Alimentação

Vírus comum pode causar intolerância ao glúten; achado é trilha para vacina

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Glúten é uma proteína presente na farinha de trigo

    Glúten é uma proteína presente na farinha de trigo

Estudo publicado nesta sexta-feira (7) na revista Science sugere que a infecção por um vírus comum, considerado inofensivo, pode desencadear o desenvolvimento da doença celíaca, ou intolerância ao glúten, proteína presente na farinha de trigo, na cevada e no centeio.

Os autores, pesquisadores da Universidade de Chicago e da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, acreditam que a descoberta pode abrir caminho para a criação de uma vacina para prevenir a doença.

Embora houvesse indícios da ligação de infecções virais com o início da doença celíaca, ainda não havia provas dessa conexão.

"O estudo mostra claramente que um vírus que não é clinicamente sintomático pode prejudicar o sistema imunológico e abrir caminho para uma doença autoimune, especialmente a doença celíaca", disse Bana Jabri, professora do Centro para Doença Celíaca da Universidade de Chicago. "No entanto, o vírus específico e seus genes, a interação entre ele e o hospedeiro, e o estado de saúde do hospedeiro também são importantes".

A doença celíaca é causada por uma resposta imprópria do sistema imunológico ao glúten. Não há cura e o único tratamento efetivo é uma dieta sem farinha de trigo, centeio e cevada.

A doença celíaca é uma doença autoimune que atinge aproximadamente 1% da população, enquanto na África saariana a proporção é de 5,6%, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Reação ao glúten

Mesmo em pessoas que não têm a doença, o corpo naturalmente tem dificuldade de digerir o glúten e já costuma usar mais o sistema imunológico do que para outras proteínas. Mas ainda não se sabe exatamente como ocorre a resposta imune inflamatória ao glúten.

Em 2011, o mesmo laboratório descobriu que a IL-15, uma citocina em abundância no na mucosa do intestino de pacientes celíacos, pode afetar a tolerância ao glúten. No entanto, nem todos celíacos possuem a IL-15 de forma exacerbada.

No estudo atual, os cientistas usaram duas cepas diferentes de reovírus em camundongos para mostrar como as diferenças genéticas dos vírus podem mudar como eles interagem com o sistema imunológico.

Um dos reovírus comuns em humanos desencadeou uma resposta imune inflamatória e a perda da tolerância ao glúten, enquanto a cepa geneticamente diferente não provocou essa reação.

"Estamos estudando os reovírus por algum tempo e ficamos surpresos pela descoberta que há uma ligação potencial entre o reovírus e a doença celíaca", disse Terence S. Dermody, da Universidade de Pittsburgh.

"Agora precisamos definir com exatidão os fatores virais responsáveis pela indução da resposta autoimune."

A pesquisa também descobriu que pacientes com doença celíaca têm muito mais anticorpos contra os reovírus do que os que não desenvolvem a doença.

Isso sugere que a infecção com reovírus pode deixar uma marca permanente no sistema imunológico e seria dessa forma que ajudaria no desencadeamento da resposta autoimune ao glúten.

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