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Coronavírus

'Metade aderiu, a outra está brincando com o assunto', diz juiz de lockdown

Reprodução/CNN
Imagem: Reprodução/CNN

Do UOL, em São Paulo

01/05/2020 09h11

Responsável por determinar o lockdown na região metropolitana de São Luís, o juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha de São Luís, criticou quem está descumprindo o isolamento social na região.

Em entrevista à CNN na manhã de hoje, o magistrado reforçou a importância da medida e citou que algumas pessoas estão "brincando" diante da situação.

"Já há um decreto estadual aqui determinando o isolamento social. Metade da população aderiu a isto. E eu não vou discutir os motivos da confusão de algumas pessoas em entender o assunto... Mas a outra metade está brincando com o assunto, que é sério. É proteção da vida das pessoas", falou.

"A verdade é que temos pessoas no país inteiro e no mundo morrendo pela falta de responsabilidade e entendimento de compreender aquilo que está sendo orientado pela OMS. É ela que aponta que a única maneira de as pessoas continuarem vivendo é o isolamento social, e as pessoas estão passeando como se nada estivesse acontecendo", pontuou Martins ao veículo.

O juiz citou que o possível colapso dos hospitais da região maranhense foi um dos motivos para o lockdown.

"Não há outra opção. As pessoas querem que se faça milagre de encontrar mais leitos de UTI para suprir a necessidade de um número absurdo de pessoas precisando deste atendimento. O que nos vamos ter daqui para frente é uma comunhão de forças de todos os órgãos de fiscalização. Tudo precisa estar em sintonia para o cumprimento rigoroso", disse ele, que afirmou também não descarta punições a quem descumprir as novas regras.

Hospitais privados sem vagas

Sobre as críticas das pessoas que citam o lockdown como uma barreira para se trabalhar, Martins aproveitou para fazer um alerta.

"Sabe qual o grupo social que mais tem me feito essa pergunta [sobre trabalhar]? É em relação as empregadas domésticas. É uma loucura! A pessoa está preocupada se vai ter uma outra para lavar o seu banheiro, fazer a sua comida... Não dá nem vontade de responder. Não é só a rede pública que está lotada. Eu recebi ofício do maior hospital privado de São Luís informando que não há vagas".

Na noite da terça-feira, São Luís chegou a ter 100% de ocupação dos leitos de UTI, mas a abertura de 27 leitos no dia seguinte desafogou um pouco a pressão sobre os hospitais.

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