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MP apreende R$ 8,5 mi em operação que prendeu ex-secretário do RJ

Imagem: Divulgação/MP-RJ

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

10/07/2020 20h09Atualizada em 12/07/2020 08h39

Promotores do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) apreenderam R$ 8,5 milhões em fase da Operação Mercadores do Caos realizada nesta sexta-feira (10). A ação prendeu preventivamente o ex-secretário estadual de Saúde do Rio Edmar Santos, apontado como um dos responsáveis por comandar um esquema de fraude em contratos na pasta durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o MP-RJ, os valores foram entregues espontaneamente por um dos investigados, que estava acompanhado de seu advogado. O comunicado do MP-RJ não informa por quem ou onde o dinheiro foi entregue tampouco a relação da fortuna com Edmar Santos e com a fraude nos contratos.

Na noite de sexta, quando diligências ainda eram cumpridas, uma fonte que participou da operação afirmou ao UOL que o montante havia sido encontrado em uma casa de Edmar Santos em Itaipava, distrito do município de Petrópolis (região serrana). A informação foi repassada também a outros veículos de imprensa que, assim como o UOL, noticiaram o fato.

A reportagem teve acesso a fotos e a um vídeo que mostra as cédulas de R$ 50 e R$ 100 sendo contadas. "Para a essencial imediata contagem do dinheiro, que terminou na madrugada deste sábado (11), o Banco do Brasil emprestou máquinas de contar cédulas e colocou à disposição agência com funcionário além do horário limite", informou o MP-RJ.

Imagem: Divulgação/MP-RJ

Não há informação sobre a identidade desse investigado responsável por entregar o dinheiro nem se há relação entre o montante e Edmar Santos.

Em nota na noite de sexta, porém, o MP-RJ disse ter encontrado R$ 5.000 em um dos endereços do ex-secretário. O órgão também confirmou a apreensão de "vultosa quantia em dinheiro", que foi depositada em conta judicial.

Procurada pelo UOL, a defesa de Edmar Santos negou que os R$ 8,5 milhões tivessem sido encontrados em um imóvel dele. Na noite de sábado, em nota, o MP confirmou a informação.

Mercadores do Caos

As investigações da Operação Mercadores do Caos miram o que seria, na visão dos promotores, uma quadrilha para fraudar a compra de respiradores para vítimas do novo coronavírus, feita em caráter emergencial e sem licitação.

De acordo com os promotores, houve um conluio entre pessoas em posição de comando na SES (Secretaria Estadual de Saúde) e empresários para direcionar os contratos emergenciais e desviar recursos públicos. Três empresas foram escolhidas para fornecer os equipamentos, em contratos que somam R$ 180 milhões, mas nenhum respirador foi entregue.

Na primeira fase da operação, deflagrada no começo de maio, Gabriell Neves, número dois do ex-secretário na pasta, foi preso. A prisão de Edmar é um desdobramento da investigação.

De acordo com o MP, Edmar diz desconhecer a existência de um esquema de fraudes para compra dos equipamentos. Na última segunda-feira (6), ele se manteve em silêncio em depoimento por videoconferência para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), alegando seguir instruções dos seus advogados.

Edmar foi preso em sua casa no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos numa outra casa dele, em Itaipava, na região serrana, onde foi encontrada a fortuna.

Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital. Segundo o MP, houve autorização da Justiça para acesso e extração de conteúdo armazenado nos materiais apreendidos, como celulares, computadores e pen drives, inclusive de registros de conversas telefônicas ou telemáticos, como mensagens via SMS ou aplicativos como WhatsApp.

A Justiça também autorizou a apreensão judicial de bens e valores de Edmar de cerca de R$ 37 milhões, o equivalente aos recursos desviados em três contratos fraudados para compra dos equipamentos médicos.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado na primeira versão deta reportagem, os R$ 8,5 milhões não foram apreendidos em uma casa de Edmar Santos em Itaipava (RJ). O MP-RJ negou na noite de sábado (11) que a quantia foi encontrada no imóvel e informou que os valores foram entregues espontaneamente por um investigado. O texto foi corrigido.

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