Mais três pessoas morrem vítimas de febre amarela na Grande São Paulo

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    O comerciante de 48 anos começou a passar mal quatro dias após passar o Natal com a família na Serra da Cantareira

    O comerciante de 48 anos começou a passar mal quatro dias após passar o Natal com a família na Serra da Cantareira

Ao menos seis pessoas morreram vítimas de febre amarela na Grande São Paulo. A Prefeitura de Atibaia (a 64 km de São Paulo) confirmou nesta terça-feira (9) a morte de dois homens --um de 22 anos e outro de 89 anos. 

O jovem era morador do bairro das Cerejeiras, mas teria se infectado quando realizava uma trilha, no bairro do Portão - onde residia a outra vítima. O bairro, segundo a Prefeitura, é considerado de bastante risco. 

Também foi comunicada hoje a morte do paulistano Adilson Tadeu Esteves Cipriano, 48, que estava internado no Hospital Leforte, na capital paulista.

"Com pesar, confirmamos que o paciente A.T.E.C., 48, que deu entrada no Hospital Leforte unidade Liberdade no dia 5 de janeiro de 2018, com diagnóstico confirmado de febre amarela, evoluiu para falência múltipla de órgãos, disfunção renal grave e choque séptico e veio a falecer na data de hoje, às 14h35", informou o hospital.

Segundo a família, Cipriano contraiu o vírus após ter ido passar o Natal na casa da irmã na Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo. Quatro dias depois começou a sentir os primeiros sintomas --dor no corpo, dor de cabeça e diarreia--, mas só foi detectado com a doença no dia 3 de janeiro.

Os três casos anunciados nesta terça ainda não foram confirmados pela Secretaria Estadual de Saúde, que já havia registrado outras três mortes. 

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Ao menos 16 pessoas morreram infectadas pelo vírus desde o ano passado no Estado de São Paulo. Além das ocorrências de Atibaia e do caso de Cipriano, outras três mortes ocorreram nesse início de ano.

Duas das vítimas, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, foram passar as festas de fim de ano em Mairiporã --região que está em alerta para a doença há um mês. A terceira morte do ano foi de um homem de 69 anos que morava na capital, mas que tinha uma chácara em Nazaré Paulista, na Grande São Paulo, próximo de Mairiporã.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há 16 casos de febre amarela em humanos em investigação na capital paulista. "Todos eles importados", garantiu a pasta, que descarta a existência da febre amarela urbana, que não ocorre no país desde 1942.

Mais uma morte no interior de SP

Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram a febre amarela como causa da morte de uma mulher de 54 anos, em Jarinu (a 68 km de São Paulo). Ela havia morrido no dia 31 de dezembro e a causa era investigada. É a segunda morte pela doença confirmada na região de Jundiaí - o outro óbito foi registrado em Itatiba, no ano passado. 

A vítima, Abigail Pereira dos Santos Souza, era moradora do bairro dos Soares. Ela foi internada no dia 30 de dezembro no Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, onde morreu no dia seguinte. De acordo com familiares, os sintomas da doença começaram no dia 18, quando a paciente apresentou febre alta e dores no corpo.

O secretário de Saúde de Jarinu, Antenor Gonçalves, informou que mais de 20 mil pessoas já foram vacinadas na cidade, mas a vacinação será intensificada. Desde o ano passado, 18 macacos tinham sido encontrados mortos, com a doença, no município.

Vacinas fracionadas em todo Estado

Com o aumento de casos de febre amarela em humanos e macacos, 75 municípios dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia vão adotar a vacina fracionada a partir de fevereiro. A dose fracionada, porém, é mais fraca do que a oferecida hoje: protege por ao menos oito anos, enquanto a atual dura para a vida toda.

Segundo o Ministério da Saúde, 19,7 milhões de pessoas destes municípios deverão ser vacinadas na nova campanha, sendo 15 milhões com a dose fracionada e outras 4,7 milhões com a dose padrão.

De acordo com a pasta, a estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) quando há aumento de casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente.

A vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos de idade. Mas não é indicada para crianças de 9 meses a dois anos, bem como para pessoas com condições clínicas especiais (como vivendo com HIV ou em período final de quimioterapia, por exemplo) e gestantes.

Maior surto desde 1980

O surto de febre amarela que atingiu o Brasil em 2017 foi o maior com número de casos em humanos desde 1980. De dezembro de 2016 a junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 mortes pela doença no país. Em setembro, o governo federal deu o surto como encerrado. O último caso tinha sido registrado em junho, no Espírito Santo.

No Estado de São Paulo, de 2017 até o momento, foram 27 casos do vírus em humanos confirmados nos municípios de Águas da Prata, Américo Brasiliense, Amparo, Batatais, Campinas, Itatiba, Jundiaí Mairiporã e Mococa.

Desde outubro, parques municipais e estaduais da capital onde foram achados macacos mortos, como o Horto Florestal, na zona norte, foram fechados como medida preventiva. (*Com informações do Estadão Conteúdo) 

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