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Em 1º evento pós-covid, Pazuello não cita vacinas nem problemas de sistema

Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, participou de primeiro evento após se recuperar de covid-19 - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, participou de primeiro evento após se recuperar de covid-19 Imagem: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

11/11/2020 13h28Atualizada em 11/11/2020 14h02

Participando de seu primeiro evento após se recuperar da covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não fez referências em seu discurso a dois focos de atenção da pasta nos últimos dias: o debate sobre as vacinas em desenvolvimento e os problemas no sistema Sivep (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe), utilizado para informar casos e óbitos causados pelo novo coronavírus.

O evento marcou o lançamento do Novembro Azul, campanha que tem o objetivo de estimular os homens a cuidarem da saúde de forma integral. A transmissão foi realizada pelas redes sociais do ministério, sendo que Pazuello encerrou o encontro um um discurso focado na amplitude do SUS (Sistema Único de Saúde) e de sua importância para a saúde do homem.

Pazuello abriu o discurso dizendo que, embora recuperado da covid-19, ainda sente os efeitos da doença. O ministro foi diagnosticado com a doença no dia 21 de outubro e chegou a ser internado após apresentar quadro de desidratação.

"Não estou completamente recuperado, é claro, é uma doença complicada, é difícil voltar ao normal. Mas conseguimos trabalhar um pouquinho, já é um primeiro dia de atividades", disse.

Na saída do evento, jornalistas pediram que o ministro se manifestasse sobre as vacinas em testes no Brasil, mas ele se recusou, dizendo que hoje só falaria sobre o "novembro azul".

Esta foi a primeira manifestação oficial de Pazuello desde que ele precisou se isolar por causa da covid-19. Neste período, o debate sobre vacinas se intensificou, sendo que o ministro foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que cancelou um acordo com o Instituto Butantan para a aquisição da vacina CoronaVac.

Pazuello chegou a anunciar, em uma reunião com imagens públicas, que o governo compraria 46 milhões de doses da vacina e que a imunização produzida pelo Butantan em parceria com laboratório chinês Sinovac o laboratório seria "a vacina do Brasil" contra a covid-19. Bolsonaro, porém, disse no dia seguinte que não compraria a "vacina de Doria".

Um dia depois o ministro foi diagnosticado com coronavírus, recebeu a visita de Bolsonaro e admitiu: "um manda e outro obedece". Desde então, Pazuello não havia se manifestado até o evento de hoje.

A discussão das vacinas voltou à tona nesta semana, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu por dois dias o teste da CoronaVac. Como informado pela colunista Carla Araújo, a justificativa oficial para o silêncio de Pazuello em relação ao assunto é que "a competência de validar vacinas é exclusiva da Anvisa, que é uma agência reguladora e tem independência".

Problema no sistema

O ministério da Saúde ainda está sob críticas em relação a problemas no sistema Sivep (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe). Alguns estados alegam que não tem conseguido acessar o sistema utilizado para informar casos e óbitos causados pelo novo coronavírus desde a última quinta-feira.

O problema tem provocado atraso nos informes dos estados em relação à evolução da pandemia da covid-19.

Ontem, o Ministério da Saúde informou que conseguiu restabelecer parte dos sistemas de informação que estavam fora do ar, sem citar o Sivep.

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