MG investiga a suspeita de 38 mortes por febre amarela; há 133 casos

Do UOL, em São Paulo

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais divulgou na tarde desta sexta-feira (13) a informação de que as notificações de mortes de pessoas com suspeita de febre amarela subiram para 38 no estado. Já o número de casos suspeitos subiu para 133.

Deste número de óbitos, 10 são considerados prováveis. O balanço anteriormente divulgado apontava 30 mortes suspeitas e o mesmo número de óbitos prováveis.

Já entre o total de casos, 20 deles foram classificados como prováveis --os casos prováveis já tiveram exame laboratorial positivo para febre amarela, mas precisam de mais investigação para serem confirmados pela secretaria estadual. O levantamento anterior apontava 110 casos suspeitos e outros 20 classificados como prováveis.

As ocorrências de febre amarela em Minas Gerais levaram o governador Fernando Pimentel (PT) a decretar nesta sexta-feira (13) situação de emergência em saúde pública por 180 dias em 152 cidades de quatro Unidades Regionais de Saúde (Governador Valadares, Coronel Fabriciano, Manhumirim e Teófilo Otoni). Destas cidades, a que registrou o maior número de casos suspeitos foi Ladainha (29), seguida por Caratinga (23) e Imbé de Minas (14).

O decreto autoriza a tomada de medidas administrativas para conter a doença e agiliza os processos para a aquisição pública de insumos e materiais, bem como a contratação de serviços necessários, dispensando licitação em alguns casos. A medida ainda permite a contratação de funcionários temporários para ações exclusivas de combate à doença.

Órgãos como Secretaria de Saúde (SES-MG), a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) participarão do trabalho de monitoramento destas ações administrativas.

De acordo com o texto publicado no Diário Oficial do Estado, o decreto considera que "a febre amarela é uma doença de potencial epidêmico e elevada letalidade".

Surto provoca corrida a postos de vacinação

O aumento do número de ocorrências de febre amarela em Minas Gerais levou os moradores de Belo Horizonte a buscar a vacina contra a doença em postos de saúde da capital mineira. Em um centro localizado em Serra, bairro da região centro-sul da cidade, o número de aplicações diárias da vacina subiu de 10 para 200 inoculações.

A aplicação da vacina, disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), ocorre em dose única, devendo ser reforçada após dez anos. No caso de recém-nascidos, é administrada uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. Como se trata, no entanto, de uma situação atípica, nas regiões afetadas, bebês com 6 meses estão recebendo duas doses com intervalo de 30 dias.

Brasil não registra transmissão da doença em em áreas urbanas desde 1942

De acmosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírusordo com o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942 --todos os casos suspeitos em Minas Gerais, até o momento, são considerados de transmissão silvestre, ou seja, ocorreram em áreas rurais.

A febre amarela é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, da América Central e da África. No meio rural e silvestre, é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Já em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e febre chikungunya.

Governo de MG deve criar sala para monitorar casos de febre amarela

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