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Mais de 7 milhões de crianças ainda não foram vacinadas contra a pólio

Ainda não existe tratamento para a poliomielite e a única forma de prevenção é a vacinação - Rogério Galasse/Futura Press/Estadão Conteúdo
Ainda não existe tratamento para a poliomielite e a única forma de prevenção é a vacinação Imagem: Rogério Galasse/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

26/10/2020 22h05Atualizada em 26/10/2020 22h10

A menos de uma semana do fim da Campanha Nacional de Vacinação, 7,3 milhões de crianças ainda não foram imunizadas contra a poliomielite no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Somente pouco mais de um terço do público-alvo estimado de 11,2 milhões de crianças recebeu a vacina.

A campanha, voltada a crianças de 1 a menores de 5 anos, teve início em 5 de outubro e se encerra na próxima sexta-feira (30). A ação acontece simultaneamente à de multivacinação, que oferece todas as vacinas do calendário nacional a crianças e adolescentes menores de 15 anos, buscando atualizar sua situação vacinal.

"O Brasil reafirma o compromisso internacional assumido de manter o país livre da poliomielite. Mas as coberturas vacinais municipais ainda são heterogêneas, podendo levar à formação de bolsões de pessoas não vacinadas, possibilitando a reintrodução do poliovírus", explicou o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo de Medeiros.

A maior cobertura vacinal entre as crianças de 1 a menores de 5 anos, de acordo com dados preliminares, foi registrada no Amapá (62,59%), seguido da Paraíba (50,11%). A menor cobertura pertence ao estado de Rondônia (11,76%). Somente 232 (4,16%) municípios atingiram a meta de 95% de crianças vacinadas.

Entre o público-alvo da vacinação, a maior cobertura está entre as crianças de 2 anos de idade (35,33%); a menor, entre as de 3 anos (34,23%).

Não existe tratamento para a poliomielite e a única forma de prevenção é a vacinação. A vacina oral (VOP) protege contra dois sorotipos do poliovírus (1 e 3) e a vacina inativada (VIP), contra os três sorotipos (1, 2 e 3).

Para crianças com infecções agudas, com febre acima de 38ºC ou com hipersensibilidade a algum componente da vacina, o Ministério da Saúde recomenda aos pais que busquem um serviço de saúde para avaliação. A vacina é extremamente segura e possui eficácia entre 90% e 95% para a VOP.

Cenário da pólio

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990 e, em 1994, o país recebeu da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem em seu território.

Mas ainda existem países endêmicos detectando casos da doença: Paquistão e Afeganistão registraram, até 20 de outubro, um total de 132 casos de poliomielite. A vacinação é fundamental para que casos de paralisia infantil não voltem a ser registrados no Brasil.

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa grave. Na maioria dos casos, a criança não morre, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada pelo poliovírus e a infecção se dá, principalmente, por via oral.

O Brasil é referência mundial em vacinação e o SUS (Sistema Único de Saúde) garante à população acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Atualmente, são disponibilizadas 18 vacinas para crianças e adolescentes no Calendário Nacional de Vacinação, voltadas ao combate de mais de 20 doenças.

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