Combater germes ajuda o feminismo: controlar infecções impulsiona igualdade

Do UOL, em São Paulo

  • Cris Faga/ Fox Press Photo/ Estadão Conteúdo

    Manifestante protesta na av. Paulista, em SP, em ato contra a violência às mulheres

    Manifestante protesta na av. Paulista, em SP, em ato contra a violência às mulheres

Combater os germes ajuda o feminismo. Sim, a frase parece aleatória, mas um estudo publicado na Nature Humam Behavior sugere que as melhorias e evoluções na igualdade de gênero durante os últimos anos foram impulsionadas por um melhor controle das doenças infecciosas.

Um dos aspectos que mostra a evolução da igualdade de gênero é a possibilidade de as mulheres se concentrarem na educação e progressão de carreira. Quando as mulheres crescem em ambientes perigosos e imprevisíveis, há maior pressão para ter filhos o mais cedo possível e se concentrar em metas de curto prazo. Isto significa muitas vezes sacrificar a educação superior, levando a uma maior desigualdade entre os sexos.

Michael Varnum, da Universidade de Arizona, nos Estados Unidos, investigou se quatro diferentes ameaças – doenças infecciosas, escassez de recursos, guerras e estresses climáticos – tiveram efeitos sobre a igualdade de gênero nos Estados Unidos e no Reino Unido nas últimas sete décadas.

Destes fatores, o único que apareceu sempre como antecessor da igualdade de gênero foi o critério de doenças infecciosas. Pesquisadores usaram dados arquivados de 1951 a 2013 nos Estados Unidos, e de 1945 a 2014 no Reino Unido.

Quando as taxas de infecções caíram, as medidas de igualdade de gênero – incluindo os salários das mulheres e a representação política – melhoraram proporcionalmente entre 15 e 25 anos depois.

Os resultados sugerem que o estreitamento gradual da diferença de gênero desde o início dos anos 70 nos Estados Unidos e no Reino Unido tem sido impulsionado por uma melhor saúde pública. Os esforços para reduzir doenças infeciosas com vacinas, cuidados de saúde gratuitos, saneamento e tratamento de água, levam ao aumento da igualdade entre sexos.

Quando os níveis de doenças infecciosas são baixos, as pessoas são mais propensas a adotar estratégias de vida mais lentas.

Para as mulheres, isso pode significar o adiamento da maternidade em favor da educação e da carreira. O estudo mostra que, por exemplo, as taxas de gravidez na adolescência caíram depois que os níveis de doenças infecciosas diminuíram, evidenciando que a idade reprodutiva e os objetivos das mulheres mudaram e ajudaram de alguma forma na igualdade de gênero. 

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