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Covas: hospital para pacientes de covid-19 deve funcionar na semana que vem

Hospital de Campanha, no Sambódromo do Anhembi, vai abrigar 887 leitos, que já ficam prontos a partir de 3 de abril  - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Hospital de Campanha, no Sambódromo do Anhembi, vai abrigar 887 leitos, que já ficam prontos a partir de 3 de abril Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Talyta Vespa

Do UOL, em São Paulo

25/03/2020 17h43Atualizada em 25/03/2020 17h47

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), fez uma visita às obras do Hospital de Campanha, que está sendo construído no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da cidade. As duas alas visitadas por ele e pela imprensa vão abrigar 887 leitos — que já ficam prontos a partir de 3 de abril e, a partir do próximo dia 6, já começam a ser utilizados.

Só no Anhembi, serão construídos 1800 leitos para pacientes com o novo coronavírus. O prefeito, em entrevista coletiva realizada hoje, afirmou ainda que, até o dia 10 do próximo mês, todos os leitos do Anhembi serão entregues. O outro hospital de campanha que a cidade receberá, com 202 leitos, ficará alocado no Estádio do Pacaembu.

Segundo Covas, o hotel que fica ao lado do sambódromo tem sido adaptado para recepcionar os profissionais de saúde que vão trabalhar no hospital.

Também durante a coletiva, o Secretário de Saúde da cidade, Edson Aparecido, explicou que as medidas de criação de estruturas paralelas aos hospitais têm o objetivo de fazer com que os profissionais circulem o menos possível na cidade. Para isso, além dessa iniciativa, a Secretaria da Educação disponibilizou 246 vans escolares para fazer o deslocamento desses trabalhadores e, também, de eventuais idas de idosos a clínicas de vacinação.

A ideia é que qualquer paciente diagnosticado com coronavírus seja tratado, pelo menos por 15 dias, nos hospitais de campanha. O secretário explica: "Teremos leitos de baixa e média complexidade para portadores do coronavírus. Quando nossas unidades de saúde, como UPAs e AMAs, diagnosticarem um paciente com a covid-19, ele será encaminhado para os hospitais de campanha para que tenham, neles, o quadro estabilizado e possam voltar para casa. Os pacientes devem ficar até 15 dias nas unidades", afirmou.

"[O Hospital de Campanha] funciona como um hospital de retaguarda para que a gente atenda o paciente contaminado cujo quadro não é grave". Aparecido diz ainda que as unidades também contarão com conjuntos de leitos de UTI para casos que se agravem durante o tratamento. "Serão mais 640 leitos de UTI na cidade para conseguirmos aliviar a pressão que a rede pública vai sofrer com a crise do coronavírus".

Atualmente, a cidade tem apenas 507 leitos de UTI espalhados pelos hospitais, além de 3.620 leitos designados a casos de baixa e média complexidade. Serão contratados para atuar em ambas as unidades 2.100 profissionais da saúde.

O prefeito explicou que, como a covid-19 é uma doença nova e ainda bastante desconhecida, é impossível estimar, por ora, se a quantidade de novos leitos será suficiente para suprir as demandas dos moradores da cidade.

"Estamos estudando [criar hospitais de campanha em] outros espaços, para o caso de a situação por aqui se ampliar. As obras no Pacaembu começaram na última sexta-feira (21) e já devem ser entregues na próxima sexta (28). Acompanhamos, todos os dias, a evolução da doença, mas ninguém da vigilância sanitária consegue responder com precisão como ela vai se comportar. Havendo necessidade, novos leitos serão disponibilizados", afirma Covas.

Ao citar a vigilância sanitária, o prefeito aproveitou para explicar as medidas de fechamento de comércios e estabelecimentos pela cidade. "Não tomo medida porque gosto ou desgosto. Imagine como deve ser difícil para um prefeito ter que fechar o cartão postal da cidade, como é o Ibirapuera? Todas as medidas aqui tomadas foram recomendadas pela vigilância sanitária e é seguindo as ordens dela que vamos continuar com as medidas restritivas", disse.

Aparecido reitera que, além das recomendações da vigilância, a cidade de São Paulo tem seguido o que pede o Ministério da Saúde. "O que temos hoje [de leitos] é suficiente para o cenário que enfrentamos nesse momento e para o tipo de crescimento que esperamos. Ainda assim, tudo pode acontecer e, se acontecer, mais leitos serão construídos. Não são estruturas pequenas. Para a construção de um hospital como esse, foram mobilizadas 13 categorias de profissionais da saúde".

Familiares de pacientes com coronavírus internados nos hospitais de campanha, o Secretário explica, não poderão visitar seus parentes. Ainda assim, as unidades contarão com áreas preparadas para receber e comunicar as famílias a respeito do quadro. "A Secretaria de Saúde soltou uma portaria reorganizando o sistema de saúde do município para que, se necessário for, utilizar, também, leitos já existentes —adiando cirurgias eletivas, por exemplo".

Crise e arrecadação

Covas garantiu que é impossível precisar, também, quanto de perda São Paulo vai ter com o avanço do novo coronavírus. No entanto, disse que a administração municipal já projeta, nesse momento e sem agravamento da crise, deixar de arrecadar R$ 1,5 bilhão.

"Se a crise for se agravando, esse valor aumenta. É um problema do mundo. Prevemos, se mantido o cenário atual, uma retração de 1% no PIB. É um perde-perde. Mas, o mais importante é a vida. Não adianta falar de arrecadação, de emprego, se não preservar a vida. Essa é a questão principal", afirmou.

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