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Após mudanças na Saúde, Imperial College pede 'cautela' com dados do Brasil

10.jun.2020 - Movimentação no metrô da cidade de São Paulo durante a pandemia do novo coronavírus - Bruno Escolastico / Estadão Conteúdo
10.jun.2020 - Movimentação no metrô da cidade de São Paulo durante a pandemia do novo coronavírus Imagem: Bruno Escolastico / Estadão Conteúdo

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 20h36

O Imperial College of London, instituição que se tornou referência mundial sobre as projeções da pandemia de covid-19, incluiu em seu site um aviso para que haja cautela na interpretação de dados brasileiros após uma série de alterações na forma como os dados são apresentados pelo Ministério da Saúde. "A divulgação de mortes e casos no Brasil está mudando atualmente; os resultados devem ser interpretados com cautela", diz o texto.

Até o último dia 7, a única menção ao país em seu site indicava as "previsões de curto prazo das mortes por covid-19 em vários países". Na atualização semanal da análise que é incrementada todas as segundas-feiras, no entanto, a universidade acrescentou o aviso em todas as abas que mencionam informações sobre a pandemia no Brasil.

No final da análise, em que a universidade elenca as referências para as projeções, o Imperial College cita que "o número de mortes no Brasil foi corrigido manualmente para 910 em 6 de junho e para 542 em 7 de junho".

A mudança no texto da respeitada instituição ocorre pouco depois de uma série de atitudes por parte do Ministério da Saúde recebidas com crítica por especialistas no Brasil e no mundo.

Atrasos no horário da divulgação e mudanças na apresentação das informações têm se intensificado desde o início de junho. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar há duas semanas e, quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos "novos", ou seja, registrados no próprio dia, sem histórico da pandemia no país.

Após decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que determinou que o governo retomasse a divulgação no site, as informações voltaram ao ar.

Em reunião ministerial na última semana, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou que o governo "buscou números reais" sobre os casos e óbitos em decorrência da covid-19 e "nunca mudou dados". "Os números nunca serão mudados. Estávamos buscando o número verdadeiro para evitar a subnotificação e não buscar a hipernotificação", disse.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que "tem trabalhado com total transparência na divulgação das informações sobre a pandemia da Covid-19 no Brasil".

"A pasta, em adicional às informações já divulgadas anteriormente, lançou nova plataforma que permite acompanhar a análise de casos e de óbitos de forma regionalizadas e por municípios, entre outras informações. O objetivo é ter uma ferramenta mais precisa sobre o cenário atual da doença e permitir ao Poder Público adequar ações e agir com mais efetividade na proteção e assistência à população", diz nota enviada à reportagem.

Veículos se unem em prol da informação

Em resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos de comunicação UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa a partir desta semana e buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

Hoje, o consórcio registrou 891.556 casos confirmados do novo coronavírus e 44.118 mortes decorrentes da doença.

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