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Acesso a medicamentos reduz mortes no Brasil por Aids em 16% em 5 anos

AP/Jeff Chiu
Mulher segura pílula do tenofovir, medicamento antirretroviral Imagem: AP/Jeff Chiu

Do UOL, em São Paulo

27/11/2018 12h52

A taxa de mortes por Aids teve queda de 16% desde 2014, um ano após o governo passar a distribuir medicamentos a todas as pessoas que descobriam estar infectadas pelo HIV, vírus causador da doença. 

Desde 2013, os remédios antirretrovirais podem ser acessados nas unidades de saúde pelos soropositivos independentemente da quantidade de vírus que eles apresentarem no corpo.

O boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que, em quatro anos, houve queda de 16,5% na taxa de mortalidade pela doença, passando de 5,7 por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos por 100 mil habitantes em 2017.

A taxa de detecção de Aids também apresentou redução, de 21,7 casos por 100 mil habitantes em 2012 para 18,3 por 100 mil habitantes em 2017 --uma queda de 15,7%.

De acordo com o Ministério da Saúde, garantia do tratamento para todos e a melhoria do diagnóstico contribuíram para a queda, além da ampliação do acesso ao teste e da redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

Desde a introdução do tratamento para todos, até setembro deste ano, 585 mil pessoas com HIV/Aids estavam em tratamento no país.

De 1980 a junho de 2018, foram identificados 926.742 casos de Aids no Brasil, um registro anual de 40 mil novos casos. O Ministério da Saúde lançou uma nova campanha lembrando os 30 anos do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro desde 1988.

Novos casos

Os novos dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 73% das novas infecções de HIV ocorrem entre no sexo masculino, sendo que 70% dos casos entre homens estão na faixa de 15 a 39 anos.

O boletim também mostra que houve diminuição da transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção de HIV em bebês caiu em 43% entre 2007 e 2017 --passando de 3,5 casos para 2 por 100 mil habitantes.

Para a pasta, essa queda entre bebês se deve ao aumento da testagem na Rede Cegonha, que contribuiu para a identificação de novos casos em gestantes.

SUS distribuirá autoteste em 13 cidades

O Ministério da Saúde também anunciou nesta terça-feira (27) que distribuirá gratuitamente 400 mil unidades de autoteste para detecção de HIV a partir de janeiro de 2019. O foco da ação será populações-chave e pessoas em uso de medicamento de pré-exposição ao vírus. 

O autoteste estará disponível nas cidades paulistas de São Paulo, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, além de Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Manaus.

Essas cidades foram selecionadas para fazerem parte de um projeto-piloto, que posteriormente poderá ser estendido para todo o país.

O autoteste de HIV já é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. Em caso de resultado positivo, o Ministério da Saúde orienta que o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares. Nas caixas de autoteste de HIV distribuído pelo SUS haverá um número telefônico para tirar dúvidas e dar orientações aos usuários. 

Testes rápidos para a detecção do vírus podem ser feitos em unidades de saúde de todo o país. Em 2018, foram distribuídos 12,5 milhões de unidades de testes para serem realizados nos postos.