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Polícia do RS investiga medicamentos falsos para o combate ao câncer

Polícia Civil apreende medicamentos falsificados contra o câncer no RS - Divulgação/Polícia Civil
Polícia Civil apreende medicamentos falsificados contra o câncer no RS Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

24/02/2018 18h55

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga uma suposta falsificação de medicamentos contra o câncer que foram distribuídos para uma clínica da Unimed localizada no shopping Total, na região central de Porto Alegre.

Os três lotes da medicação Sutent 50 mg do fabricante Pfizer com as numerações 985EE, 986EE e 987EE seriam entregues a três pacientes conveniados do plano de saúde. O inquérito policial foi instaurado na sexta-feira (23) na Delegacia do Consumidor.

De acordo com o delegado titular, Rafael Liedkte, a fabricante Pfizer foi contatada e afirmou desconhecer a numeração dos lotes apreendidos.

"Já sabemos que é falsificado, mas fica difícil até o momento saber quantas caixas, quantos comprimidos foram colocados no mercado, nem tão pouco sabemos quantas vítimas receberam estes medicamentos falsos", explicou. Para o delegado, a falsificação é explícita. "Há erros grotescos de digitação, faltam letras e a bula é um xerox."

O policial afirma que todas as pessoas que tenham adquirido os medicamentos descritos precisam comparecer à Secretaria Estadual de Saúde (av. Ipiranga, 6.113), na Divisão de Assistência Farmacêutica, na capital, para entregar o medicamento falsificado. Posteriormente eles serão encaminhados ao Instituto Geral de Perícias para averiguação.

A denúncia chegou a Delegacia do Consumidor após um conveniado da Unimed ter retirado a medicação no local. Ao chegar em casa, o paciente suspeitou do conteúdo e acabou devolvendo a medicação.

A Polícia Civil tenta agora descobrir a origem dos medicamentos. A reportagem tentou contato com a assessoria da Unimed Porto Alegre para se manifestar sobre o assunto, mas ninguém atendeu aos telefonemas. 

Medicamento falso - Divulgação/Polícia Civil - Divulgação/Polícia Civil
Os lotes falsificados do medicamento
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

O medicamento Sutent 50 mg é fornecido a pacientes em tratamento contra o câncer por planos de saúde e pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Em entrevista ao UOL, o médico e coordenador do Serviço de Oncologia e Hematologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Marcelo Capra, explicou que o Sutent é um medicamento importado e de alto custo. "Geralmente é indicado a pacientes que possuem um tipo raro de tumor no estômago, tumores renais e pâncreas. Os hospitais não têm comprado este medicamento, pois é muito caro. Para se ter uma ideia, no balcão de uma farmácia o valor deste remédio varia entre R$ 18 mil a R$ 20 mil para uma caixa com apenas 28 comprimidos", disse.

Capra explicou que estes remédios são considerados medicamentos "inteligentes", ou seja, matam a célula com tumor, mas não destroem as células saudáveis. Outra vantagem deste comprimido é que ele não tem efeitos colaterais tão fortes quanto os de uma rádio ou quimioterapia.

O que diz a clínica e o laboratório

Em nota, a Unimed Porto Alegre informou já ter tomado todas as medidas cabíveis. "Neste momento todas as providências, ações e desdobramentos então sendo conduzidas pelo Secretario Estadual da Saúde, João Gabardo."

a Pfizer afirmou --também por meio de nota-- que os lotes investigados não foram comercializados no Brasil e que está à disposição das autoridades de saúde e da Polícia Civil.

Leia a íntegra da nota Pfizer:

"Em relação a lotes de produto de origem desconhecida em embalagens falsificadas do medicamento Sutent 50 mg (malato de sunitinibe), produto indicado para o tratamento de câncer de estômago e intestino, câncer metastático renal e câncer de pâncreas, a Pfizer esclarece:

'A Pfizer foi contatada por paciente e pela Unimed após relato sobre suspeitas de alteração da coloração das cápsulas do produto Sutent 50 mg (malato de sunitinibe) e ausência de efeitos adversos previstos em bula. Os lotes que estão sendo investigados pela Polícia Civil Gaúcha (985EE, 986EE e 987EE) não foram comercializados pela Pfizer Brasil.

A companhia está à disposição e apoiando as investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) e das Polícias Civil e Federal.

Mais do que um crime hediondo e contra a propriedade intelectual, a falsificação de medicamentos é uma atividade que coloca em risco a saúde das pessoas, não só pela falta de eficácia desses produtos, mas também pela possível ocorrência de efeitos adversos desconhecidos e/ou intoxicação.

Medicamentos clandestinos podem apresentar ineficácia terapêutica e, em alguns casos, levar ao agravamento dos sintomas e progressão da doença em tratamento, já que o paciente deixa de receber a medicação adequada.

A Pfizer toma todas as medidas possíveis para evitar a falsificação de seus medicamentos, seguindo normas nacionais e internacionais de embalagens, como, por exemplo, a presença do selo de segurança e tinta reativa na embalagem secundária.

Apesar de todos os esforços, é importante que os pacientes, profissionais de saúde e parceiros fiquem atentos a qualquer alteração que encontrem nas embalagens dos medicamentos, ou mesmo nos produtos, contatando as autoridades sempre que tiverem dúvidas. A companhia está à disposição das autoridades, pacientes e parceiros por meio do telefone 0800-7701-575'".