento para o resto do corpo. Trata-se de uma reação rara a vírus ou bactérias, que causa fraqueza gradual e paralisa dos músculos.

Em alguns casos, pode haver paralisia total ou complicações que podem matar (paralisia dos músculos que controlam a respiração, infecção sanguínea, coágulos pulmonares e parada cardíaca). Não há uma cura específica, e os tratamentos são voltados a reduzir a gravidade dos sintomas.

Existe ligação com a zika?

A OMS reconhece a coincidência "espaço-temporal" entre surtos da zika e a alta nos casos da síndrome, mas diante da escassez de dados ainda não estabelece um vínculo direto entre as doenças. O órgão estima que a incidência anual média desta paralisia no mundo seja de 0,4 a 4 casos por 100 mil habitantes, mas, como era uma doença rara, não há um histórico de notificações conclusivo.

Sabe-se que o surto da zika na Polinésia Francesa, entre 2013 e 2014, coincidiu com um aumento da Guillain-Barré na região. A relação também ficou mais evidente depois dos casos no Brasil e na Colômbia.

Atualmente, outros países registram aumento da síndrome e da zika, como El Salvador, Suriname e Venezuela.

Para a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), isso faz com que a relação entre zika e Guillain-Barré seja mais evidente até do que a entre zika e microcefalia --segundo o órgão, até o momento o Brasil foi o único país das Américas a registrar casos de má-formação no cérebro de bebês, mas a relação deve ficar mais clara a partir de abril quando serão divulgados estudos de caso.

Dormência se espalhou

O vendedor Ideraldo Luiz Costa Duarte, de 43 anos, foi uma das vítimas da síndrome. Ele chegou cedo ao estádio onde seu time disputaria uma partida de futebol por uma liga amadora de Maceió. Era um domingo de junho e ele se apressava para vestir o material esportivo. Mal calçou as chuteiras, no entanto, sentiu uma dormência nas pernas, que logo foi se espalhando pelos braços e lábios. Foi para casa. 

Acabou internado no Hospital Geral do Estado (HGE), onde fez uma série de exames sem chegar a nenhum resultado conclusivo, e sofreu uma parada cardíaca.

Pensei que fosse morrer

"Acordei na Santa Casa (de Misericórdia de Maceió, referência na doença), onde finalmente descobriram que era Guillain-Barré", lembra.

O artista plástico Fabiano Campos, de 72 anos, também ficou paralisado: perdeu o movimento dos membros superiores e inferiores. Se alimentava por uma sonda e não falava. 

Fiquei com 49 quilos e tenho 1,78 metro

O tratamento foi difícil e, segundo o médico Roberval Leite, só não houve mais problemas por causa do diagnóstico rápido da síndrome. (Com Estadão Conteúdo e agências internacionais)

'Pensei que ficaria paralisado pelo resto da vida', diz paciente

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