Cogumelos alucinógenos aliviam angústia de pacientes com câncer

Eric Roston

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Pacientes oncológicos vivenciam um alívio imediato, significativo e duradouro da angústia existencial e da depressão quando são tratados com psilocibina, o princípio ativo presente nos cogumelos alucinógenos, de acordo com as conclusões de duas pesquisas inovadoras publicadas na quinta-feira.

Para alguns pacientes com câncer avançado, o choque da doença e o medo do fim da vida que vem com ela podem levar ao desespero, ao desamparo e até mesmo ao suicídio. Até 40% desses pacientes sofrem de ansiedade ou depressão, e os antidepressivos funcionam apenas tanto quanto os tratamentos com placebo.

Os novos estudos são bastante contundentes em si, mas o Journal of Psychopharmacology reforça suas conclusões ao preencher o restante da edição com comentários de especialistas que exploram de tudo, desde a bioquímica do modo de funcionamento da psilocibina às leis antidrogas dos EUA que interromperam pesquisas psiquiátricas, e chegam a confrontar o enigma milenário que Søren Kierkegaard chamou de "a doença até a morte".

Um dos estudos, conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês), dividiu seus 29 sujeitos com câncer avançado em dois grupos; ambos foram submetidos à psicoterapia como parte do experimento.

Um grupo recebeu uma dose de 0,3 miligramas de psilocibina produzida em laboratório por quilo de massa corporal, e o outro grupo recebeu um tratamento controle de vitamina niacina. Sete semanas depois, cada grupo recebeu a substância contrária.

Os resultados, segundo os autores, foram "rápidos, sólidos e contínuos": doses únicas aliviaram a depressão e a ansiedade por mais de sete semanas e por até oito meses. Os autores concluem, com uma notável avaliação de seus resultados, que "esta descoberta farmacológica é inovadora na psiquiatria".

O segundo estudo, conduzido por médicos da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, dividiu em dois grupos 51 pacientes diagnosticados com câncer que ameaça a vida. Eles receberam uma dose terapêutica ou uma dose muito baixa de psilocibina em um primeiro tratamento e receberam a dose contrária cinco semanas depois.

Assim como na pesquisa da NYU, os resultados do estudo da Universidade Johns Hopkins "mostram que a psilocibina produziu quedas grandes e significativas "na depressão, na ansiedade ou na melancolia" e aumentos nos indicadores de qualidade de vida, propósito existencial, aceitação da morte e otimismo", escreveram os autores. "Esses efeitos se mantinham aos seis meses."

Roland Griffiths, professor de psiquiatria e ciências do comportamento da Universidade Johns Hopkins e principal autor da pesquisa, salientou os efeitos aparentemente únicos desse tratamento experimental em uma entrevista coletiva na quarta-feira.

"A descoberta de que uma única dose de uma droga de relativamente curta duração provoca efeitos antidepressivos e ansiolíticos substanciais e duradouros realmente não tem precedentes", disse ele, "e de fato pode representar uma possível mudança de paradigma no tratamento de pacientes que sofrem de distúrbios psicológicos relativos ao câncer".

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