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Ministro volta a criticar plantio de maconha para produzir remédios no país

Osmar Terra, ministro da Cidadania, é médico - Luciana Amaral/UOL
Osmar Terra, ministro da Cidadania, é médico Imagem: Luciana Amaral/UOL

Do UOL, em São Paulo

29/09/2019 12h19

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, reafirmou hoje sua posição contrária ao plantio de maconha no Brasil para a produção de medicamentos. Em sua conta no Twitter, ele comentou uma reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo sobre a previsão de investimentos de R$ 4,7 bi por ano no mercado de maconha medicinal no país.

Embora a reportagem não cite o uso recreativo da maconha, Terra acusou o jornal e os empresários interessados em investir de "vender poderes 'mágicos' medicinais da maconha para legalizar o consumo e ter alto lucro com isso".

"Não dizem que o gasto com saúde e violência será quatro vezes maior do que a arrecadação possível, como já é com o tabaco na saúde", disse o ministro.

"A planta da maconha tem 480 substâncias. Quase todas causando danos irreversíveis no cérebro. O canabidiol é uma delas, e pode ter efeito medicinal em casos raros de epilepsia. Então vamos separá-lo e dar como medicamento. É muito diferente do que usar maconha para se tratar!", argumentou Osmar Terra.

"A planta da papoula/ópio/heroína também tem centenas de substâncias que causam dano cerebral e dependência química, mas uma delas, a morfina, pode ser separada e administrada como medicamento para dor. Não precisa usar ópio ou heroína para isso, muito menos plantar papoula!", afirmou.

"A mesma lógica mentirosa dos empresários maconheiros serve para os possíveis empresários da cocaína da papoula/ópio/heroína. Então vamos legalizar as drogas no Brasil?", questionou.

O ministro da Cidadania comparou os empresários interessados no setor aos ingleses que investiram no ópio no século 19. "Os empresários maconheiros lobistas estão se instalando no Brasil, mesmo contra a lei. Lembram os empresários ingleses na China no século 19, vendendo ópio ilegal, e provocando guerra para legalizar a droga. Não estavam preocupados com saúde, e foram os mais ricos do século 19".

Ele também recorreu ao veneno da jararaca para fazer uma comparação. "A bradicinina é uma molécula com forte efeito para pressão alta. É dos medicamentos mais usados hoje. Foi descoberta entre as substâncias do veneno da jararaca, separada e usada como comprimido. Ninguém propõe picada de jararaca para baixar pressão. Vale mesma lógica para a maconha".

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