Zika causa redução de testículos, espermatozoides e hormônios em ratos

Do UOL, em São Paulo

  • Josue Decavele/ Reuters

    Além de mosquitos Aedes, vírus da zika também pode ser transmitido pelo sexo

    Além de mosquitos Aedes, vírus da zika também pode ser transmitido pelo sexo

Um novo estudo publicado nesta segunda (31) na revista Nature aponta que a zika causa redução do testículo e de dois hormônios sexuais, além da diminuição em espermatozoides no líquido seminal em ratos machos infectados com uma adaptação do vírus. O estudo abre potencial para problemas semelhantes em humanos.

A equipe de cientistas liderada por Michael Diamond, da Washington University School of Medicine de St. Louis (Estados Unidos), conduziu o estudo para detectar os efeitos do vírus da zika no sistema reprodutivo de ratos machos.

Na pesquisa, o vírus foi detectado no testículo e epidídimo (tubo que armazena e transporta o esperma) dos ratos com sete dias de infecção. Depois de 14 dias, o vírus já estava presente em níveis elevados em todo o sistema reprodutivo da maioria dos ratos.

O estudo ainda apontou que houve uma grande diminuição no tamanho e peso do testículo em ratos infectados comparado com animais que não tiveram o vírus injetado. O mesmo ocorreu com danos na produção de sêmen e lesões no tecido do epidídimo.

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A infecção por zika ainda causou redução nos níveis de testosterona e na inibina B, dois importantes hormônios para a produção de esperma e que são produzidos no testículo. Estudos de fertilidade preliminares revelaram redução nas taxas de gravidez e fetos viáveis nos ratos infectados em comparação com os animais sem a infecção.

Os autores do estudo deixam claro que as consequências no esperma e outras funções reprodutoras de humanos não podem ser avaliadas a partir deste estudo e que outras pesquisas devem ser feitas.

Contudo, o vírus da zika já foi identificado no líquido seminal de homens por períodos extensos. O sexo é tido como um dos meios de transmissão da doença e a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que uma pessoa infectada pelo vírus fique seis meses praticando apenas sexo seguro, com preservativo.

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