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Coronavírus

Covid-19: Para especialista, é difícil corrigir ações sem número de testes

Do UOL, em São Paulo

06/05/2020 13h46

Pedro Hallal, reitor e professor do Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), afirmou hoje durante o programa UOL Debate que é difícil corrigir ações no combate ao coronavírus sem número de testes. Para o pesquisador, com base em estudos no Rio Grande do Sul e em território nacional, os casos assintomáticos têm agravado os números de contágio até aqui.

"Se eu disse que, com base no resultado do Rio Grande do Sul, de cada pessoa que aparece nas estatísticas, há outras 12 contaminadas, essas 12 são importantes porque podem estar com essa doença. A disseminação da covid-19 tem se dado muito por esses assintomáticos que não são testados. É por isso que a subnotificação é importante", analisou Hallal.

"Aqui (no RS) nós já fizemos duas fases de coleta de dados, e amanhã começamos a terceira, cada uma delas intercaladas. No estudo brasileiro, a gente vai começar na semana que vem. No estudo gaúcho, a gente vai na casa e testa 4,5 mil pessoas — já fizemos isso duas vezes e vamos fazer de novo. No estudo nacional, nós testamos pessoas em 133 cidades. Isso é uma pesquisa de testagem por amostragem, não é a mesma coisa que testagem em massa."

"No Brasil, nós estamos trabalhando em Pelotas com estudos epidemiológicos por amostragem para saber o percentual da população que já teve o vírus", completou o reitor da UFPel.

A questão da subnotificação dos casos da covid-19 foi discutida no UOL Debate. A edição de hoje do programa reuniu também Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); Dalson Figueiredo, cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Luís Carlos Vendramin Júnior, vice-presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Para Dalson Figueiredo, a alternativa seria ampliar o número de testes para oferecer estatísticas e cuidados mais confiáveis.

"Medir coisas não é uma tarefa trivial, mas uma coisa é você medir concentração de açúcar no sangue da pessoa, e outra coisa é você medir corrupção. Em geral, os dados sempre têm problemas, o que varia é a quantidade. Se a informação for ruim, não tem técnica que resolva", declarou o cientista político.

"A gente sabe que tem um erro sistemático de mensuração, e os candidatos têm a tendência de subestimar o que gastaram. Quando o erro é aleatório, o tipo de defeito é a ineficiência, a variância vai ser um pouco maior", acrescentou, indo além.

"A minha solução seria aumentar a testagem para ter estimativas mais confiáveis, e transparência. É difícil entrar a quantidade de testes por estados. O Ministério da Saúde não divulga o número de testes, e sem saber isso, fica difícil fazer correções nas estatísticas."

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