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Aeronáutica paga 50% mais por teste de coronavírus para militares

Avião Hercules C-130 da Força Aérea pousa em base aérea - Rafael Andrade/Folha Imagem
Avião Hercules C-130 da Força Aérea pousa em base aérea Imagem: Rafael Andrade/Folha Imagem

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

21/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Aeronáutica pagou R$ 149 por teste de coronavírus que serão usados em seus hospitais
  • Fiocruz fornece teste para o SUS por R$ 98
  • Compra da Aeronáutica foi feita sem licitação, baseada em lei para conter pandemia

A FAB (Força Aérea Brasileira) vai gastar 50% a mais do que o SUS (Sistema Único de Saúde) para testar militares contra a covid-19. A corporação comprou, sem licitação, 16 mil testes do novo coronavírus por R$ 149 cada. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vende testes do mesmo vírus ao Ministério da Saúde por R$ 98 cada.

Ao todo, a Aeronáutica vai gastar R$ 2,384 milhões com os 16 mil testes. O valor da compra foi divulgado em extrato publicado no Diário Oficial da União na sexta-feira (20). Esse montante será pago a empresa Prohosp Distribuidora de Medicamentos, de Curitiba (PR).

Com o mesmo valor pago pela FAB, o Ministério da Saúde poderia comprar quase 25 mil testes do coronavírus produzidos pela Fiocruz. Segundo a própria fundação, até sexta, o ministério havia adquirido e recebido 30 mil testes para que fossem distribuídos em todo país.

No caso dos testes comprados pela FAB, porém, eles distribuídos só para o Sisau (Sistema de Saúde da Aeronáutica). O sistema atende a militares da Aeronáutica e seus dependentes. O Sisau tem ao menos dez hospitais no país.

Inicialmente, a FAB havia declarado em Diário Oficial que compraria 5 mil testes do coronavírus sem licitação. Procurada pelo UOL, o órgão informou que o Ministério da Defesa responderia pela compra.

O Ministério da Defesa se pronunciou no final da noite de sexta-feira (20). Declarou que foram comprados 16 mil testes.

Lei contra surto baseia compra

Extrato da compra dos testes para militares da FAB informa que a aquisição sem licitação está baseada na Lei nº 13.979, de fevereiro deste ano. A lei dispõe de medidas para o combate à pandemia.

A lei dispensa a realização de licitação para aquisição de bens para o "enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus."

Fiocruz garante abastecimento

De acordo com a Fiocruz, não há falta de testes do coronavírus para o sistema público de saúde. "A produção até o momento está sendo feita para atender as solicitações e quantitativos pedidos pelo Ministério da Saúde", informou.

A fundação informou também que, além dos 30 mil testes já entregues ao governo, espera repassar outros 20 mil testes ainda neste mês. "A previsão é que, a partir de abril, a produção aumente em até três vezes, em relação às entregas realizadas em março", complementou.

Ainda segundo a Fiocruz, com o aumento da produção, o preço dos testes pode cair até 20%. "Há expectativa de redução destes valores para o Ministério da Saúde à medida que houver ganho de escala e saída da condição de emergência, que encarece os custos de aquisição dos principais insumos envolvidos na produção."

Errata: o texto foi atualizado
A Aeronáutica pagou 50% a mais pelos testes, e não 385%. Para cada teste, foi gasto R$ 149, e não R$ 476. Foram comprados 16 mil testes, e não 5.000. As informações foram corrigidas.

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