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11 meses

Bolsonaro: Se Estado avança sobre liberdade individual, dificilmente recua

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em cerimônia da Marinha no Rio de Janeiro - Isac Nobréga/PR
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em cerimônia da Marinha no Rio de Janeiro Imagem: Isac Nobréga/PR

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

12/12/2020 12h10Atualizada em 12/12/2020 15h49

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, em evento militar no Rio, que, "quando o Estado avança sobre direitos e liberdades individuais, dificilmente recua". Embora não tenha feito menção direta à vacina contra a covid-19, o presidente é crítico da eventual obrigatoriedade do imunizante, defendida pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político.

"A história nos mostra: quando o Estado avança sobre direitos e liberdades individuais, dificilmente ele recua. Não deixem que o pânico nos domine. A nossa liberdade não tem preço. Ela vale mais do que nossa própria vida", declarou o presidente hoje em cerimônia de formatura de militares na Escola Naval, no Rio de Janeiro.

Bolsonaro e integrantes do seu governo têm protagonizado nos últimos meses uma disputa sobre as pesquisas para o desenvolvimento de um imunizante contra o coronavírus.

Em outubro, Doria chegou a afirmar que a vacinação contra o novo coronavírus em São Paulo será obrigatória, exceto para pessoas que apresentem alguma restrição avalizada por um médico.

Na próxima quarta-feira (16), o STF vai julgar duas ações que discutem a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19.

Apesar das declarações contrárias à imunização compulsória, foi o próprio Bolsonaro quem sancionou a lei 13.979/20, que prevê a possibilidade de as autoridades públicas obrigarem a população a ser vacinada.

Antes da declaração hoje sobre o eventual avanço do Estado em direitos e liberdades individuais, Bolsonaro leu versículo de Provérbios que diz que, "se te mostrares fraco no dia da angústia, é que tua força é pequena". Ao longo da fala aos formandos, ele ressaltou disciplina, hierarquia e patriotismo, e citou que experiências e valores aprendidos no Exército o ajudaram a "atingir vários objetivos na vida", como ser presidente da República.

Bolsonaro esteve acompanhando de ministros militares, como Bento Albuquerque (Minas e Energia), Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Braga Neto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Fernando Azevedo (Defesa), e parlamentares aliados, como o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ).

Após a cerimônia, Bolsonaro cumprimentou formandos e parentes. Ele não usava máscara contra a propagação do novo coronavírus. O objeto de proteção é recomendado por médicos para evitar que o vírus passe de uma pessoa a outra por meio de gotículas na saliva da boca ao falar e do nariz. O aperto de mãos é a principal forma de contágio, segundo o próprio Ministério da Saúde.

O comandante da Marinha, almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, também discursou no evento. Ele disse que a Força continua "firme" na execução dos programas estratégicos, como o programa nuclear, a construção do núcleo do poder naval, a obtenção da capacidade operacional plena e a ampliação de sistemas logísticos.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.