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Pequenos negociantes temem por futuro e torcem contra regressão em Plano SP

José Marques, dono de academia que já fechou outro estabelecimento durante a pandemia, em balcão com as contas atrasadas - Marcelo Oliveira/UOL
José Marques, dono de academia que já fechou outro estabelecimento durante a pandemia, em balcão com as contas atrasadas Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 17h23

Um dia após o segundo turno das eleições municipais, o governo estadual anunciou que o Plano São Paulo, de reabertura da economia, regridiria da fase verde para a fase amarela. Na Vila Buarque, bairro no centro de São Paulo, onde vários pequenos estabelecimentos comerciais fecharam, o dono de uma academia teme pelo futuro, enquanto o de um restaurante vegetariano torce para que a reabertura não volte para a fase laranja.

O educador físico José Marques, 54, tinha duas academias na rua Dr. Cesário Mota Júnior e agora tem apenas uma, voltada para o público feminino, que funciona apenas seis horas por dia. A outra, para o público em geral, foi fechada recentemente. Ele vendeu os equipamentos na semana passada, tentando acertar as contas atrasadas do estabelecimento que restou.

Academia fechada recentemente na Vila Buarque, bairro localizado no centro de São Paulo - Marcelo Oliveira/UOL - Marcelo Oliveira/UOL
Academia fechada recentemente na Vila Buarque, bairro localizado no centro de São Paulo
Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Marques diz que não assiste mais à TV na academia e soube da notícia pela reportagem. "Eu não sei mais o que é verdade. Tenho pacientes que trabalham na Santa Casa e disseram que aumentaram os casos, mas porque a decisão só foi anunciada agora, após as eleições?"

Ele conta ter perdido clientes e ficado fechado por quase três meses por conta das restrições impostas, mas afirma que seguirá os protocolos.

Vou seguir os protocolos, mas Deus queira que eu não precise fechar.
José Marques, dono de academia

Além dos problemas nos negócios, ele se separou da mulher, com quem era casado havia oito anos, durante a pandemia.

"Ela chegou a ser afastada, testou positivo, está estressada e não consegue mais pensar em mim. É uma pessoa tão boa, tão maravilhosa, mas foi morar com a mãe e levou meu filho", disse Marques, emocionado ao falar dela.

Há 19 anos no bairro, ele afirma que as pequenas academias foram abandonadas pelas autoridades. "Fomos os primeiros a fechar e os últimos a abrir. Não tivemos nenhum plano de auxílio para o nosso setor."

Amigos almoçam no restaurante Green Chef, na Vila Buarque, separados por divisória de plástico - Marcelo Oliveira/UOL - Marcelo Oliveira/UOL
Amigos almoçam no restaurante Green Chef, na Vila Buarque, separados por divisória de plástico
Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Dono de restaurante torce contra nova regressão

A poucos metros dali, Roberto César Ribeiro, 54, que administra o restaurante vegetariano Green Chef, na praça Rotary, torce para que o Plano São Paulo não regrida novamente.

"Se voltar só para o amarelo, tudo bem, ainda dá para continuar. Se regredir para a fase laranja ou vermelha, serei obrigado a manter apenas o delivery", diz ele, que colocou divisórias de plástico em seu restaurante para aumentar a segurança sanitária de seus clientes.

"Hoje o dia está ótimo, movimentado", comemora Ribeiro, que havia dois meses vendia o mesmo número de refeições da época em que inaugurou o restaurante, quatro anos atrás.

Ele lamenta que nem todos os estabelecimentos estejam seguindo as normas sanitárias. Diz que na região onde compra os hortifrútis para seus restaurantes "ninguém usa máscara, nem a equipe de bombeiros civis que dá plantão no local".

Ele criticou também o anúncio após as eleições. "Sinceridade sobre a situação seria muito melhor para que todos se protegessem", diz.

"Aqui, eu tenho muita sorte. Todos os clientes respeitam o protocolo", afirma ele. Antes de se servirem no bufê, os clientes usam luvas de plástico e têm a temperatura medida.

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