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Coronavírus

Em 5 dias, ele perdeu pai e avô com covid-19 e faz apelo: não saiam de casa

Luciana Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Belém (PA)

11/04/2020 04h00

O terapeuta ocupacional Elio Soares Peres Neto, 22, de Belém (PA), está sofrendo na carne a pandemia de coronavírus. Em cinco dias, perdeu o pai e o avô, mortos com covid-19. E ainda tem uma tia internada. Ele gravou um vídeo emocionado para o UOL (veja no começo deste texto) e pediu que as pessoas acreditem na ciência e fiquem em casa.

Quando Elio recebeu a ligação do pai, Rosenildo, pedindo para ir até o pronto-socorro, em Belém (PA) por estar com muita falta de ar, ficou surpreso. "Meu pai nunca adoecia de nada, nem gripe ele pegava. Era ativo, jovem, trabalhava e não tinha doença nenhuma", comentou.

Rosenildo Soares Peres tinha 41 anos e morreu na segunda-feira (6) de covid-19. A doença afetou o segurança de eventos de forma rápida. Começou com uma gripe leve, coriza. Em menos de uma semana ele já respirava com ajuda de aparelhos. Quando o caso ficou mais grave, se foi em 24 horas, deixando a esposa e dois filhos, sendo a segunda filha, uma menina de apenas 10 anos.

Família afetada

Na casa, moravam a esposa, a filha e os pais idosos de Rosenildo, a mãe, de 71 e o pai, de 84 anos, ambos do grupo de risco. No dia em que ele foi internado, a família teve mais uma notícia preocupante. "O meu avô e a minha tia, que tinha ido para casa para cuidar dele, começaram a apresentar os sintomas", contou Elio. O avô, com hipertensão e a tia, de 51 anos, diabética.

Pouco tempo depois, ambos foram internados em hospitais diferentes e já levados para a UTI, sendo o avô em coma induzido e; a tia, também entubada, mas consciente. Os dois foram testados e confirmados para covid-19. "Minha mãe teve alguns sintomas, mas era crise de ansiedade devido a tudo aquilo que estamos vivendo. O teste dela deu negativo e a minha irmã e eu não chegamos a fazer porque não apresentamos sintomas", revelou.

Na sexta-feira (10), mais uma notícia triste para a família, o falecimento do avô de Elio. A entrevista ao UOL foi dada na quinta à noite, antes de Elio receber a notícia. Pela manhã, ele enviou uma mensagem. "Meu avô, infelizmente, faleceu esta madrugada. Minha tia segue internada, mas não contamos nada para ela", lamentou.

Tensão permanente

A família perdeu dois integrantes e uma terceira permanece internada. "É um inimigo invisível. Eu estou assintomático, mas acordo todo dia pensando, verifico a minha temperatura, se estou com febre", declara.

Ele diz ainda o que considera mais um sofrimento diante de tudo o que a família já passa com a partida do ente querido."O mais difícil desse processo é você ver uma pessoa como meu pai, muito querido, que tinha muitos amigos, só poder contar com cinco pessoas no enterro. Fomos eu, minha irmã e minha mãe e dois tios mais próximos", afirma.

Mesmo enfrentando o luto o terapeuta ainda se preocupa com os dois amigos que moram com ele, pois um deles já apresentou sintomas. "A minha amiga, que tem a minha idade, começou a ter coriza, febre e uma leve falta de ar. Ela foi atendida e orientaram que voltasse para casa e ficasse observando. Se a falta de ar piorasse deveria voltar ao posto", diz.

Respeitem as recomendações da OMS

O jovem faz um pedido para quem não acredita na gravidade do vírus. "Queria que as pessoas não esperassem esses números grandes virarem rostos conhecidos. É muito difícil ver o quanto a doença age rápido no corpo, na família. É muito assustador assistir alguém com falta de ar."

No vídeo, ele pede que as pessoas fiquem em casa. "Respeitem os profissionais de saúde, as recomendações da OMS, respeitem os cientistas, os pesquisadores. Não ouçam a opinião de pessoas que não têm embasamento teórico para falar sobre isso, pessoas irresponsáveis que estão mandando vocês saírem de casa".


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