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Saúde republica site oficial da covid sem dado total de mortes e histórico

Site oficial da covid-19 volta ao ar sem números totais de mortes e histórico - reprodução/Site oficial da covid-19
Site oficial da covid-19 volta ao ar sem números totais de mortes e histórico Imagem: reprodução/Site oficial da covid-19

Do UOL, em São Paulo

06/06/2020 17h33Atualizada em 06/06/2020 18h10

Um dia após ser tirado do ar para uma "manutenção" não anunciada, o site oficial da covid-19 , alimentado com o balanço da pandemia pelo Ministério da Saúde, voltou hoje ao ar depois de passar mais de 19 horas. Porém, à exemplo do que ocorreu ontem com a atualização diária dos dados de diagnósticos, óbitos e curados, deixou de trazer números consolidados sobre a doença e o histórico de sua evolução desde o primeiro caso brasileiro.

Agora, o site apresenta apenas os dados incluídos nas últimas 24 horas na base de dados do governo — o que não significa que ocorreram de ontem para hoje.

Assim, em vez de noticiar as 35.026 mortes e 645.771 casos oficializados até ontem, o site informa apenas novos casos de recuperados, diagnosticados e óbitos.

Até ser retirado do ar ontem, o site costumava apresentar um balanço detalhado sobre a situação da pandemia de covid-19 no país. Entre os dados que deixaram de ser disponibilizados, estão:

  • curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica
  • casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica
  • óbitos por data de notificação e por semana epidemiológica
  • óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica
Somadas, as informações permitiam compreender as curvas de cada índice ao longo do tempo e o estágio da pandemia no país. Além disso, servem para fomentar pesquisas e decisões ligadas ao tratamento de pacientes, além de permitir análises sobre a eficácia das ações brasileiras.

Procurado pelo UOL, o Ministério da Saúde não explicou as mudanças na divulgação ou a situação do portal oficial que desde o início da pandemia estava no ar.

Contudo, o novo formato de divulgação dos dados parece atender a ordem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No início da noite, disse a jornalistas: "É para pegar o dado mais consolidado. E tem que divulgar os mortos no dia. Ontem, por exemplo, dois terços dos mortos eram de dias anteriores. Tem que divulgar o do dia."

O presidente também defendeu que a pasta divulgue no final da noite os dados sobre a pandemia no país como forma de atacar a Rede Globo. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse.

Ontem, o novo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Wizard, afirmou que a pasta deveria recontar o número de mortes, alegando que os dados eram "fantasiosos ou manipulados". Um novo balanço foi prometido para o próximo mês.

"Eu acredito que vai ter um dado mais real, porque o número que temos hoje está fantasioso ou manipulado", disse Wizard ao jornal O Globo.

Esvaziamento de dados preocupa pesquisadores

Após três gestões diferentes e mais um período sem ministro, o Ministério da Saúde agora trata e comunica a covid-19 de maneira bem diferente em relação ao início da pandemia no país. As entrevistas coletivas, antes diárias, perderam frequência, presença e qualidade, e a pasta passou a cancelar eventos em cima da hora e a atrasar até cinco horas a publicação dos dados oficiais.

Médicos e pesquisadores têm denunciado ao UOL o impacto negativo da escassez de atualizações. Para Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, "são pessoas totalmente despreparadas, as que estão lá no Ministério. Ninguém tem a mínima noção. E o que eles estão fazendo lá é justamente para dificultar a divulgação, tentar impedir as notícias ruins. Os generais acham que a febre do paciente passa se quebrar o termômetro".

"Não bastasse a subnotificação, agora nem os dados 7 vezes subnotificados vamos ter? Onde no mundo algo assim aconteceu no meio de uma pandemia?", afirmou nesta semana ao UOL o neurocientista e coordenador do comitê cientifico para covid-19 do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis.

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