Pesquisadora diz que ataque a macacos pode atrasar combate à febre amarela

Ana Cristina Campos

Da Agência Brasil

  • Pedro Teixeira / Agência Brasil

    Pesquisadores fazem autópsias em macacos mortos no Rio de Janeiro

    Pesquisadores fazem autópsias em macacos mortos no Rio de Janeiro

A pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Mariana Rocha David, doutora em biologia parasitária, fez um alerta hoje (26) de que a grande mortandade de macacos provocada por ataques humanos por meio de espancamento ou de envenenamento pode sobrecarregar o sistema de detecção do vírus da febre amarela.

Em palestra no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, a pesquisadora destacou que a confirmação de que o macaco de fato morreu vítima da doença pode demorar um tempo maior a partir do momento em que uma grande quantidade de amostras de sangue desses animais chegar aos laboratórios de referência para serem analisadas.

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"Além de a gente estar matando o animal que mostra onde está a circulação do vírus, cometendo crime ambiental, provocando desequilíbrio ecológico, a gente está sobrecarregando o sistema que detecta os casos", disse a pesquisadora.

O último balanço da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da prefeitura do Rio mostrou que o estado contabiliza 131 macacos mortos desde o início do ano. Desse total, 69% têm sinais de agressão humana.

A pesquisadora da Fiocruz também ressaltou que, se a população de macacos for dizimada, a tendência é que os mosquitos silvestres transmissores do vírus que circulam na copa das árvores voem até a borda da floresta, onde podem infectar uma pessoa que não está imunizada.

"O macaco não transmite a doença. Ele avisa onde está a circulação do vírus. Precisamos protegê-los", disse Mariana, que reforçou a necessidade de as pessoas terem responsabilidade ao divulgar informações sobre a febre amarela nas redes sociais.

Ontem (25), o Linha Verde, programa do Disque-Denúncia específico para delatar crimes ambientais, lançou uma campanha contra o ataque a macacos no Rio de Janeiro, depois do elevado número de mortes de primatas este ano. Os animais são hospedeiros da febre amarela silvestre, e apesar de não transmitirem a doença, estão sendo atacados pela população. 

Casos

De acordo com o último informe epidemiológico, divulgado na noite de hoje pela Secretaria Estadual de Saúde, este ano foram registrados 26 casos de febre amarela silvestre em humanos no estado do Rio de Janeiro, com oito óbitos.

Teresópolis teve quatro casos, com dois óbitos; Valença, 13 e quatro mortes; Nova Friburgo e Miguel Pereira, um caso e um óbito, cada; e Duas Barras, dois casos. Sumidouro registrou dois casos e Petrópolis, Rio das Flores, Vassouras, um caso cada.

Foi confirmado apenas um caso de febre amarela em macacos, em Niterói. Ao encontrar macacos mortos ou doentes (animal que apresenta comportamento anormal, que está afastado do grupo, com movimentos lentos), o cidadão deve informar o mais rapidamente possível à Secretaria de Saúde do seu município.

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