Sua memória funciona mais como a de Sherlock Holmes do que você imagina

Do UOL, em São Paulo

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    Os atores Benedict Cumberbatch e Martin Freeman em cena da série inglesa "Sherlock"

    Os atores Benedict Cumberbatch e Martin Freeman em cena da série inglesa "Sherlock"

Você já assistiu o seriado do famoso detetive Sherlock Holmes? Na série Sherlock, o personagem tem um "palácio da mente", um catálogo mental altamente organizado de quase todas suas memórias.

Nós, meros mortais da vida real, não conseguimos nos lembrar da vida toda como Holmes, mas cientistas das Universidades de Princeton e Stanford, nos EUA, afirmam que nossas habilidades de armazenar lembranças e recordar podem ser eficientes e mais parecidas com as dele do que se imaginava.

A descoberta pode ajudar a encontrar sinais de alerta precoce da perda de memória e auxiliar no tratamento de doenças como Alzheimer. O estudo foi publicado na Nature Neuroscience.

Pesquisas anteriores provaram que as mesmas regiões do cérebro são ativadas em duas situações: quando vivenciamos um evento pela primeira vez e quando somos questionados para lembrarmos algo. O que os cientistas não sabiam era se todos os seres humanos armazenavam e as mesmas memórias da mesma maneira, ou se cada cérebro se lembrava de modo diferente.

Para desvendar esse mistério, eles recorreram ao detetive Holmes.

Um grupo de psicólogos colocou 22 voluntários em uma máquina de ressonância magnética para acompanhar as atividades cerebrais.

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Os cientistas fizeram os voluntários assistirem 48 minutos do seriado Sherlock (mais precisamente o primeiro episódio, "A Study in Pink"). Assim que o tempo acabou, os participantes tinham que contar o que podiam sobre a série. Imagens dos cérebros foram gravadas em ambos momentos.

Os pesquisadores então analisaram a atividade cerebral dos telespectadores enquanto assistiam à série e quando se lembravam dela. Os padrões cerebrais eram tão semelhantes que os cientistas conseguiam identificar com precisão quais cenas os participantes estavam descrevendo sem precisar ouví-los, só comparando as atividades cerebrais.

"Mostramos que há um padrão cerebral distinto, como uma impressão digital, para cada cena assistida e sua memória", disse Janice Chen, líder do grupo de pesquisa.

Depois da primeira fase, a equipe juntou os resultados de todos os participantes e criou uma média do que os cérebros mostraram enquanto assistiam às cenas. Em seguida, eles relacionaram a média com as respostas das ressonâncias individuais de quando os voluntários se lembraram da série.

A atividade cerebral de todos os participantes ao recordar foi parecida com a média do grupo ao ver a série pela primeira vez.

Resumindo? O resultado sugere que quando os seres humanos experimentam os mesmos eventos, seus cérebros organizam as memórias de maneira similar, em nosso "palácio da mente".

Além disso, a maioria dos cientistas pensava que as memórias ficavam guardadas nas regiões cerebrais de "ordem inferior", o que teríamos em comum com a maioria dos vertebrados. Mas os padrões cerebrais do estudo mostram que as lembranças foram exclusivamente encontradas na "ordem superior do cérebro".

As descobertas farão com que pesquisadores cognitivos repensem a maneira como estudam as memórias.

"Achamos que nossas lembranças são únicas, mas há muito em comum entre nós, em como vemos e nos lembramos do mundo"

Janice Chen

Com a técnica de "rastreamento de memórias" usada na pesquisa, cientistas que trabalham com doenças neurodegenerativas relacionadas à memória, como o Alzheimer, podem identificar sinais de alerta precoces de esquecimento ou desenvolver marcadores mais precisos para perda de memória.

Agora sabemos que nossas memórias têm alguma estrutura organizacional em comum. A descoberta pode trazer certa frustração. Nós gostamos de pensar em nossos cérebros e lembranças como únicos, só nosso, mas não é bem assim. 

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