Há surto de febre amarela no Zoológico de SP? Governo desmente boato

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

O aumento de casos de febre amarela em humanos tem gerado uma série de rumores sobre a doença. Há inclusive uma corrente circulando no WhatsApp que pede cuidado redobrado aos visitantes do Jardim Botânico e do Zoológico, na zona sul de São Paulo. 

A mensagem alerta para a morte de vários macacos nos parques e para um suposto surto de febre amarela na região. Também aponta uma negligência dos órgãos responsáveis ao quererem abafar os altos riscos de contaminação. 

"Eles não estão alarmando por conta da época de férias, época em que eles mais lucram. Um absurdo!!", finaliza o texto, que, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, se trata de um boato. 

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"Nós estamos monitorando todas as mortes em macacos e humanos com indícios de febre amarela que acontecem no Estado. E eu posso garantir que até agora não foi notificada nenhuma morte causada pelo vírus nos dois parques", afirma Regiane Cardoso de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado.

Desde julho de 2016, foram registrados 2.491 casos de morte ou adoecimento de primatas em São Paulo, mas a febre amarela só foi confirmada em 617 deles. "Todos os parques onde foram encontrados macacos mortos com o vírus foram interditados como medida de segurança e não hesitaríamos em tomar as mesmas medidas para o Jardim Botânico e para Zoológico, se fosse o caso", afirma Regiane.

Em outubro de 2017, o Horto Florestal, o Parque da Cantareira e o Parque Ecológico do Tietê, nas zonas norte e leste da capital, foram fechados por conta do risco de transmissão de febre amarela para humanos. Mas foram reabertos nesta terça-feira (9), após a realização do inventário dos locais e da vacinação da população do entorno. Ainda assim é recomendado que os visitantes tenham sido vacinados há pelo menos dez dias.

A única informação do boato que pode estar correta, segundo Regiane, é de que os profissionais que trabalham nos parques tenham recebido a vacina contra a febre amarela. "Porque por trabalharem regularmente em animais e em ambientes naturais são mais suscetíveis ao vírus diante da ameaça de sua migração. É apenas uma medida de segurança", afirma.

Ainda assim, segundo ela, não é preciso se vacinar para frequentar o Jardim Botânico e o Zoológico, que não são considerados áreas de risco. A vacinação só é recomendada aqueles que trabalham e moram na zona norte e em alguns bairros das zonas (distritos de Jardim Ângela, Parelheiros, Marsilac e parte do Capão Redondo  Sul) e Oeste (distrito Raposo Tavares) do município de São Paulo.

Vacinação fracionada

Uma nova campanha de vacinação contra febre amarela, que contará com a aplicação de doses normais e fracionadas da vacina, será realizada de 3 a 24 de fevereiro em 53 municípios do Estado de São Paulo. A expectativa é vacinar 6,3 milhões de pessoas em cidades da Grande São Paulo, do Vale do Paraíba e do litoral.

De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) quando há aumento de casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente. Estudos indicam que a dose fracionada da vacina oferece proteção similar à da dose padrão por ao menos 8 anos. A proteção da dose integral dura para a vida toda.

A vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos de idade. Mas não é indicada para crianças de 9 meses a menores de dois anos e para pessoas com condições clínicas especiais (como vivendo com HIV ou em período final de quimioterapia, por exemplo) e gestantes, que devem ser vacinadas com a dose integral.

No fracionamento da vacina da febre amarela, a mesma vacina é utilizada, só que em dose menor. A diferença está no volume e no tempo de proteção. A dose padrão possui 0,5 ml e protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada tem 0,1 ml e protege por oito anos, segundo estudos realizados pelo Instituto Biomanguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), fabricante da vacina.

Mortes por febre amarela

O número de mortes por infecção por febre amarela confirmadas no Estado de São Paulo subiu para 21, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. O último registro era de 13 óbitos.

De acordo com a pasta, o número se refere ao período de 2017 até o momento. Os casos que evoluíram para óbito foram contraídos em Américo Brasiliense, Amparo, Atibaia, Batatais, Itatiba, Jarinu, Mairiporã, Monte Alegre do Sul, Nazaré Paulista, Santa Lucia e São João da Boa Vista. Ao menos oito dessas mortes foram confirmadas no início de ano. 

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