Prefeitura de BH pede que população evite a Pampulha após morte de menino

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Reprodução/TV Band Minas

Não faz nem dois meses que o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e recebeu o título inédito no mundo de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno, mas quem pretende visitar o ponto turístico deve adiar os planos.

O prefeito da cidade, Márcio Lacerda (PSB), recomendou nesta quinta-feira (8) que a população evite contato com a vegetação na área do parque ecológico, que está sob investigação após a morte de um menino de 10 anos, morador de Belo Horizonte. A suspeita é de que ele teria contraído a febre maculosa após ser picado pelo carrapato-estrela (Amblyomma cajennens) no parque.

O parque abriga muitas capivaras, hospedeiras naturais do artrópode infectado. 

"Nesse período de seca é natural a proliferação dos carrapatos. Então é importante que as pessoas evitem o contato com a vegetação nesse momento, que é quando ocorre a passagem do carrapato da vegetação para o corpo das pessoas", disse Lacerda.

O prefeito, porém, considerou desnecessário fechar o parque, alegando que faz dois anos que nenhum caso da doença é registrado na capital mineira e ainda não se sabe se o menino morreu mesmo de febre maculosa. 

Em março deste ano, a Justiça decidiu pela liberação dos animais que haviam sido confinados pela prefeitura justamente pela ameaça de transmissão da doença. O município recorreu da decisão.

"O assunto das capivaras precisa de uma solução definitiva. Elas estão hoje, incrivelmente, em habeas corpus. Estavam presas e foram soltas por decisão da Justiça. Já recorremos", afirmou.

O que se sabe sobre a morte do menino

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Thales Martins Cruz, 10, participou de atividades recreativas no parque em 20 de agosto. Seis dias depois, começou a apresentar sintomas que coincidem com os da doença: manchas no corpo (petéquias), dor de cabeça intensa (cefaleia), coloração amarelada da pele (icterícia), febre e dor abdominal.

Foi internado em 2 de setembro e morreu no domingo (4). O período de incubação da febre maculosa é de dois a 14 dias, o que coincide com a data de apresentação dos sintomas por Cruz.

Ainda segundo a secretaria, a análise de dois exames do garoto deram negativo para a febre maculosa, mas falta o resultado de um terceiro exame para parecer final. 

Reprodução

Carrapato é perigoso?

Entre maio e outubro, o carrapato-estrela (Amblyomma cajennens), o mais comum no Brasil, começa a proliferar-se e a aparecer na sua forma mais jovem, conhecida como micuim. Nesta fase, as chances dele grudar em você são maiores, por isso, atenção.

Cavalos, cães e gatos, aves domésticas, roedores e, principalmente, capivaras podem carregar o artrópode infectado, que pode transmitir diversas doenças, entre elas a Febre Maculosa Brasileira (FMB) --uma doença grave causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que pode matar se não for diagnosticada com rapidez e tratada com eficiência.

No Brasil, metade das pessoas contaminadas morre.

Outras doenças bacterianas transmitidas são a doença de Lyme (Borrelioses), a Babesiose e a Erliquiose. Algumas Arboviroses, doenças causadas por vírus, também podem ser passadas pelo carrapato, explica o Infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP).

"A forma jovem do carrapato é menor que a cabeça de um fósforo, o que dificulta a percepção. Às vezes ele está na nuca, atrás da orelha, nos pelos do tórax e até na bolsa escrotal. A inspeção no corpo deve ser criteriosa depois de ficar em uma área com grama ou animais", explica Cristiane Lamas, médica Infectologista do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - Fiocruz.

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