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S. João de Meriti: presidente da Câmara é preso por fraude em respiradores

Davi Perine Vermelho foi preso em casa, na manhã de hoje, em uma operação da Polícia Civil do Rio contra fraude na compra de respiradores pelo governo de SC - Divulgação/Polícia Civil
Davi Perine Vermelho foi preso em casa, na manhã de hoje, em uma operação da Polícia Civil do Rio contra fraude na compra de respiradores pelo governo de SC Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

06/06/2020 11h13

O presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti, Davi Perine Vermelho foi preso, na manhã de hoje em uma operação da Polícia Civil do Rio contra fraude na compra de respiradores pelo governo de Santa Catarina.

Além dele, também foi detido Cesar Augustus Martinez Thomaz Braga, advogado que teria assinado documentos na qualidade de diretor jurídico do grupo Veigamed - empresa situada no Rio, responsável pela venda dos equipamentos ao governo de Santa Catarina.

De acordo com a polícia, as negociações envolveram a venda de 200 respiradores. O valor pago, de forma antecipada pelo governo de Santa Catarina, foi de R$ 33 milhões com dispensa de licitação.

O vereador é acusado de participação no esquema. Ele, Martinez e Pedro Nascimento Araújo, que atuava como diretor executivo da Veigamed Material Médico e Hospitalar e está foragido, são investigados pelos crimes de peculato e corrupção passiva.

A ação visa, no total, ao cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão, além de três mandados de prisão preventiva.

A operação é comandada pelo novo diretor do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, Pablo Valentim, em apoio à Força-tarefa formada pelo Ministério Público de Santa Catarina, pelo Tribunal de Contas do Estado e pela Polícia Civil de Santa Catarina.

A ação ocorre em cinco municípios e em três estados da federação, envolvendo aproximadamente 50 policiais de Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Veigamed foi procurada pelo UOL, mas até o momento não se manifestou. A reportagem ainda não conseguiu localizar a defesa de Davi Perine Vermelho e de Cesar Augustus Martinez Braga.

Operação O2

A Polícia Civil de Santa Catarina já havia apreendido no começo do mês passado mais de R$ 300 mil em espécie ao cumprir 35 mandados de busca e apreensão na operação que apura suspeita de irregularidade na compra dos respiradores.

Batizada de Operação O2 —numa referência ao oxigênio, a ação já tinha ocorrido nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, além de Santa Catarina.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o ex-secretário de saúde Helton Zeferino foi exonerado após a revelação do pagamento antecipado à empresa que não tem histórico de atuação na área.

Zeferino teve os bens bloqueados pela Justiça e, em depoimento à polícia, atribuiu ao secretário da Casa Civil, Douglas Borba, a indicação da empresa contratada.

A ex-superintendente de Gestão Administrativa, Márcia Pauli, também demitida em razão das compras, disse em entrevista ao Balanço Geral Florianópolis ter ouvido citações ao nome do governador Carlos Moisés (PSL) durante a tramitação da compra sob suspeita.

Em uma reunião virtual na tarde de 8 de maio, Moisés queixou-se de pressão e disse que seu governo está sendo execrado. Segundo ele, a compra ocorreu em "dias de verdadeiro desespero". "Estávamos em desespero", justificou.

Dias depois da saída de Zeferino, foi a vez do então chefe da Casa Civil do estado, Douglas Borba, entregar o cargo.

Em nota, divulgada na época, o governador Carlos Moisés afirmou que o estado está colaborando com as investigações. "O Governo do Estado apoia todas as investigações necessárias para apurar eventuais irregularidades no processo de compra de respiradores, bem como em quaisquer outros processos. (...) Nenhuma tentativa de dano aos cofres públicos em Santa Catarina ficará sem a resposta necessária"

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